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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

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"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

E que tal vamos de objetivos?

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    Hoje, em consulta, eu e a minha psicóloga falávamos da importância de ter objetivos de vida.

    Eu sempre fui uma pessoa com uma grande necessidade de ter objetivos. Preciso de saber qual é o meu propósito neste momento, qual é o passo que vou dar a seguir - caso contrário sinto-me perdida.

    Nunca fui muito de "ir na onda", e ver onde a vida nos leva. Eu não acho que é a vida que nos leva a algum lado, somos nós que levamos! E quanto mais depressa nos apercebermos disso, mais depressa começamos a tomar ações para que as coisas aconteçam, e mudem!

    E foi isso que disse hoje, à minha psicóloga: "Neste momento eu não estou a trabalhar, porque estou à espera que a Ordem dos Psicólogos dê autorização para poder começar o meu estágio profissional, no entanto, apesar de não me encontrar ocupada, tenho os meus objetivos futuros bem definidos.

    Tenciono fazer o estágio - que vai durar um ano -, depois começar a trabalhar como psicóloga clínica, abrir um consultório privado, tirar uma remessa de formações (aprender nunca fez mal a ninguém...), juntar os trapinhos com o gajinho, e... viajar muiiito! E é para isso que eu luto, todos os dias."

    E ambas chegámos à conclusão que ter objetivos em mente ajuda qualquer pessoa, sejam os objetivos que forem: "O meu sonho é ser mãe", "Aprender línguas!", "Conhecer novas pessoas e culturas", "Escrever um livro", "Tirar um curso de ...", etc!

    Se procurarmos realmente o que nos faz feliz e o que queremos para o futuro, e lutarmos para que isso aconteça, vamo-nos sentir muito mais realizadas. É verdade, as coisas nem sempre correm como nós prevemos, mas se dermos o nosso melhor para o conseguir, no final vai tudo valer a pena! O que interessa, a meu ver, é ter motivação para levar as coisas para a frente, por mais simples que sejam!

    E vocês, quais são os vossos objetivos de vida? 

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#27DomingodeConsultório: Na mente de um psicopata...

 

    Apesar de ser esta a imagem que muitas vezes associamos a um indivíduo psicopata, nem sempre é esta a aparência que as pessoas com esta perturbação da personalidade apresentam (como devem imaginar...).

    Isto porque os psicopatas são mentirosos compulsivos, com tendência a manipular e enganar os outros para obtenção de prazer pessoal, ou lucro; e por isso muito dificilmente demonstram o que realmente são.

    Estas pessoas demonstram facilmente grande irritabilidade e agressividade, o que pode levar à violência física - e por isso os indivíduos psicopatas são protagonistas de muitos dos filmes de terror. Para além disso, eles apresentam muitas dificuldades em adaptar-se às normas sociais, e mantêm uma postura de grande irresponsabilidade na sua conduta. Os seus comportamentos costumam-se reger por um destes: agressão a pessoas e animais; destruição de propriedade, roubo ou grande violação de regras.

    A ausência de remorso, que é tão característico desta perturbação, é marcada pela indiferença ou racionalização em relação a ter ferido, mal-tratado ou roubado alguém.

 

DIAGNÓSTICO

    A psicopatia só pode ser diagnosticada em indivíduos com mais de 18 anos, quando apresentam sintomas de transtorno da conduta antes dos 15 anos.

 

FATORES DE RISCO

    Este transtorno psicológico parece ter uma ligação a indivíduos com baixas condições económicas, que vivem em contextos urbanos.

    A psicopatia é mais frequente em indivíduos que tiveram pais com o mesmo tipo de transtorno (sejam pais biológicos, ou adoptivos - visto a importância dos fatores externos). Também o abuso ou negligência infantil, pais instáveis ou uma disciplina parental inconsistente pode aumentar a probabilidade do transtorno evoluir na idade adulta.

 

TRATAMENTO 

    Visto não haver ainda evidências de um tratamento para a psicopatia eficaz a longo prazo, o seu tratamento é centrado na melhoria dos sintomas a curto prazo. Assim, a forma de tratamento mais comum é a utilização medicamentosa (estabilizadores de humor e antidepressivos), apesar desta nem sempre se revelar 100% eficaz. Estudos revelam que o acompanhamento psicológico é também importante nesta perturbação, contudo, não origina mudanças na sua personalidade, mas ajuda antes a desenvolver maior controle sobre os seus impulsos e maior consciência pelos seus actos.

