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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

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#27DomingodeConsultório: Na mente de um psicopata...

 

    Apesar de ser esta a imagem que muitas vezes associamos a um indivíduo psicopata, nem sempre é esta a aparência que as pessoas com esta perturbação da personalidade apresentam (como devem imaginar...).

    Isto porque os psicopatas são mentirosos compulsivos, com tendência a manipular e enganar os outros para obtenção de prazer pessoal, ou lucro; e por isso muito dificilmente demonstram o que realmente são.

    Estas pessoas demonstram facilmente grande irritabilidade e agressividade, o que pode levar à violência física - e por isso os indivíduos psicopatas são protagonistas de muitos dos filmes de terror. Para além disso, eles apresentam muitas dificuldades em adaptar-se às normas sociais, e mantêm uma postura de grande irresponsabilidade na sua conduta. Os seus comportamentos costumam-se reger por um destes: agressão a pessoas e animais; destruição de propriedade, roubo ou grande violação de regras.

    A ausência de remorso, que é tão característico desta perturbação, é marcada pela indiferença ou racionalização em relação a ter ferido, mal-tratado ou roubado alguém.

 

DIAGNÓSTICO

    A psicopatia só pode ser diagnosticada em indivíduos com mais de 18 anos, quando apresentam sintomas de transtorno da conduta antes dos 15 anos.

 

FATORES DE RISCO

    Este transtorno psicológico parece ter uma ligação a indivíduos com baixas condições económicas, que vivem em contextos urbanos.

    A psicopatia é mais frequente em indivíduos que tiveram pais com o mesmo tipo de transtorno (sejam pais biológicos, ou adoptivos - visto a importância dos fatores externos). Também o abuso ou negligência infantil, pais instáveis ou uma disciplina parental inconsistente pode aumentar a probabilidade do transtorno evoluir na idade adulta.

 

TRATAMENTO 

    Visto não haver ainda evidências de um tratamento para a psicopatia eficaz a longo prazo, o seu tratamento é centrado na melhoria dos sintomas a curto prazo. Assim, a forma de tratamento mais comum é a utilização medicamentosa (estabilizadores de humor e antidepressivos), apesar desta nem sempre se revelar 100% eficaz. Estudos revelam que o acompanhamento psicológico é também importante nesta perturbação, contudo, não origina mudanças na sua personalidade, mas ajuda antes a desenvolver maior controle sobre os seus impulsos e maior consciência pelos seus actos.

 

    Espero que tenham gostado deste Domingo de Consultório! Que temas gostariam que falasse para a próxima semana? 

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#26DomingodeConsultório: O que é o binge eating?

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    Bom domingo a todos! Hoje trago-vos um tema sugerido por uma estimada leitora do blog:

 

"Gostaria de saber porque acontece o binge eating, e estratégias para o combater. Isto porque penso que normalmente as pessoas associam problemas alimentares apenas à anorexia e bulimia, mas não associam o facto de comer como distúrbio."

 

    Tens toda a razão! Muitas vezes este distúrbio passa-nos um bocadinho ao lado, mas é frequente esta ingestão descontrolada da comida, estar, também ela, relacionada com um problema do foro mental.

    O Binge eating, ou o Transtorno de Compulsão Alimentar, define-se pela ingestão de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria, durante um determinado período de tempo. A par do sentimento da falta de controle (não se conseguir parar de comer).

 

PORQUE SURGE?

    Na maior parte das vezes o binge eating surge associado a outro tipo de transtornos/diagnósticos. Como:

  1. Transtorno depressivo: No caso de um episódio depressivo prolongado, tende-se a verificar o aumento da ingestão alimentar, associado muitas vezes à perda de controle que caracteriza um indivíduo com depressão.
  2. Transtorno bipolar: A compulsão e a ingestão desordenada também estão presentes no transtorno bipolar e, tal como a depressão, se se considerar que o indivíduo preenche todos os critérios para o transtorno bipolar, ambos os diagnósticos deverão ser dados.
  3. Transtorno da personalidade borderline: Na perturbação borderline, um dos sintomas frequentes tem a ver com a impulsividade do sujeito que, em muitos casos, pode também originar comportamentos de binge eating.
  4. Ansiedade.

