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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

#35DomingodeConsultório: Depressão sazonal - mito ou realidade?

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    Bom domingo a todos! Hoje trago-vos um tema sugerido pela nossa querida Nala:

"Podias falar sobre alterações de humor ligados à mudança de estação. Não sei se há algo cientifico que possa ser dito mas interessar-me-ia."

 

    Há sim, e desde já agradeço pelo óptimo tema.

    Na verdade, falamos de Depressão Sazonal quando um indivíduo passa por um conjunto de alterações de humor, nomeadamente episódios mais depressivos, numa determinada estação (sendo mais frequente no Outono, ou Inverno). Estes sintomas tendem, por isso, a começar e a terminar sempre na mesma altura do ano.

 

QUANDO DISTINGUIR UMA DEPRESSÃO SAZONAL DE UM EPISÓDIO DE TRISTEZA LIGEIRO?

    É normal existirem dias em que nos sentimos mais em baixo do que outros, por eventos de vida que passámos mais negativos e/ou stressantes, mas se sentirmos que a maior parte dos nossos dias sentimo-nos tristes e desmotivados para as atividades do dia-a-dia, pode ser necessário consultarmos um técnico de saúde mental.

 

Indivíduos diagnosticados com depressão sazonal têm, frequentemente:

  1. Tristeza e humor deprimidos (praticamente todos os dias);
  2. Ansiedade e pensamentos ruminantes (sobre os mais variados temas);
  3. Dores de cabeça;
  4.  Hipersonia – distúrbio de sono que se caracteriza por uma sonolência excessiva durante o dia ou sono prolongado à noite;
  5. Hiperfadiga – que se caracteriza por uma falta de energia, e cansaço físico e psicológico -, ou grande agitação psicomotora;
  6. Problemas de concentração;
  7. Aumento do apetite;
  8. E, em casos extremos, existência de pensamentos acerca da morte, e suicídio.

 

    Para além disso, para ser considerada depressão sazonal, deve haver sintomatologia depressiva durante um período de pelo menos 2 anos, e sem a presença de episódios depressivos durante outra altura do ano (para não confundir com uma depressão major, ou crónica). Também é importante distinguir uma depressão sazonal com um episódio depressivo associado a outros factores psicossociais externos, como o recomeço das aulas, ou atividade laboral.

 

TEM CURA?

A boa notícia é que a depressão sazonal é curável, e há várias ações que se pode tomar para combatê-la:

  • Sair e fazer caminhadas durante o dia. Visto a depressão sazonal estar relacionada com a diminuição de serotonina e melatonina (que acontece devido ao efeito que a luz tem sobre alguns dos nossos sistemas de neurotransmissores), os especialistas de saúde mental aconselham a sair durante o dia, para melhorar o estado de espírito e mantermo-nos ativos.
  • Também uma prática regular de exercício físico ajuda a estabilizar os estados emocionais, e a combater a depressão (o ideal é fazer 2x/semana, durante meia-hora).
  • Para além disso, é recomendada uma alimentação rica em peixe e marisco, que têm grandes quantidades de ácidos gordos de omega-3, e que por isso ajudam a melhorar o funcionamento do cérebro.

 

    No entanto, os psicólogos alertam para a necessidade de reconhecer os primeiros sintomas, e procurar ajuda psicológica. Tal como nos outros tipos de depressão, a depressão sazonal funciona muito bem com a intervenção cognitivo-comportamental, que ajuda a trabalhar os pensamentos negativos que ocorrem nessa altura do ano, e a desenvolver comportamentos mais adaptados para a pessoa. Se necessário, pode também ser recomendado a adesão medicamentosa (nomeadamente a prescrição de antidepressivos).

 

    E por hoje é tudo! Espero que este Domingo de Consultório vos tenha sido útil 

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#19DomingodeConsultório: Tenho depressão...

 

    Num dos últimos domingos de Consultório falei-vos de pessoas negativas, e de como lidar com elas da melhor maneira. Nesse post, o Nuno deu-me uma óptima ideia para um próximo tema "Como pode alguém que está nessa espiral negativa deixar de ser uma pessoa negativa?"

    Visto grande parte das pessoas negativas estarem, elas próprias, com uma sintomatologia depressiva, resolvi por isso hoje falar-vos da depressão.

 

    Existem vários estados da depressão, sendo uns mais graves que outros. De forma geral, a depressão define-se por uma perturbação psicológica que causa profunda tristeza e sensações de "vazio" durante um grande período de tempo, pessimismo, diminuição do prazer nas atividades quotidianas, insónias, perda de energia, dificuldades de concentração, grande agitação, e até ideias de morte e suicídio frequentes.

 

Como sair da Depressão?