 

    Espero que tenham gostado deste Domingo de Consultório! Que temas gostariam que falasse para a próxima semana? 

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Pronto, eu admito:

 

    Eu não acho muita piada à musica do Conan. Aliás, nenhuma. 

    Não sou fã da voz dele, a letra faz-me rir e o ritmo não foi feito para mim...

    Eu sei que a maioria das pessoas é seu fã, e para essas pessoas eu digo: "Vocês não batem bem!" (estou a brincar) "Não é por isso que vamos deixar de ser amigos, está bem?! Amigos amigos, gostos à parte!" 

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Desafio: O meu "first date"

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    A propósito de ter estado a ver os "First Dates" e o "Carro do Amor", relembrei-me do quão estranho e assustador foi o meu primeiro encontro. E sim, o meu primeiro encontro foi com o gajinho. 

 

    Conhecemo-nos num chat online (somos mesmo velhos...), e depois disso falámos por skype durante cerca de 1 mês até nos conhecermos pessoalmente. Foi apenas um mês até nos conhecermos porque ele fez-me uma espécie de ultimato. Não do género "Ou sais comigo hoje, ou acabo com a tua família", mas mais do tipo "Eu hoje às 21h vou estar na estação à tua espera. Sei que achas que nos conhecemos há pouco tempo, mas eu não consigo esperar mais. Vem ter comigo pleaase!" E eu não fui, e as coisas nunca deram certo. Estou a brincar. Eu não fui naquele dia, mas sim no dia seguinte, à tarde (só para ele ver quem é que manda!).

    E lá estava eu, na estação de comboios, à sua espera. As pernas tremiam-me que nem varas verdes, e na minha cabeça só estava "Como é que ele será pessoalmente? E se ele não for o rapaz das fotos? ESTAREI EU NO CATFISH?"

    E... ele chegou. A primeira coisa que reparei logo é que ele era alto que nem uma girafa. Ar de intelectual. Uma barbicha (que agora já cortou). Ele diz que a primeira coisa que reparou em mim foi os meus olhos, que não eram tão fechados como ele achava, nas fotos (devia pensar que eu era uma asiática...). Até hoje ainda não percebi se aquilo foi um elogio, ou uma desilusão, mas prossigamos.

    Abraçou-me, e soltou um sorriso envergonhado para mim (ao qual eu respondi da mesma moeda). Tínhamos combinado de que o nosso primeiro encontro pessoalmente seria rápido, até porque ele estava no seu intervalo da faculdade, e serviria apenas para nos vermos rapidamente.

    Mas para um encontro tão rápido, tanta coisa correu mal...  Primeiro, começou a chover, e nenhum de nós tinha trazido guarda-chuva. Depois, pisei caca de cão - sim, leram bem, eu fiquei a cheirar a fezes de rafeiro num primeiro encontro. Para tentar melhorar o dia, ofereci-lhe as minhas bolachas favoritas na altura (porque ele estava cheio de fome), e ele vomitou-as de seguida porque as detestou.

    Portanto, quando no final do date, ele apanhou o comboio, eu tinha a certeza absoluta que não voltaria a receber notícias deste homem. Foi quando recebi uma SMS: "Para o próximo encontro ficas-me a dever uma trança " (a sua perdição: raparigas de trança).

    E foi assim a história de como um estranho se tornou 'o gajinho'. Como foram os vossos primeiros encontros? Desafio-vos, a todos os que estiverem a ler, a fazerem um post sobre as vossas experiências também! Quero saber tudo! 

    EDIT: Vejam também o post da Mafalda, que aderiu a este desafio!

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O debate do momento: HBO vs Netflix

 

    Sendo eu uma fã incondicional de séries, já sou uma subscritora da Netflix há uns bons meses. No entanto, o meu amor por ela nunca foi muito fiel, e por isso fui experimentando outras plataformas (PopCorn time, Tugaflix, Mr Piracy...) para ver se encontrava a tal, a plataforma perfeita com que sempre sonhei... - mas até agora nada.