 

COMO COMBATER O BINGE EATING?

    Infelizmente, caso se trate de um caso de Transtorno de Compulsão Alimentar, a situação não está inteiramente dependente da força de vontade do indivíduo. Como pode haver muitos fatores psicológicos por detrás que o indivíduo nem se dê conta (stress, eventos de vida negativos, ansiedade, depressão...), é fundamental existir um apoio psicológico que seja focado nas problemáticas do indivíduo, para poder haver uma recuperação total. Contudo, é muito importante:

  • O apoio da família e amigos, que ajudem o indivíduo a incutir (e manter!) hábitos alimentares saudáveis;
  • A intervenção de um nutricionista. E aqui é fundamental que seja dada uma dieta: agradável para a pessoa em questão, focada nos alimentos que gosta (e nas quantidades indicadas que deve ingeri-los), e que não haja uma restrição alimentar muito grande.
  • Prioritizar alimentos: comer essencialmente alimentos ricos em fibra! Frutas, hortaliças, verduras... deixam-nos mais saciados, e assim ficamos mais tempo sem o sentimento de fome/vazio.
  • Praticar exercício físico. Por muito estranho que possa parecer, praticar exercício físico regularmente traz-nos grandes sensações de prazer e bem-estar, e logo, ajuda a combater a compulsão alimentar.
  • Planear a semana, e arranjar horários certos para comer. Estudos dizem que organizar planos para durante a semana (como atividades que dêem prazer ao indivíduo: pintar, passear, escrever, ler...), e arranjar uma rotina de horários para as refeições traz mais tranquilidade ao indivíduo com compulsão, e diminui os comportamentos de binge eating (muitas vezes provocados pelo jejum prolongado).

    O que acharam do tema de hoje? Têm alguma proposta para o próximo Domingo de Consultório?

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#25DomingodeConsultório: Serei demasiado independente para ter uma relação?

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    Olá, espero-vos bem! Hoje trago-vos uma questão de uma querida leitora, que me enviou o seguinte:

 

"Tenho uma pessoa que diz gostar muito de mim mas eu não consigo corresponder. Já tentei mas gosto de ter a minha independência, ou seja, gosto de estar com ele de vez em quando e por outro lado gosto de estar sozinha."

 

    Aquilo que entendo da questão é: gostas muito da tua independência, mas tens medo de a perder num relacionamento amoroso, é isso? Se é esse o caso, posso te dar algumas dicas para tentar ultrapassar esse 'medo'.

 

PODE HAVER VÁRIOS MOTIVOS PARA TE SENTIRES ASSIM:

  • Ele não ser "o tal" - que te faz borboletas no estômago. Como dizes "Tenho uma pessoa que diz gostar muito de mim, mas eu não consigo corresponder", talvez porque simplesmente não o sintas de volta, e não porque tens medo de perder a tua independência. Ou porque o que sentes por ele não é o suficiente para quereres assumir uma relação.
  • Tens uma forma de te relacionares mais individualista. Há pessoas que desde muito cedo se tornaram independentes, e por isso habituaram-se à realidade de estarem sós. E o facto de, de repente, aparecer uma pessoa a querer passar o tempo todo com ela, a querer partilhar a mesma casa, e até casar... pode assustar este tipo de indivíduos mais individualistas, e fazê-lo pensar que irá perder a sua liberdade.
  • Tens medo do compromisso. Inconscientemente, podes estar a associar um relacionamento amoroso a uma relação de dependência (com pensamentos como: "Ter um namorado é ter que estar sempre com ele" ou "É ter alguém que me diz o que tenho de fazer..."). Estes pensamentos irracionais podem estar associados a relacionamentos passados que tiveste e que foram controladores, e que sentiste que te estavas a perder: aos teus valores, e sentimentos. Como isso já te aconteceu no passado, podes ter medo que te aconteça novamente. 

