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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

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Tag: 10 Coisas de Verão

Boas! Hoje resolvi fazer um desafio proposto pelas minhas lindas Tótó e Rapariga do Autocarro!  

Adoro receber notificações para fazer estes tipos de tags, por isso desde já um obrigado às duas - e eu sei que é obrigatório agradecer pelas regras do TAG, mas agradeço de forma genuinamente voluntária, e nada forçada hehe 

 

Este tag consiste em fazer uma lista de 10 coisas que pretende fazer este Verão.

 

Regras:

  1. Agradecer a quem o nomeou, fazendo uma ligação para o blogue em questão;
  2. Fazer uma lista de dez coisas que gostaria de fazer - e que sejam exequíveis - este Verão;
  3. Nomear cinco bloggers para fazer o mesmo.

 

Este Verão gostaria de...

1. Passar férias no Algarve, e aproveitar o sol marafado algarvio! 

2. Aproveitar para estar mais tempo com a família, amigos e namorado 

 3. Apanhar um bronze mais a sério este ano! Quero ficar a Rihanna portuguesa 

4. Ler, ler e ler! 

 

5. Ir a um festival de Verão! 

 

6. Treinar a condução para poder tirar a carta (fora do baralho!)!! 

7. Fazer algo novo (ter uma experiência que nunca tive, ir a um sítioque nunca fui...) 

8. Fazer a minha festa de aniversario!!! 

9. Descansar... 

10. Escrever mais no blog! 

 

E os próximos sortudos são... P.P., Hipster Chique, DesconhecidaVox nihili e Nota Dissonante! No entanto, todos aqueles que lêem o blog estão à vontade para responder à tag.

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Distúrbio de videojogos: uma doença mental?!

    Recentemente, a OMS reconheceu os 'Distúrbios de videojogos' como doença mental na Classificação Estatística Internacional de Doenças, e o caso parece dar dado "pano para mangas". 

    Segundo a Organização Mundial de Saúde, este distúrbio caracteriza-se como uma dependência do indivíduo em relação aos videojogos, que origina uma falta de controlo na sua vida (que progride ao longo de um período superior a 12 meses), tendo consequências negativas no seu quotidiano: falta de sono, irritabilidade, exclusão de outras actividades do dia-a-dia, etc. O psicólogo Pedro Hubert, coordenador do Instituto de Apoio ao Jogador diz, a este respeito, que “Há provas científicas de que o estímulo para jogar pode ser tão forte como a nicotina e outras drogas. Por cá, há cada vez mais pais preocupados por não saber como ajudar os filhos que se isolam, começam a falhar na escola e vivem para os videojogos". 

    No entanto, os investigadores recomendam ter atenção no diagnóstico deste tipo de patologia, visto que estes casos problemáticos afetam apenas uma minoria das pessoas que se dedicam a atividades de videojogos. É fundamental ter em conta o número de horas que o sujeito passa a jogar, especialmente quando este passa a ignorar outras atividades diárias, em detrimento do jogo.

    Na minha modesta opinião, parece-me que as pessoas podem estar a interpretar este termo de forma errada, pois o distúrbio é visto apenas como a dependência exagerada dos videojogos, que coloca em risco a saúde mental do indivíduo. O caso não pode, nem deve, ser generalizado. A classificação deste distúrbio não significa que toda a gente que jogue videojogos sofra de uma patologia, nem que seja errado jogar.

    Esta é a minha opinião, agora gostava de ouvir a vossa. O que vocês acham? Concordam com a classificação da OMS?

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#2 DomingodeConsultório: Como encontrar o psicólogo ideal?

 psicologo.png

    Sejam bem-vindos, mais uma vez, ao Domingo de Consultório, o nosso Consultório está aberto! Hoje tivemos duas pessoas que se sentaram ao nosso divã, e quero agradecer desde já a vossa participação. Vamos conhecer as suas questões!