    A meu ver, à Netflix, falta muita variedade, e séries que considere realmente boas (tirando "La Casa de Papel" e uma ou outra, a maioria dos ditos 'sucessos' da Netflix não me atraiem minimamente). E eu sei que me podem achar um pouco esquisita com as séries, e sou mesmo, mas este é apenas o meu ponto de vista.

    Por isso, decidi reunir os prós e contras das duas plataformas, que encontrei num artigo do site NIT, de um ponto de vista muito mais imparcial.

 

  • SÉRIES: As séries originais da HBO foram consideradas melhores, de modo geral ("A Guerra dos Tronos", "True Detective", "Westworld", "Sexo e a Cidade..."), no entanto a Netflix vence pela quantidade - se eles dizem...
  • FILMES: Tanto na Netflix como na HBO, os filmes foram considerados muito bons e até, nalguns casos, repetidos ("Harry Potter", "Mulher Maravilha", "The Conjuring", "Velocidade Furiosa"... são alguns dos filmes presentes em ambas as plataformas);
  • SECÇÃO PARA CRIANÇAS: Também para os mais pequenos, as duas plataformas têm catálogos muito semelhantes (tanto na HBO como na Netflix pode-se ver: "A Porquinha Peppa", "Kong-Fu Panda", "Shrek", etc.). Ambas têm separadores específicos para as crianças acederem a determinados conteúdos, e as duas permitem haver controlo parental. 
  • DOCUMENTÁRIOS: Já nos documentários, o vencedor é claramente a Netflix. A HBO tem apenas 5 séries documentais, enquanto que a Netflix apresenta uma variedade muito maior - e melhor ("Making a Murderer", "The Keepers", "Trump - An American Dream", etc.)!
  • OS DISPOSITIVOS: Tal como a Netflix, a HBO pode ser vista em qualquer smartphone, smart TV, tablet e computador. Contudo, apesar do aparente empate, nalguns dispositivos a app da HBO ainda não está a funcionar corretamente, visto ter sido lançada há muito pouco tempo (e haver ainda correções a fazer).
  • A IMAGEM: A nível da imagem, a Netflix apresenta no plano premium Ultra HD, enquanto que a HBO não apresenta conteúdos 4K. Desta forma, a Netflix sai também vencedora desta categoria.
  • O PREÇO: Na questão do preço, as duas plataformas funcionam de maneira muito diferente. Enquanto que a Netflix tem três planos distintos para quem quiser aderir ao serviço (o mais básico permite ver filmes e séries num só dispositivo de cada vez; o plano standard permite teres acesso à Netflix em dois dispositivos ao mesmo tempo, com conteúdos em HD; e o plano premium dá para quatro dispositivos em simultâneo com HD ou Ultra HD), na HBO só existe um plano. O custo mensal é de 4,99€ e os clientes só podem registar cinco dispositivos diferentes por conta, com duas transmissões em simultâneo. Por isso, apesar de a HBO apresentar melhor preço, é mais limitativo nos dispositivos que são utilizados, já que nas contas da Netflix não há um limite.

    E vocês, são #TeamNetflix, ou #TeamHBO? 

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O dia da lamechice

 

    Já dizia a Cristina Ferreira (e bem!) "O dia dos Namorados é quando os namorados quiserem", tal como o Natal. E é verdade! É só mais um dia para termos desculpa para sermos lamechas.

    Não que haja algum mal nisso. É um dia bonito e tal para celebrar o amor e darmos valor às pessoas que temos à nossa volta, mas...isso não faz com que nos devemos descurar o resto dos dias!

    Cada vez mais me tenho apercebido de uma coisa: há muita expetativa colocada no dia dos Namorados. Ai é a prenda que vamos dar ao namorado/a, ai e o que é que vamos fazer, como é que vamos passar este dia... Eu digo-vos como eu e o gajinho vamos passar o nosso dia: A TRABALHAR!

    Eu estou de volta de papéis e burocracias para poder começar a trabalhar como psicóloga clínica (finalmente!), e ele está lá entretido no meio das suas engenharias. E como ele sai tarde e a más horas, o mais provável é acabarmos por jantarmos no último restaurante que estiver aberto, para "comemorarmos" (que provavelmente irá ser o McDonald's, ou a Telepizza ).