 

COMO ULTRAPASSAR ESTE MEDO?

    1. Sermos honestos connosco (e com o parceiro). Se arranjarmos tempo para refletir o que é que queremos, e o que é que nos assusta/preocupa numa relação, vai ser mais fácil entender o que está por detrás desses 'medos'. Qual é o motivo, daqueles referidos acima? É importante perceber que devemos fazer a escolha de estar com alguém com base daquilo que nós temos a oferecer, em vez daquilo que esperamos receber. Ao estarmos numa relação com o objetivo de entender o que é que o outro pode fazer por nós, cria-nos expetativas falhadas e desilusões; devemos antes partir de uma relação em que haja interesse genuíno em ambas as partes.

    2. Estabelecer os "limites" da relação. Depois disso, é fundamental colocarmos os nossos parceiros a par dos nossos limites (físicos, e emocionais): O meu nível de proximidade física contigo é...; O tipo de toque que me deixa confortável numa relação é...; As minhas necessidades emocionais são...; Numa relação, estou disposto a permitir do outro...; As minhas crenças e valores são..., etc. Há que lembrar que o objetivo de um relacionamento não é atender às necessidades da outra pessoa, mas sim estar disposto a respeitá-las.

    3. Arranjar tempo para nós. Como dizes e bem, as pessoas independentes apreciam muito o tempo que passam sozinhas. Não só gostam desse tempo, como precisam! E numa relação, isso não muda. E daí a importância do futuro parceiro respeitar isso. Pedir ao nosso parceiro um tempo para estarmos sozinhos, ou até agendá-lo com antecedência vai ser o ponto-chave numa relação com um indivíduo independente.

 

    É importante relembrar que a única pessoa realmente capaz de nos tirar a nossa independência somos nós próprios, por mais "lamechas" que possa parecer. Estar numa relação não implica deixarmos de ter a nossa independência, e devemos antes encará-la como um plus à nossa vida - que nos complementa algo, e não que nos retira.

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#24DomingodeConsultório: Porque me sinto tão só?

 

    Há dias estava a ler um artigo de psicologia, cujo tema achei tão interessante, que resolvi partilhar convosco. O artigo dava conta de algo que não é realmente novidade para ninguém: A solidão é, atualmente, um dos grandes males da sociedade. Mas como é que, com os meios de comunicação social cada vez mais acessíveis - que nos facilitam ligações aos outros quase instantâneas -, nos sentimos cada vez mais "desligados" do mundo (e de nós)?

    A meu ver, esta facilidade em aceder à realidade de outras pessoas leva-nos a criar representações ilusórias acerca da sua vida, e consequentemente, a criarmos sentimentos de inveja, tristeza, desilusão... Por isso é certo que o tempo que gastamos online vai definitivamente ser "descontado" no (nosso) mundo real. Agora a questão é: Como podemos nós deixar de nos sentir sós/isolados?

 

1) Focarmo-nos no aqui e agora. Já vos disse que a causa da depressão são os nossos pensamentos à volta do passado? E que a causa da ansiedade é a nossa preocupação com o futuro? Posto isto, escusado será dizer que só em raros momentos é que nós estamos realmente focados no momento presente (que é o único espaço onde realmente estamos a viver)... não é estranho?! Ao nos darmos conta disto, já vai ser mais fácil para a próxima vez não nos dispersarmos tão facilmente.

2) Valorizarmo-nos. Quando vivemos revoltados com a imagem que temos, mais facilmente nos sentimos desligados de tudo e de todos, principalmente de nós próprios. O nosso corpo é único e belo, e devemos valorizá-lo da melhor maneira possível. Nós somos suficientes, exatamente como somos. O nosso valor é-nos inerente, não precisamos dos reconhecimentos de outros. E todos aqueles pensamentos que dizem o contrário são fruto da nossa mente, e dos nossos pensamentos negativos. 