 

    Sara Beauty diz ser "muito chorona", referindo que em situações de avaliações da escola, "quando era altura de receber o feedback dos professores, sempre que eles apontavam algo de errado que eu tinha feito, lá vinham as lágrimas." Acrescenta que "Como sempre fui mais para o gordinha e sofri bullying no ensino básico todo por isso, penso que a estratégia que eu arranjei era ser "perfeita" nos estudos e portar-me exemplarmente. Algum conselho para eu controlar melhor estas situações?"

 

     Querida Sara, percebo o que sentes, porque sou muito semelhante a ti: sou péssima a receber críticas, e é algo que quero trabalhar. Por isso, vou-te dar o conselho que eu estou a aplicar neste momento: trabalhar na minha auto-estima. Ao melhorar a forma como nos vemos a nós, as críticas dos outros (seja de bullies, de professores..) vão deixar de ter um peso tão grande. Não é fácil aumentar a auto-estima de um momento para o outro, é um treino que se faz, todos os dias. Neste caso, aconselhava-te a: identificar o que te poderá estar a causar uma eventual baixa auto-estima neste momento (familiares, amigos, colegas de trabalho, o emprego...) e o que se pode fazer; rodear-te de pessoas positivas; ser mais assertiva; enumerar as tuas qualidades e evitar comparações com os outros; e evitar criticarmo-nos a nós e aos outros, de forma excessiva. Ao aceitarmo-nos tal como somos, tanto as nossas características físicas e psicológicas que gostamos mais, como as que gostamos menos, ficamos menos afetados pelas opiniões negativas dos outros, e logo, choras menos. É pensar que nós somos muito mais do que tudo isto, e as difuldades que nos apareçam apenas nos tornaram pessoas mais fortes 

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    Já o P.P. diz: "Tenho uma dúvida a respeito da atuação do psicólogo clínico em casos de transtorno de ansiedade e depressivo. O que leva alguns profissionais a, durante meses, todas as semanas, escutarem o doente, sem tirar qualquer nota ou colocar questões? O psicólogo não deve apresentar "estratégias de superação"? Ex.: o doente tem dificuldade em interagir com os pares, em contexto profissional, mas também onde vive, isolando-se. O mecanismo de ação do psicólogo deve ser o descrito? Como procurar o psicólogo ideal?"

 

    Caro P.P., percebo a tua dúvida. Existem vários tipos de profissionais de psicologia, cada um com a sua vertente clínica, e por isso às vezes torna-se difícil encontrar o psicólogo ideal para nós. Os mais frequentes costumam ser os psicólogos dinâmicos ou os psicanalistas, que são psicólogos mais focados em explorar o passado da pessoa e deixar a pessoa falar (não costumam tomar notas e intervir, porque eles acreditam que a terapia faz-se assim). Por outro lado, temos os psicólogos cognitivo-comportamentais, que são mais focados no aqui-e-agora. São mais intervenientes nas consultas, e dão técnicas para lidar com o presente.

    Não existe propriamente uma abordagem melhor ou pior, existem é vários tipos de intervenção psicológica. Pelo que me estás a dizer deves estar perante uma vertente mais parecida com a primeira que descrevi e, neste caso, não está a ser a mais indicada para ti. O meu conselho é, antes que tudo, seres sincero com o teu psicólogo, e dizeres que mais do que desabafar, pretendes técnicas para lidar com o que estás a sentir. Se ele se recusar a dá-las, e no futuro, se vês que com a tua terapia atual não está a avançar da maneira que pretendes, procura por um psicólogo especializado na área cognitivo-comportamental. Podes ver na internet, ou em consultórios perto da tua localidade. Boa sorte, e espero ter ajudado!

  E por hoje é só! O que estão a achar desta rubrica? Têm alguma questão para o próximo Domingo de Consultório? 

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O que eu gosto no Mundial

    Mais do que a antecipação dos jogos, todo o "chinfrim" nas notícias da televisão, dos jornais e na publicidade. Mais do que a adrenalina que vivemos ao assistir aos passes do Ronaldo, e dos outros tantos. Mais do que as vuvuzelas, as buzinas dos carros e os gritos do "Goloooooo"...