    Não temos nenhuma prenda pensada para oferecer um ao outro, e por cá não há nada de lamechiches de Dia dos Namorados. As rosas morrem demasiado cedo, os chocolates também desaparecem num instante e peluches já eu tenho que cheguem, portanto não acho, muito sinceramente, que algum deles seja um bom representativo deste dia...

    A única coisa que pedi ao gajinho foi para passarmos o próximo fim-de-semana juntos a dar uma voltinha, e por isso sugeri irmos ao jardim zoológico. Já não vou lá há imenso tempo e acaba por ser uma ideia gira para um fim-de-semana. E that's it!  Para mim, é o plano perfeito. Por aí, como vão passar o vosso Dia dos Namorados? 

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#26DomingodeConsultório: O que é o binge eating?

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    Bom domingo a todos! Hoje trago-vos um tema sugerido por uma estimada leitora do blog:

 

"Gostaria de saber porque acontece o binge eating, e estratégias para o combater. Isto porque penso que normalmente as pessoas associam problemas alimentares apenas à anorexia e bulimia, mas não associam o facto de comer como distúrbio."

 

    Tens toda a razão! Muitas vezes este distúrbio passa-nos um bocadinho ao lado, mas é frequente esta ingestão descontrolada da comida, estar, também ela, relacionada com um problema do foro mental.

    O Binge eating, ou o Transtorno de Compulsão Alimentar, define-se pela ingestão de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria, durante um determinado período de tempo. A par do sentimento da falta de controle (não se conseguir parar de comer).

 

PORQUE SURGE?

    Na maior parte das vezes o binge eating surge associado a outro tipo de transtornos/diagnósticos. Como:

  1. Transtorno depressivo: No caso de um episódio depressivo prolongado, tende-se a verificar o aumento da ingestão alimentar, associado muitas vezes à perda de controle que caracteriza um indivíduo com depressão.
  2. Transtorno bipolar: A compulsão e a ingestão desordenada também estão presentes no transtorno bipolar e, tal como a depressão, se se considerar que o indivíduo preenche todos os critérios para o transtorno bipolar, ambos os diagnósticos deverão ser dados.
  3. Transtorno da personalidade borderline: Na perturbação borderline, um dos sintomas frequentes tem a ver com a impulsividade do sujeito que, em muitos casos, pode também originar comportamentos de binge eating.
  4. Ansiedade.

 

COMO COMBATER O BINGE EATING?

    Infelizmente, caso se trate de um caso de Transtorno de Compulsão Alimentar, a situação não está inteiramente dependente da força de vontade do indivíduo. Como pode haver muitos fatores psicológicos por detrás que o indivíduo nem se dê conta (stress, eventos de vida negativos, ansiedade, depressão...), é fundamental existir um apoio psicológico que seja focado nas problemáticas do indivíduo, para poder haver uma recuperação total. Contudo, é muito importante:

  • O apoio da família e amigos, que ajudem o indivíduo a incutir (e manter!) hábitos alimentares saudáveis;
  • A intervenção de um nutricionista. E aqui é fundamental que seja dada uma dieta: agradável para a pessoa em questão, focada nos alimentos que gosta (e nas quantidades indicadas que deve ingeri-los), e que não haja uma restrição alimentar muito grande.
  • Prioritizar alimentos: comer essencialmente alimentos ricos em fibra! Frutas, hortaliças, verduras... deixam-nos mais saciados, e assim ficamos mais tempo sem o sentimento de fome/vazio.
  • Praticar exercício físico. Por muito estranho que possa parecer, praticar exercício físico regularmente traz-nos grandes sensações de prazer e bem-estar, e logo, ajuda a combater a compulsão alimentar.
  • Planear a semana, e arranjar horários certos para comer. Estudos dizem que organizar planos para durante a semana (como atividades que dêem prazer ao indivíduo: pintar, passear, escrever, ler...), e arranjar uma rotina de horários para as refeições traz mais tranquilidade ao indivíduo com compulsão, e diminui os comportamentos de binge eating (muitas vezes provocados pelo jejum prolongado).

    O que acharam do tema de hoje? Têm alguma proposta para o próximo Domingo de Consultório?

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O homicida de Corroios: O que falhou?

 

    Depois de ter lido várias notícias a falar sobre o caso do homicida de Corroios, decidi que tinha que fazer um post sobre o assunto.