3) Diminuir o sentimento de "perfeccionismo". O perfeccionismo é aquilo que mais nos afasta da realidade, pois coloca-nos numa expetativa tão alta (e  ilusória), que ao invés de servir de motivador para a ação, apenas nos causa ansiedade e stress acrescido. Quantas vezes dizemos para nós "Devia ter feito isto, sido o melhor naquilo..." em vez de dizermos simplesmente "Fiz isto."

4) Definir prioridades. O tempo é um dos nossos maiores bens, e para usá-lo da melhor forma é fundamental distinguir o que é uma prioridade na nossa vida. Se começarmos o dia a fazer algo que é importante para nós, mais rapidamente temos energia para outras tarefas do dia-a-dia.

5) Desligarmo-nos das tecnologias! Quanto tempo por dia gastamos nestes aparelhos tecnológicos? Provavelmente a nossa resposta é sempre a mesma "Mais do que devíamos", mas e se passassemos a controlar melhor as horas gastas neles? Às vezes, por causa do nosso emprego, é inevitável não estar algum tempo ao computador, ou atender uma chamada de telemóvel urgente... mas será sempre este o caso? Substituir esse tempo pela leitura de um bom livro, um passeio ao ar livre, uma boa sesta, a prática de meditação... são sempre excelentes ideias!

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#20DomingodeConsultório: A Psicologia faz match entre as pessoas?

    Bom domingo a todos! Baseado num comentário que recebi ontem no post que fiz sobre a Eliana dos Casados, hoje resolvi falar-vos um bocadinho sobre testes psicológicos, e de como é feito esta "compatibilidade" entre os casais.

    A verdade é que na psicologia não existem testes psicológicos para avaliar a compatibilidade entre duas pessoas! Aliás, a própria Ordem dos Psicólogos Portugueses, considera este "matching" de pessoas "uma aldrabice". Existem sim testes para avaliar o tipo de personalidade e temperamento da pessoa, que avaliam traços de personalidade como a extroversão, a vertente emocional, o espírito de aventura, etc.; podendo-se daí observar características comuns que as pessoas apresentam entre si.

    O que deduzo que aconteça no caso dos "Casados à primeira vista" é que os especialistas, com a informação que recolhem destes testes, definem um potencial de comportamento  da forma como acham que as pessoas se vão comportar na experiência, e com base nisso falam na suposta compatibilidade/ "matches".

    A meu ver, parece-me que uniram casais com personalidades muito díspares, com o objetivo de cada um conseguir encontrar um 'equilíbrio' saudável, que desse espaço para crescerem os dois enquanto pessoas.
    Por exemplo, no caso da Eliana - e visto a sua grande carência emocional - procuraram uma pessoa que lhe desse a atenção e o amor que precisa; por outro lado, deram ao Dave uma pessoa com mais disciplina e organização - que por sua vez tende a faltar na sua personalidade visto ter um temperamento mais calmo e descontraído.

    O mesmo acontece no caso da Ana (considerada um "espírito livre") e do Hugo (com um carácter mais dependente e possessivo); da Graça (com uma personalidade mais liberal) e do José Luís (com um temperamento mais conservador), etc.

    O problema é que, ao seguirem este critério para juntar os casais, têm apenas em conta o seu perfil de personalidade; e esquecem-se que na prática nem tudo funciona assim tão bem, os comportamentos das pessoas são tudo menos previsíveis, e nem sempre "os opostos atraem-se" tal como diz o ditado...  

    Qual é a vossa opinião? O que acham dos critérios para fazer "match"?

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#19DomingodeConsultório: Tenho depressão...

 

    Num dos últimos domingos de Consultório falei-vos de pessoas negativas, e de como lidar com elas da melhor maneira. Nesse post, o Nuno deu-me uma óptima ideia para um próximo tema "Como pode alguém que está nessa espiral negativa deixar de ser uma pessoa negativa?"

    Visto grande parte das pessoas negativas estarem, elas próprias, com uma sintomatologia depressiva, resolvi por isso hoje falar-vos da depressão.