    Há uma coisa que eu adoro no futebol, que vejo acontecer especialmente na altura do Mundial: A união dos portugueses. Nestas alturas, somos todos um só. Unimo-nos com uma força, que nada nos bate....Tornamo-nos invencíveis!

 

    Porque é que não somos sempre assim?!... 

 

 

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O meu querido Pedrógão Grande...

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    Fez domingo 1 ano. Há 1 ano que estavam a ser levadas vidas de inocentes, e destruídas casas, terrenos, e estradas por fogos que apanharam de surpresa os habitantes do Nodeirinho (onde foi inaugurado o monumento acima), e do resto da vila de Pedrógão Grande. 

    Honestamente, parece que foi ontem que soube da notícia. Ainda é tudo muito novo para mim, e sinto que se falar nisto durante muito tempo, começo a chorar.

    E choro porque a vila que eu conheci está completamente irreconhecível, o trauma e o medo ainda se apoderam de muitas famílias que por lá andam, e o luto por aqueles que perderam ainda está a ser feito... Porque é tudo muito recente, aconteceu tudo tão rápido, e foi tudo tão inesperado. Eu (ainda) me sinto neste "choque" de: Eu poderia perfeitamente ter sido uma das pessoas que não sobreviveu aos incêndios... Porque era altura das férias, e a minha família estava prestes a arranjar uma data para irmos visitar a nossa casa de Figueiró, e era perfeitamente possível de isto acontecer. As estradas em que ocorreram os incêndios são estradas onde nós passamos a toda a hora, as localidades que arderam eram perto da nossa casa, e o nosso próprio terreno ardeu completamente!

    Por isso, se eu ainda não recuperei do susto, e nem sequer estive presente para o ver, eu não imagino o que sofreram (e ainda sofrem) os habitantes de Pedrógão! Nem imagino os traumas, os medos, as angústias, as tristezas... que se vive nesta vila, onde são constantemente relembrados desta desgraça... Eu só espero realmente que todos os habitantes estejam a ter o devido acompanhamento psicológico, e ajuda monetária (e de bens), que necessitam, para se encontrarem o melhor possível dentro das circunstâncias. Foi um choque enorme para todos, mas para estas pessoas que viveram este pesadelo de perto deve ter sido muito maior, e merecem toda o respeito, e atenção, do mundo. Muita força para todas as famílias, o meu coração está com vocês... 

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Domingo de Consultório Aberto!

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    Olá, boa tarde, como está? Relaxe, sente-se à vontade, e seja bem-vindo/a ao consultório da Dra. Carta! 

    Ultimamente tenho reparado que algumas pessoas entraram em contacto comigo com dúvidas acerca de algum aspecto da sua vida, que queriam que desse a minha opinião enqunto psicóloga. E isso deu-me uma ideia!

    A partir de hoje, todos os domingos haverá consultório de psicologia aberto aqui no blog, onde poderão ver respondidas as vossas questões! Sim, as vossas questões! Podem ser dúvidas relacionadas com:

  • A Psicologia em si (o que é, o que fazemos, como funciona...?);
  • Doenças mentais ou algo que estejam a passar neste momento (ansiedade, stress, luto, depressão, fobias, obsessões...);
  • Conselhos que precisem sobre algo na vossa vida (relacionados com a escola/trabalho, amigos, família, relações amorosas...);
  • Ou outras questões que tenham (sobre assuntos actuais, temas que considerem relevantes...), e que queiram ver respondidas por mim, segundo a minha opinião/ponto de vista, enquanto (futura) psicóloga.

    Para isso só têm de: comentar este post com a vossa questão (em anónimo se não se quiserem expôr, ou com o vosso blog), comentar o post do meu instagram que irá sair sobre o Domingo de Consultório Aberto, OU mandar um e-mail para umacartaforadobaralho@hotmail.com (onde podem, mais uma vez, identificar-se ou não, conforme queiram ou não manter o anonimato). 