    Então, a ver se me informei bem. A ex-mulher deste senhor apresentou, em 2017, uma queixa à PSP contra o ex-companheiro - que a polícia veio, por sua vez, a considerar um caso de violência doméstica, sob a forma de violência psiológica e social. Mais, avaliaram o caso "de risco elevado"! No entanto, ao o enviarem para o Ministério Público, eles apenas abriram um inquérito por crime de coação e ameaça.

    A PSP tinha solicitado que fosse proibida a permanência deste indivíduo na habitação, bem como o contacto com a vítima, e o Ministério Público... nada faz. Quando questionados sobre o porquê de não terem considerado o caso como violência doméstica, eles não dão resposta. E eu pergunto-me: Até quando é que coisas destas vão continuar a acontecer? Até quando é que estas queixas de violência doméstica vão continuar a ser desvalorizadas?

    Para quem não sabe, a violência psicológica, ou emocional, inclui ameaças ao/à companheiro/a, ou aos filhos; ofensas à sua integridade física; humilhações constantes, etc. Já a violência social abrange todos os comportamentos que têm como objetivo controlar a vida social do outro (impedir que ele esteja com os seus familiares, amigos; controlar as pessoas com quem conversa, etc.). E o Ministério Público veio a considerar que isto não são motivos suficientes para afastar este homem da sua ex-mulher e filha? É muito triste...

    Infelizmente, dá-me a impressão de que este tipo de casos só vão deixar de existir quando nós começarmos a ver as doenças mentais, (que apesar de não serem visíveis, são igualmente importantes!), como problemas reais, e que, em casos extremos, podem colocar em risco a vida das pessoas que sofrem delas, e a de todos o que estão à sua volta...

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#25DomingodeConsultório: Serei demasiado independente para ter uma relação?

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    Olá, espero-vos bem! Hoje trago-vos uma questão de uma querida leitora, que me enviou o seguinte:

 

"Tenho uma pessoa que diz gostar muito de mim mas eu não consigo corresponder. Já tentei mas gosto de ter a minha independência, ou seja, gosto de estar com ele de vez em quando e por outro lado gosto de estar sozinha."

 

    Aquilo que entendo da questão é: gostas muito da tua independência, mas tens medo de a perder num relacionamento amoroso, é isso? Se é esse o caso, posso te dar algumas dicas para tentar ultrapassar esse 'medo'.

 

PODE HAVER VÁRIOS MOTIVOS PARA TE SENTIRES ASSIM:

  • Ele não ser "o tal" - que te faz borboletas no estômago. Como dizes "Tenho uma pessoa que diz gostar muito de mim, mas eu não consigo corresponder", talvez porque simplesmente não o sintas de volta, e não porque tens medo de perder a tua independência. Ou porque o que sentes por ele não é o suficiente para quereres assumir uma relação.
  • Tens uma forma de te relacionares mais individualista. Há pessoas que desde muito cedo se tornaram independentes, e por isso habituaram-se à realidade de estarem sós. E o facto de, de repente, aparecer uma pessoa a querer passar o tempo todo com ela, a querer partilhar a mesma casa, e até casar... pode assustar este tipo de indivíduos mais individualistas, e fazê-lo pensar que irá perder a sua liberdade.
  • Tens medo do compromisso. Inconscientemente, podes estar a associar um relacionamento amoroso a uma relação de dependência (com pensamentos como: "Ter um namorado é ter que estar sempre com ele" ou "É ter alguém que me diz o que tenho de fazer..."). Estes pensamentos irracionais podem estar associados a relacionamentos passados que tiveste e que foram controladores, e que sentiste que te estavas a perder: aos teus valores, e sentimentos. Como isso já te aconteceu no passado, podes ter medo que te aconteça novamente. 

 

COMO ULTRAPASSAR ESTE MEDO?

    1. Sermos honestos connosco (e com o parceiro). Se arranjarmos tempo para refletir o que é que queremos, e o que é que nos assusta/preocupa numa relação, vai ser mais fácil entender o que está por detrás desses 'medos'. Qual é o motivo, daqueles referidos acima? É importante perceber que devemos fazer a escolha de estar com alguém com base daquilo que nós temos a oferecer, em vez daquilo que esperamos receber. Ao estarmos numa relação com o objetivo de entender o que é que o outro pode fazer por nós, cria-nos expetativas falhadas e desilusões; devemos antes partir de uma relação em que haja interesse genuíno em ambas as partes.