 

    Existem vários estados da depressão, sendo uns mais graves que outros. De forma geral, a depressão define-se por uma perturbação psicológica que causa profunda tristeza e sensações de "vazio" durante um grande período de tempo, pessimismo, diminuição do prazer nas atividades quotidianas, insónias, perda de energia, dificuldades de concentração, grande agitação, e até ideias de morte e suicídio frequentes.

 

Como sair da Depressão?

 

  1. Procurar acompanhamento psicológico/psiquiátrico. Em primeiro lugar, se conhecem alguém que tem experienciado, ou se têm tido este tipo de sintomas ultimamente, aconselho vivamente o reencaminhamento psicológico, ou psiquiátrico (nos casos de depressão grave, a toma de medicamentos é fundamental para que a intervenção seja eficaz).
  2. Aceitar quem somos, e o que sentimos. Substituir a ideia de "Eu sou uma pessoa depressiva" por "Eu sou uma pessoa, que calha a ter depressão. A depressão não faz de mim quem eu sou." Aceitar que os nossos sentimentos são válidos, e que se temos um dia menos bom, é normal termos sentimentos mais negativos. No entanto, temos de tomar estas emoções como passageiras, e que tão depressa vêem como vão (as emoções de hoje não pertencem ao amanhã).
  3. Registar as mudanças de humor. Manter um diário ou mesmo um blog onde falamos sobre o que sentimos (o que correu bem/ e o que correu menos bem no dia de hoje, por ex) vai ajudar-nos a ter a perspetiva de que as nossas emoções não são permanentes, tal como o nosso estado depressivo não é.
  4. Manter boas relações sociais. É fundamental rodearmo-nos de pessoas positivas (amigos, familiares...), com quem possamos desabafar e passar bons momentos.
  5. Definir (pequenos) objetivos e recompensarmo-nos. A depressão leva-nos muitas vezes a sentir desmotivados e com a sensação de não termos feito nada durante o dia, definir pequenos objetivos é por isso fundamental para nos sentirmos melhor. Coisas como "fazer o almoço" ou "mudar os lençóis da cama" são exemplos de objetivos diários que nos podemos comprometer a fazer.
  6. Criar rotinas. Para além disso, esta doença tende a desorganizar completamente os nossos dias, visto que eles passam a ser todos iguais uns aos outros. Criar hábitos de rotinas pode facilitar a sair da "espiral negativa" (ex: às 9h vou acordar e tomar o pequeno-almoço, às 10h vou fazer exercício, às 11h aproveito para dar um passeio de meia-hora antes do almoço...)
  7. Ter comportamentos saudáveis. Desafiarmo-nos a ter e desenvolver hábitos saudáveis é fundamental para lidar com a depressão: fazer uma alimentação saudável, praticar exercício físico, dormir pelo menos 8h/noite, praticar meditação, sair de casa, visitar um museu, aprender uma língua,etc.
  8. Responsabilizarmo-nos. Manter um estilo de vida com alguma responsabilidade pode ajudar a combater a depressão. Seja a nossa preocupação com a nossa prestação na escola, no trabalho ou até o facto de fazer voluntariado, traz-nos grandes sentimentos de realização.
  9. Reconhecer a "voz negativa" e desafiar pensamentos negativos. Muito do "trabalho" para combater a depressão tem a ver com os nossos pensamentos e a forma como encaramos a vida. A próxima vez que sentirmos chegar uma crença mais negativa sobre nós, - por ex: ninguém gosta de mim, estou sozinho/a -, devemos tentar desafiar aquilo que estamos a pensar, e reestruturar o nosso pensamento: Será mesmo verdade aquilo que penso? Que evidências eu tenho para pensar desta forma? Não será este mais um pensamento causado pela depressão?
  10. Experimentar algo novo. Está cientificamente comprovado que ao experimentarmos algo novo (fazer uma receita nova, ler um livro, passearmos a um lugar desconhecido) aumenta a dopamina no cérebro, químico que é responsável pela libertação de prazer e alegria. 

