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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

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"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

O que acontece quando os psicólogos precisam de acompanhamento psicológico?

    Eu pessoalmente sempre pensei que os psicólogos eram como os super-heróis: o seu super-poder era a capacidade de atenderem 6-8 pacientes por dia, cada um com a sua perturbação mental, e saírem 100% ilesos psicologicamente.

    Mas enganei-me, eles não são super-heróis. Nem eles, nem os médicos, nem ninguém. Porque isto de ser um profissional de saúde, seja de doenças físicas ou psíquicas, tem muito mais que se lhe diga, do que muitos pensam.

    Não estou com isto a querer desvalorizar as outras profissões, pois imagino que cada uma tem o seu quê de stressante, e de desafiante. Mas como por agora só consigo falar da minha experiência, que é conviver diariamente com pessoas com perturbações psicológicas, é desta que hoje me decidi focar.

    Imaginem o que é, terem todos os dias pessoas diferentes a entrar no vosso consultório e desabafar com vocês os aspetos das suas vidas mais pessoais, frágeis, difíceis. Imaginem o que é terem pessoas a passar por lutos, doenças crónicas graves, ataques de ansiedade, separações, divórcios, tentativas de suicídio... diariamente.

    Mesmo que a vida do psicólogo fosse uma maravilha: casamento perfeito; relação ideal com a família, amigos, filhos; óptimo estado de saúde... MESMO assim, qualquer pessoa ficaria, inevitavelmente, afetado pelos testemunhos que ouviu durante o dia. Toda a gente. Porque somos humanos, e por mais que eu tenha ouvido na faculdade imensas vezes a falar sobre 'distanciamento saudável' em relação ao paciente, nunca se consegue evitar totalmente a passagem dessa carga negativa.

    Agora acrescentaremos a isto: uma vida difícil, um momento da vida menos bom, um trabalho stressante, relações complicadas no seu meio social... Como é que é suposto o profissional "aguentar-se" psicologicamente? É inevitável. Todos os psicólogos precisam de um psicólogo, também para ele.

    Por algum motivo ouvi isso durante os meus anos de faculdade, porque é a mais pura da verdade. E provavelmente, a mim, também, chegou a hora de ter um psicólogo. Capaz de me acompanhar nas (des)aventuras da minha profissão, que eu tanto adoro, mas que certamente não consigo enfrentar sozinha.

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