    Quero apenas dizer-vos que, por não vos conhecer pessoalmente, nem ao vosso percurso de vida, não faço diagnósticos clínicos (isto é, não vos conseguirei garantir, a 100%, que estão com um determinado tipo de patologia pois não tenho instrumentos suficientes para saber). No entanto, posso-vos dar as minhas mais sinceras opiniões enquanto expert na matéria, e aconselhar-vos da melhor maneira.

    E é isto! O que acharam desta iniciativa? Eu vou ser sincera, eu estou super entusiasmada com o que os próximos domingos me reservam! E acima de tudo, estou felícissima na esperança de conseguir ajudar quem mais precisa. Afinal, é para isso que serve a comunidade da blogosfera, correto? 

 

ATUALIZAÇÃO 17/06, 23:59h: Já temos perguntas suficientes para o próximo Domingo de Consultório Aberto! Obrigada pelas vossas questões! 

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"Epá, yá, o amor dá trabalho..."

 

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    - Foi aquilo que ouvi de uma amiga minha, há dias. E aquela frase por algum motivo ficou-me na cabeça.

    Neste caso, ela referia-se ao seu desgosto amoroso mais recente, que durou-lhe um par de dias, - mas um par de dias intensos, que lhe deixaram sem dúvida muita mágoa. E eu comecei a pensar, (euzinha, que vai fazer 4 anos de relação com o gajinho), que ela tinha toda a razão. O amor dá um trabalho do caraças. Eu gosto muito do meu gajinho, mas nós já tivémos definitivamente os nossos altos e baixos (como muitos casais de namorados, calculo eu). E por vezes não é fácil, mas acho que o mais importante é pensar: vale, ou não, a pena o "trabalho"? 

    Porque como muitos sabem eu sou adepta de relações duradouras, e perdoem-me se estou enganada, mas tenho a impressão de que nós estamos a ficar cada vez mais preguiçosos no que diz respeito ao amor. Não sei se tem a ver com as novas tecnologias e a facilidade de encontrar novos potenciais amorosos a um click! de distância (não culpo quem o faz, eu própria conheci o meu namorado na internet!), mas dá-me a sensação de que muita gente está a desistir do "trabalho" que é manter uma relação amorosa, o que acaba por me deixar um pouco triste.

  Obviamente não estou a falar de casos onde existem traições; abusos e/ou violência emocional, verbal, ou física; omissões de comportamentos; faltas de respeito, e outras red flags gravíssimas nos relacionamentos, onde a única solução é o ponto final. Estou a falar antes de casos onde os dois parceiros da relação desistem aos primeiros obstáculos que encontram, não havendo lugar para crescerem e aprenderem com os seus erros os dois juntos! Porque, para mim, é essa a definição de uma relação. Se a relação depois acabar por não resultar a longo prazo, pelo menos os dois cresceram e tentaram lutar um pelo outro. Isso para mim é amor.

    No fundo o que estou a tentar dizer aqui é: ninguém é perfeito (e foi uma das coisas que aprendi também na minha relação ). Não vale a pena pensarmos que as pessoas não têm defeitos, que nunca vão discutir e vai ser tudo perfeito, porque isso é uma utopia. Somos seres humanos, temos os nossos dias, temos as nossas inseguranças, as nossas defesas. Em último caso, temos é de aprender a conviver da melhor maneira com elas.

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Dicas para quem vai/pensa fazer a tese