    Por último, se conhecerem alguém que tem pensamentos suicidas recorrentes, contactem por favor a linha de apoio à prevenção de suicídio SOS Voz Amiga para que vos possam ajudar: 21 354 45 45, 91 280 26 69 e 96 352 46 60.

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#18DomingodeConsultório: Dificuldade em mudar, eu?

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    Bom domingo a todos, espero-vos bem! Como passou este fim-de-semana? Na mesma, ou houve mudança de planos? É que nem de propósito, esse é o tema do consutório de hoje!

    Hoje quero agradecer ao Rapaz Secreto, que me propôs o seguinte: "julgo que abordar a dificuldade e resistência face às mudanças pode ser interessante!"

 

Porque temos medo de mudar?

  • Não sabemos o que nos reserva o futuro. A incerteza dá connosco em DOIDOS!
  • Temos medo de falhar. Quando nos tornamos demasiado perfeccionistas, o nosso medo de falhar e de algo correr menos bem leva-nos a evitar mudanças, de todo.
  • Temos dificuldade em seguir em frente (e temos uma visão negativa acerca da realidade). Quando algo corre menos bem, seja uma relação complicada, ou um trabalho mais tóxico, temos dificuldade em nos libertar desses momentos.

 

Como nos adaptarmos à mudança?

  1. Aceitar o passado. Quando aceitarmos que tudo tem um final, - e que esse fim, permite-nos iniciar um novo capítulo das nossas vidas, - conseguimos finalmente viver em paz. O final de uma fase da nossa vida não é algo obrigatoriamente mau, mas antes algo necessário para vir algo novo, e para nos dar espaço a novas experiências.
  2. Tomar consciência das nossas escolhas. Em vez de direccionarmos a nossa atenção para as nossas (falsas) expetativas que vêem com esta mudança, devemos antes focarmo-nos naquilo que conseguimos controlar.
  3. Aceitar que somos imperfeitos. Este é um passo dificílimo. Nem sempre iremos ter sucesso na vida, e não há problema, basta começarmos de novo! Devemos aceitar que errar é natural, e que vamos ter muito mais oportunidades para que as coisas corram melhor. Devemos também aceitar a imperfeição dos outros, e compreender que não podemos controlá-los.
  4. Praticar a mudança. Não diz o ditado "A prática leva à perfeição?!". Porque não começar a fazer pequenas mudanças no nosso dia-a-dia, que metam em causa a nossa zona de conforto? Inscrevermo-nos num hobbie que não é a nossa praia, irmos passear a sítios novos, conhecer gente nova...
  5. Evitar antecipações. Nós tememos aquilo que desconhecemos, contudo, grande parte das surpresas da vida tornam-se óptimas recordações. É irrealista pensarmos que conseguiremos controlar todos os aspetos da nossa vida. Se preocuparmo-nos em estarmos felizes no presente, não teremos espaço para ter medo de nada. 

 

(Relembro que, se estão a gostar dos Consultórios cá do blog, e gostariam de ver mais, seria muito importante que me apoiassem e votassem aqui na Carta, na secção Saúde, AQUI! Obrigada! ♥)

 

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Dicas para lidar com o stress no trabalho

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    Boas tardes! Hoje venho-vos falar de um tema tão importante nos dias de hoje, sugerido pelo nosso Nuno, que me perguntou por "conselhos que tens para lidar com o stress laboral".

 

    É tão importante falarmos em como lidar com o stress no trabalho, até porque segundo um artigo recente do Diário de Notícias, 1 em cada 3 trabalhadores corre risco de Burnout (esgotamento e exaustão emocional, que afeta os trabalhadores física e psicologicamente).

    Primeiro, é importante tentar perceber quais são os elementos stressantes no local de trabalho, e só depois tentar contorná-los. Os mais comuns são: conflitos com outros trabalhadores, a desorganização, o multi-tasking (realizar várias tarefas em simultâneo) e a posição de desconforto (ex: estar todo o dia sentado).

