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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

#34DomingodeConsultório: Doença psicossomática - quando a dor emocional afecta o corpo

 
O QUE É?
 
    A doença psicossomática é das que considero mais interessantes de se estudar, pois não é nada mais nada menos, do que a expressão da dor no corpo (wooow, eu sei!). Segundo as teorias psicológicas, quando nós passamos por algum evento de vida stressante/negativo e reprimimos ou ignoramos essas emoções, elas podem-se manifestar no nosso corpo.
    Desta forma, a doença psicossomática costuma aparecer em individuos com altos niveis de stress e ansiedade,  depressão, com traumas, que sofreram de bullying, com ritmos de vida stressante (como no trabalho, etc).
    E só para terem uma noção como o stress emocional é tão importante, ele pode até agravar uma doença já existente, como o caso da diabetes (em indivíduos com predisposição para a doença).
 
 
COMO SE PODE MANIFESTAR?
 
    Esta patologia pode manifestar-se de diferentes formas, e pode afectar quase todas as partes do nosso corpo.
    Algumas das suas manifestações mais frequentes são:
  • Dor no peito, costas ou cabeça.
  • Enxaquecas
  • Suores
  • Tremores
  • Hipertensão
  • Distúrbios intestinais
  • Enjoos
  • Falta de ar
  • Aumento do batimento cardíaco
  • Manchas vermelhas na pele
  • Úlceras
  • Dermatite
  • Impotência Sexual, etc.
 
 
COMO COMBATER?
 
    Cada caso é um caso, e tudo depende da gravidade da sintomatologia da doença.
    No entanto, há ações que podemos tomar para combater e prevenir, este mal:
 
1- Mudar o nosso estilo de vida. Limitar o consumo de cafeína, ter uma dieta equilibrada, evitar alcoól e o tabaco, praticar yoga... ajuda a diminuir a ansiedade e, por conseguinte, a combater os sintomas da doença.
2- Aceitar as nossas emoções, e verbalizá-las - principalmente as emoções negativas (ódio, inveja, mágoa, culpa, frustração, medo.) Pois quando não nos expressamos, o nosso corpo encarrega-se de apresentar o seu próprio discurso, e nem sempre é o mais adequado...
3- Procurar acompanhamento psicológico (algumas das terapias recomendadas são: psicoterapia, terapia cognitivo-comportamental, hipnoterapia, e terapia de grupo) e psiquiátrico, podendo ser necessário a adesão medicamentosa. O acompanhamento irá ajudar a compreender melhor a sintomatologia da doença e a diminuir os seus sintomas; por outro lado a medicação ajuda a melhorar as alterações de humor, e a estabilizar o humor. 
 
    Em suma: Todos nós, em algum momento da nossa vida, somatizamos, em maior ou menor grau, no entanto quando essa somatização é constante, duradora, e interfere fortemente na nossa qualidade de vida, podemos estar perante um quadro de doença psicossomática. E aí é necessário procurar ajuda especializada para que seja feito um tratamento adequado.
 
    Espero que tenham gostado deste Domingo de Consultório! Que temas gostariam que falasse para a próxima semana? 
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A minha experiência com a ansiedade

 

    Tudo começou com a preocupação. Eu preocupo-me com tudo e com mais alguma coisa, e antigamente achava que não passava disso. Não era só preocupação em relação àquilo que eu estava a passar pessoalmente, mas com toda a gente à minha volta. É como se eu sentisse exatamente aquilo que os outros me dizem que estão a sentir, é tão estranho! Por exemplo, se alguém me dizia que estava a passar por uma fase menos boa na sua vida, eu não conseguia parar de pensar nisso, e no quoão mal essa pessoa estava (e no que eu poderia fazer para a ajudar); se sabia de alguém próximo que estava doente a mesma coisa; se estava com alguma incerteza em relação ao meu futuro, também começava a pensar em tudo aquilo que poderia correr mal... Foi aí que a preocupação se tornou em pensamentos obsessivos.

    Tudo coisas que eu achava normais na altura, que poderiam acontecer a toda a gente - e acontecem, até se tornar doentio. Comecei a sentir os sintomas físicos da ansiedade quando comecei a 'trabalhar' oficialmente numa empresa. Vieram as tonturas muito fortes, os batimentos cardíacos acelerados, a garganta seca, e as faltas de ar. Fui à psicóloga, e aquilo que temia aconteceu: disse-me que tinha um quadro de ansiedade generalizada instalado. E tudo passou a fazer sentido. Não era apenas preocupação com tudo e todos, não eram apenas pensamentos simples, mas coisas que precisavam de ser tratadas.

    Hoje em dia continuo a ser acompanhada por ela, que continua a fazer um excelente trabalho, mas isso não significa que a minha ansiedade tenha desaparecido. Nos momentos mais ansiogénicos para mim, ela está sempre presente: quando estou preocupada com algo que a minha família ou os meus amigos estejam a passar (por mais simples que seja, não consigo parar de pensar no pior cenário possível), nas apresentações orais em frente a muita gente, nos momentos tensos em que entro em conflito com alguém, etc. E lá vem a dificuldade em respirar, a cabeça às voltas, os suores frios...