    2. Estabelecer os "limites" da relação. Depois disso, é fundamental colocarmos os nossos parceiros a par dos nossos limites (físicos, e emocionais): O meu nível de proximidade física contigo é...; O tipo de toque que me deixa confortável numa relação é...; As minhas necessidades emocionais são...; Numa relação, estou disposto a permitir do outro...; As minhas crenças e valores são..., etc. Há que lembrar que o objetivo de um relacionamento não é atender às necessidades da outra pessoa, mas sim estar disposto a respeitá-las.

    3. Arranjar tempo para nós. Como dizes e bem, as pessoas independentes apreciam muito o tempo que passam sozinhas. Não só gostam desse tempo, como precisam! E numa relação, isso não muda. E daí a importância do futuro parceiro respeitar isso. Pedir ao nosso parceiro um tempo para estarmos sozinhos, ou até agendá-lo com antecedência vai ser o ponto-chave numa relação com um indivíduo independente.

 

    É importante relembrar que a única pessoa realmente capaz de nos tirar a nossa independência somos nós próprios, por mais "lamechas" que possa parecer. Estar numa relação não implica deixarmos de ter a nossa independência, e devemos antes encará-la como um plus à nossa vida - que nos complementa algo, e não que nos retira.

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Análise Psicológica: "A Rede"

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    Deu ontem a última parte da reportagem "A Rede" no Jornal da SIC, e para quem acompanhou desse lado, gostava de saber se também ficaram com as mesmas questões 'penduradas', que eu fiquei.

    Pelo que eu percebi, uma mulher dos seus 40 anos fez-se passar por mais do que uma pessoa (perdi a conta ao número de perfis falsos que ela criou) das quais roubou as suas fotos; criou uma história à volta desses personagens - que incluía o aparecimento de cancros, mortes, acidentes de viação, etc., e envolveu uma série de pessoas na 'vida' destes personagens durante 2 anos... Isto é aquilo que se sabe, porque uma grande parte de mim acredita que ela criou (e ainda mantém) muitos mais perfis falsos que ainda não foram descobertos, e que estão - ainda - a prejudicar a vida de muitas pessoas.

    E as minhas questões, que ficaram por esclarecer, são: Quais foram os motivos reais que levaram esta fulana a infernizar a vida destas pessoas (que choravam e sofriam com estas manipulações emocionais constantes)? O que lhe vai acontecer no futuro? Fica livre para "magicar" as mais sofisticadas novelas da vida real? Continua a exercer a sua atividade profissional de professora? E de mãe? Será um pedido de desculpas e meia dúzia de tostões suficientes para pagar todo o desgaste emocional que provocou, em tanta gente?

    Eu posso não ter as respostas, mas tenho algumas sugestões. A minha hipótese é que esta mulher apresenta traços de psicopatia - também chamada por Perturbação Antissocial da Personalidade. Indivíduos com esta patologia apresentam, segundo os critérios do DSM-5, um padrão global de desrespeito e violação dos direitos dos outros, por incapacidade de se conformar com as normas sociais. São conhecidos por serem mentirosos compulsivos, e por usarem nomes falsos e enganar os outros, a fim de obter lucro ou prazer. Têm ações irresponsáveis, desrespeito por si e pelos outros e uma total ausência de remorsos (indiferença por terem magoado ou maltratado alguém).

    Por isso mesmo, achava fundamental que esta mulher fosse avaliada por um técnico de psicologia/psiquiatria, e receber o devido tratamento (seja ele medicamentoso, e/ou de internamento psiquiátrico). A meu ver, não deveria dar mais aulas até obter a devida aprovação pelos técnicos; e os filhos deveriam ser alvo de visitas de um assistente social, até ser comprovado que a mãe não representava um perigo para eles.

    Isto porque, para quem não sabe, a psicopatia é dos distúrbios mentais mais graves do espectro das doenças mentais, e pode também apresentar sinais de agressividade, violência, e comportamentos sexuais exacerbados, o que - como é óbvio - coloca em risco a relação destes indivíduos com os outros...

    Algum de vocês viu a reportagem? Qual é a vossa opinião?

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