 

  • Prioritizar e organizar : Fazer uma lista das tarefas urgentes (que têm de ser feitas até ao dia seguinte), as tarefas semi-urgentes (que podem ser feitas até a 2/3 dias), e só por fim as menos importantes. Esta lista vai nos organizar para o resto da semana, e ajuda-nos a priorizar o que tem de ser feito naquele dia e o que pode ficar para depois. Começar pelas tarefas mais desagradáveis também nos ajuda a despachá-las mais rápido, e o resto do dia a ser mais produtivo. 
  • Ser realista : Devemos ter cuidado para não nos comprometer em demasiadas tarefas, e pedir ajuda a alguém, caso necessário. Colocar também prazos realistas para os trabalhos que estamos a realizar. Devemos ter plena noção daquilo que está, e não está, ao nosso controle (como o comportamento dos outros, que não está ao nosso controle; ao invés de stressarmos, devemo-nos focar naquilo que devemos realmente fazer). E também focarmo-nos em pensamentos positivos, bem como evitar colegas de trabalho mais negativos.
  • Arranjar tempo de descanso/Fazer pausas : Em praticamente todos os trabalhos é possível fazer a pausa dos lanches (manhã/tarde), e do almoço, porque não aproveitar para sair um pouco da área de trabalho? Sair da nossa secretária - por exemplo - todos os dias, por uns 15 minutos, a fim de lanchar e descansar, faz melhorias significativas no rendimento dos trabalhadores.
  • Alimentação cuidada e Sono em dia : Deve-se consumir alimentos que diminuiam o stress (laranja, abacate, amêndoa...) e evitar o consumo exagerado da cafeína. Manter boas noites de sono, e praticar exercício físico regularmente (ex: de vez em quando, em vez de apanhar transportes, ir a pé até ao trabalho - ou estacionar o carro um pouco mais longe) também ajuda a combater o stress.
  • Ter em mente o propósito/objetivo do trabalho : Focarmo-nos no propósito do nosso trabalho, e aquilo que nos satisfaz nele (nem que seja apenas o bom ambiente com os restantes trabalhadores) ajuda-nos a manter motivados para aquilo que estamos a fazer.
  • Construir uma rede de suporte : É importante poder contar, e desabafar, com amigos, familiares e até colegas de trabalho (com vista a manter um bom ambiente no trabalho) sobre o seu dia.

    Espero que vos tenha sido útil! Desejo-vos uma óptima sexta-feira, e um fim-de-semana ainda melhor!

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Como lidar com pessoas negativas?

 

    Visto ter havido várias questões para os próximos Domingos de Consultório (MUITO obrigada a todos, do fundo do ), resolvi prolongar os consultórios ao resto desta semana! Espero que gostem!

 

    Hoje a minha querida Sofia, pergunta "Que conselhos dás às pessoas que estão rodeadas de pessoas negativas e deixam-se entrar na sua energia negativa?"

 

    Ora bem, o conselho mais rápido e prático de dar é: afastem-se de pessoas negativas! Mas sei que, por variados motivos, nem sempre é possível. Portanto, antes de mais aconselhava a:

 

1º Identificar as pessoas negativas e tentar compreender as causas da sua negatividade: A pessoa em causa é realmente negativa, ou apenas está num "dia não"? De modo geral, a negatividade das pessoas tem por base o medo - de serem desrespeitados, de não serem amados ou o medo de lhes acontecer algo mau. Isto porque as pessoas sentem que foram constantemente magoadas e desiludidas na sua vida, e por isso, tendem a projetar essa 'raiva' (em forma de pessimismo) de duas formas: para si mesmas, ou para os outros, como forma de se proteger. 