    A diferença é que agora tenho aprendido técnicas de forma a controlar melhor a ansiedade que sinto (ou pelo menos, a evitar que ela aumente):

  • Distrair o meu pensamento, e distanciar-me o melhor  possível do local/momento/indivíduo ansiogénico para mim;
  • Fazer a respiração diafragmática (onde se privilegia a respiração através da elevação do abdómen, ao invés da torácica);
  • Tentar ao máximo racionalizar aquele momento (o que me está a causar este medo/preocupação? o que estou a sentir neste momento? qual o risco do pior cenário acontecer? e o que irá realmente acontecer?)...

    Para além disso, praticar exercícios de relaxamento (onde nos focamos em determinadas parte do nosso corpo e no que estamos a sentir, por exemplo) e de actividade física (pode ir de uma simples caminhada, até sessões mais exigentes no ginásio) nos tempos livres também se revelam óptimas formas de combater a ansiedade...

    Algum de vocês também já passou por momentos de grande ansiedade na vossa vida? E se sim, como lidaram com eles?

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#3 DomingodeConsultório: Ansiedade

 

    Ora boas tardes!! Hoje é domingo, sabem o que isso significa? Isso mesmo, é Domingo de Consultório, o que significa que o nosso consultório está aberto!  

    Hoje tivemos a Emma como convidada ao nosso divã, e ela veio-nos colocar uma pergunta muito interessante, ora vejam só (e obrigada minha querida pela tua questão!):

 

    A Emmablogue13 diz: "Tenho tendência a imaginar sempre as piores situações. Por exemplo, vou no carro e de repente há um barulho estranho eu começo logo a imaginar que vamos bater e/ou morrer. E nem sou uma pessoa negativa, excepto em situações onde pode haver perigo, mas depois passa. A minha questão é: Isto pode vir a provocar-me ataques de asiedade um dia mais tarde, ou outra coisa qualquer?"

 

    Olá Emma! Na minha opinião, há sempre pessoas que, em situações de stress, tendem a imaginar o pior cenário possível. E isso pode não querer dizer nada, pode simplesmente ser a sua forma de pensar. No entanto, depende muito de como te sentes cada vez que tens esse tipo de pensamentos. A ansiedade é sempre seguida de pensamentos frequentes, que originam um mau-estar no corpo muito grande. Caso sintas o coração acelerado, suores frios ou mais dificuldade em respirar nesses momentos, acho que deves consultar um psicólogo para te avaliar de forma mais completa. No entanto, caso não passem de pensamentos momentâneos e não sintas nada daquilo que mencionei anteriormente, não tens razão para te preocupar.

    E por hoje ficamos por aqui! O que acharam do Consultório de hoje? Para terem aqui a vossa questão respondida para a semana só têm que: comentar este post com a vossa questão (em anónimo se não se quiserem expôr, ou com o vosso blog), comentar o post do meu instagram que irá sair sobre o Domingo de Consultório Aberto, OU mandar um e-mail para umacartaforadobaralho@hotmail.com (onde podem, mais uma vez, identificar-se ou não, conforme queiram ou não manter o anonimato). 

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Combater a ansiedade!

    Começa com as palpitações fortes. Vem a angústia no peito, a dificuldade em respirar. E pronto, dêem as boas vindas aos ataques de ansiedade. Seguidos, frequentemente, do choro e sentimentos de tristeza.

    Quando a minha psicóloga me disse que estava a passar por crises de ansiedade que estavam a afetar a minha vida pessoal, a forma como me sinto, e até o meu metabolismo, devo confessar que paniquei um bocadinho.

    Quando disse que se continuasse a este ritmo podia chegar a um esgotamento nervoso, senti-me parada no tempo a ver a minha vidinha a andar para trás. Foi como um "despertar" súbito, duro e frio, para a realidade. E doeu.

    Sabia obviamente que estava mais nervosa do que habitualmente, mais sensível. Agora, parece que levo tudo muito a peito, e a qualquer coisa que sinta como ataque pessoal, desato a chorar (o que não é muito normal...). Tenho dificuldades em adormecer, acordo muitas vezes e sinto que não descanso, e durante o dia parece que entro em 'piloto-automático'. Mas pensava, muito sinceramente, que isto fazia parte do meu cansaço à rotina, e apenas isso.

    Na minha última consulta de psicologia apercebi-me que isto é sério, e que tenho que fazer alguma coisa para mudar. É engraçado quando passas os teus dias a dizer aos outros como melhorar a sua saúde mental, e quando chega a tua vez nem te dás conta que também precisas de melhorar a tua. Quase irónico, até.

    Por isso, a minha psicóloga deu-me 'trabalhos de casa': treinar a respiração diagrafmática (pois pelos vistos a minha respiração está péssima); identificar pensamentos negativos que tenha e corrigi-los (pois muitas vezes estes pensamentos não passam de crenças errada, que não correspondem à verdade, como por ex: "no trabalho, vão me achar incompetente se não fizer isto e isto...") e treinar a minha assertividade (saber dizer que não aos outros quando é necessário, e pensar mais em mim). Parece fácil, não é? Desejam-me sorte... 

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