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  • Escolham um tema que tenham genuinamente interesse! Não há nada pior do que passar um ano da vossa vida a procurarem por "a relação entre os mamutes filhos e as mamutes mães", se isso não vos atrai minimamente.
  • Não deprimam em casa. Levem o vosso pc para cafés, bibliotecas, o que for. Mas quanto mais se isolarem em casa, menos motivação vão ter para escrever a tese (trust me, I know!).
  • Sci-hub é o vosso melhor amigo, acreditem. Para quem não conhece, este site ajuda-vos a desbloquear teses, artigos, abstracts... que são pagos, ou impossíveis de aceder. Basta colocarem o "DOI" do artigo, e voilá, como novo!
  • Para além disso, sites como o Library Genesis dão-vos acesso a carradas de livros de forma gratuita, que podem ser super importantes para vocês!
  • Informem-se sobre se a vossa faculdade, e orientador, pretende teses em formato de artigo, ou (tese) clássica, pois têm normas de formatação e estrutura para seguir completamente diferentes!
  • A parte da Discussão da tese é a mais importante, por isso esmeram-se aí (e nos Resultados, obviamente)! A revisão da literatura normalmente é a parte menos relevante do vosso trabalho.
  • Mesmo que os Resultados da tua tese não sejam os esperados (e não vão de encontro das hipóteses iniciais que propunhas), não desesperes, pois isso não é sinal que não tenhas uma boa tese! Pelo contrário, é sinal que tens de refletir no que achas que originou esses resultados (inesperados), e aproveitar para discutir na discussão!
  • Por último, trabalhar e fazer a tese ao mesmo tempo não é impossível, mas é difícil. Principalmente se tiverem um trabalho, ou um orientador, mais pró exigente. Considerem muito bem antes de aceitar fazer as duas coisas ao mesmo tempo, porque uma tese é muito mais do que fazer um simples trabalho, e exige uma grande disponibilidade horária da vossa parte (para os encontros com o orientador, fazerem as vossas leituras necessárias, recolherem as amostras, realizarem a parte prática, etc).

Espero que tenham gostado das dicas, que acredito que vos serão muito úteis no futuro, caso pensem fazer uma tese. Quem me dera ter sabido de algumas destas coisas muito antes, acreditem 

Algum de vocês tenciona fazer? Ou algum de vocês já tirou a tese, e passou por experiências semelhantes? 

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Uma carta (fora da) minha primeira paciente

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    A minha primeira paciente era uma senhora com os seus 70 anos de idade, olhar simpático e com um sorriso meigo. Mas não foi sempre assim que eu a vi.

    A primeira vez que a Dª. Mariana* entrou no meu consultório ela vinha de semblante triste, cabisbaixa e muito frágil. Tinha sofrido um luto inesperado há pouco tempo, e como o seu médico de família a vira tão chorosa nas suas consultas, mandara-a para uma consulta de psicologia. E fui eu, recente estagiária, acabadinha de chegar da faculdade, que ficara encarregue do caso. 

    Devo-vos confessar que no início fiquei apavorada. O meu primeiro caso clínico envolvia uma morte, o luto de um ente querido! Estudei muito, li, e tentei ao máximo conhecer melhor esta senhora. O meu único objetivo era fazer parar o seu choro incessante de cada consulta. Só queria que ela se sentisse melhor.

    Percebi que havia muito mais do que um luto por detrás da sua tristeza, algo que nem vale a pena explorar aqui. Digamos que nos últimos anos não tinha tido muitos motivos para sorrir, e aquela morte só havia vindo piorar o que - há muito -  estava por resolver.

    Não foi fácil, mas durante 6 meses que tive o meu estágio curricular, recebi a tristeza da Dª. Mariana, tentei ao máximo ser o suporte da sua tremenda dor de há muito, e desafiei-lhe novas formas de pensar e agir, para melhorar o seu bem-estar.

    Hoje tenho saudades de conversar consigo, Dª. Mariana... e tanta curiosidade em saber como está! O que é feito de si? Estará melhor do que a última vez que a vi? É triste pensar que, possivelmente, nunca mais vou ter notícias da primeira paciente que me passou pelas mãos... 

    Escrevo para lhe dizer, Dª. Mariana, o quanto me fez crescer enquanto psicóloga, e ser humano. Eu acredito que os pacientes aprendem muito com os seus psicólogos, mas os psicólogos também aprendem muito com os seus pacientes! E nem tão cedo me vou esquecer de si, da sua história, e do seu sorriso tímido (quando finalmente apareceu!). Foi a minha primeira paciente, e vai ter sempre um lugar especial no meu coração. 

    P.S.: Ainda guardo todos os desenhos que me deu, na nossa última consulta - quando descobriu que o meu estágio terminara -, junto à minha mesinha-de-cabeceira. 

 

*O nome foi alterado para proteger a identidade da paciente.

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