 

2º Ter compaixão por ela: Evitar dar feedback negativo acerca da sua negatividade ou "sermões", pois a pessoa negativa, como referido acima, é uma pessoa magoada e vai interpretar isto como outra rejeição que teve na sua vida (e aumentar a negatividade). Ao invés disso, seja paciente e não reaja aos seus comentários negativos. Deve manter este pensamento presente: "Eu estou a conviver com esta pessoa negativa neste momento presente, mas ela está constantemente a conviver com esta sua negatividade toda! Esta negatividade não é projetada a mim em específico, tem a ver com a sua história de vida"

 

3º Tentar ajudá-la: Ocasionalmente, surprêende-la e fazer algo generoso por ela (ex: elogia-la por algo que fez bem), ouvi-la, e tentar compreender o que sente. Ela aos poucos vai-se aperceber que não há razão para ver o mundo de forma tão negativa. Devemos manifestar comportamentos positivos com ela, e mostrarmo-nos seguros do que somos e do que fazemos. 

 

4 º Protegermo-nos: Claro que isto não significa que, de vez em quando, essa pessoa não terá um ou outro comentário menos desencorajador para nos dar (ex: "não sei porque vais tentar, não irás conseguir"), mas nesse caso devemos responder-lhe calmamente, de forma assertiva (ex: "se eu nunca tentar, não saberei" ou "eu vou arriscar porque prefiro tentar, depois logo se vê"). Devemos evitar ao máximo sermos "arrastados" para a sua negatividade. O truque é dar respostas curtas, neutras e direta, sem dar azos para muita discussão do assunto.

 

⚠: No entanto, nem sempre isto é possível, e por isso pode mesmo ser necessário tirar algum tempo longe da pessoa negativa, a fim de preservamos a nossa auto-estima!

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#17DomingodeConsultório: Como lidar com a pressão?

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    Diariamente somos pressionados pelas exigências dos outros (no trabalho, na família, nos relacionamentos...), e até de nós próprios! Temos, ou têm, determinadas expetativas sobre nós, e por isso começamo-nos a sentir "cobrados". Uma certa pressão psicológica é natural, e faz parte, pois ajuda-nos a evoluir e a querer avançar, no entanto, quando esta se torna excessiva, causa-nos altos níveis de stress e um grande desgaste emocional (podendo mesmo originar insónias ou doenças intestinais; e levar a comportamentos agressivos e autodestrutivos).

    Hoje resolvi dar-vos dicas úteis, para porem em prática, cada vez que vos sentirem prestes a "rebentar a bolha" (ou melhor ainda: muito antes disso!).

 

1º Evitar acumular emoções negativas: A maioria das pessoas não faz ideia da quantidade de sentimentos negativos que acumula dentro de si. Sejam os stresses com os patrões, as discussões em casa, maus-dias uns atrás dos outros, etc. Tudo isto tende a ficar "armazenado" dentro de nós, pronto para fazer-nos saltar a tampa, mais dia menos dia. 

2º Diminuir a pressão: Estudos sugerem que, quando os indivíduos sentem que têm vários trabalhos/exigências pendentes, devem começar por realizar as tarefas mais fáceis e rápidas de se fazer, para depois passarem as seguintes. Ao realizar pequenas tarefas, tendemos a sentirmo-nos mais capazes e motivados para as próximas, mais complicadas. Para além disso, comunicar abertamente, com alguém de confiança, sobre o tipo de pressões que temos neste momento e que nos preocupa, ajuda também a aliviar a sua carga emocional negativa.

3º Arranjar estratégias para se proteger: Dependente da quantidade de pressão psicológica que o indivíduo tem acumulada, assim é o tempo que ele demora a se libertar dela. Caso esta pressão comece a afetar-nos física e psicologicamente é necessário atuar depressa. Os psicólogos recomendam várias atividades para nos protegermos contra ela: praticar meditação e exercícios de mindfullness, fazer yoga, passear ao ar livre, ler, arranjar um hobby, praticar exercício físico/um desporto, descansar e fazer sestas, conversar com amigos e pessoas positivas, e mesmo procurar um psicólogo, caso assim seja necessário.

    E por hoje é tudo! O que acharam do post? Têm alguma questão para a próxima semana que gostariam de ser respondida?

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