 

  1. Procurar acompanhamento psicológico/psiquiátrico. Em primeiro lugar, se conhecem alguém que tem experienciado, ou se têm tido este tipo de sintomas ultimamente, aconselho vivamente o reencaminhamento psicológico, ou psiquiátrico (nos casos de depressão grave, a toma de medicamentos é fundamental para que a intervenção seja eficaz).
  2. Aceitar quem somos, e o que sentimos. Substituir a ideia de "Eu sou uma pessoa depressiva" por "Eu sou uma pessoa, que calha a ter depressão. A depressão não faz de mim quem eu sou." Aceitar que os nossos sentimentos são válidos, e que se temos um dia menos bom, é normal termos sentimentos mais negativos. No entanto, temos de tomar estas emoções como passageiras, e que tão depressa vêem como vão (as emoções de hoje não pertencem ao amanhã).
  3. Registar as mudanças de humor. Manter um diário ou mesmo um blog onde falamos sobre o que sentimos (o que correu bem/ e o que correu menos bem no dia de hoje, por ex) vai ajudar-nos a ter a perspetiva de que as nossas emoções não são permanentes, tal como o nosso estado depressivo não é.
  4. Manter boas relações sociais. É fundamental rodearmo-nos de pessoas positivas (amigos, familiares...), com quem possamos desabafar e passar bons momentos.
  5. Definir (pequenos) objetivos e recompensarmo-nos. A depressão leva-nos muitas vezes a sentir desmotivados e com a sensação de não termos feito nada durante o dia, definir pequenos objetivos é por isso fundamental para nos sentirmos melhor. Coisas como "fazer o almoço" ou "mudar os lençóis da cama" são exemplos de objetivos diários que nos podemos comprometer a fazer.
  6. Criar rotinas. Para além disso, esta doença tende a desorganizar completamente os nossos dias, visto que eles passam a ser todos iguais uns aos outros. Criar hábitos de rotinas pode facilitar a sair da "espiral negativa" (ex: às 9h vou acordar e tomar o pequeno-almoço, às 10h vou fazer exercício, às 11h aproveito para dar um passeio de meia-hora antes do almoço...)
  7. Ter comportamentos saudáveis. Desafiarmo-nos a ter e desenvolver hábitos saudáveis é fundamental para lidar com a depressão: fazer uma alimentação saudável, praticar exercício físico, dormir pelo menos 8h/noite, praticar meditação, sair de casa, visitar um museu, aprender uma língua,etc.
  8. Responsabilizarmo-nos. Manter um estilo de vida com alguma responsabilidade pode ajudar a combater a depressão. Seja a nossa preocupação com a nossa prestação na escola, no trabalho ou até o facto de fazer voluntariado, traz-nos grandes sentimentos de realização.
  9. Reconhecer a "voz negativa" e desafiar pensamentos negativos. Muito do "trabalho" para combater a depressão tem a ver com os nossos pensamentos e a forma como encaramos a vida. A próxima vez que sentirmos chegar uma crença mais negativa sobre nós, - por ex: ninguém gosta de mim, estou sozinho/a -, devemos tentar desafiar aquilo que estamos a pensar, e reestruturar o nosso pensamento: Será mesmo verdade aquilo que penso? Que evidências eu tenho para pensar desta forma? Não será este mais um pensamento causado pela depressão?
  10. Experimentar algo novo. Está cientificamente comprovado que ao experimentarmos algo novo (fazer uma receita nova, ler um livro, passearmos a um lugar desconhecido) aumenta a dopamina no cérebro, químico que é responsável pela libertação de prazer e alegria. 

    Por último, se conhecerem alguém que tem pensamentos suicidas recorrentes, contactem por favor a linha de apoio à prevenção de suicídio SOS Voz Amiga para que vos possam ajudar: 21 354 45 45, 91 280 26 69 e 96 352 46 60.

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#10DomingoConsultório: Namoro uma pessoa que tem depressão... o que fazer?

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    Boas maltinha! Como vão os meus bloggers favoritos da sapoesfera?

    Apesar de hoje (já) não ser domingo, ontem foi-me impossível lançar o post a horas decentes, e por isso temos hoje o nosso Consultório a estrear nesta segunda-feira!

 

    A pergunta de hoje vem da minha querida amiga vox nihili, que é honestamente uma das melhores pessoas que conheço, e por isso aconselho a todos vocês a seguirem-na! A Vox pergunta-me por "Conselhos para lidar com alguém com depressão. Namoro uma pessoa que tem depressão, e gostaria de saber como lidar com ela."

 

    Em primeiro lugar é importante informarmo-nos sobre o que é a depressão. A depressão é caracterizada por sintomas de grande tristeza, mudanças de humor (estados de grande excitação seguidos de ataques de fúria, por exemplo), ansiedade, dificuldade em adormecer, perda de interesse nas atividades diárias, dificuldade de concentração e em tomar decisões, presença frequente de pensamentos suicidas, etc.. Conforme o tipo de depressão, estes sintomas podem demorar desde duas semanas até anos (é o caso da depressão crónica).

    Caso estejamos perante uma pessoa que apresente este tipo de sintomas, ou que tenha sido devidamente diagnosticada, há várias coisas que podemos fazer:

1- Falar à pessoa sobre o que é a depressão. Mostrar a sua preocupação pelo estado de saúde da pessoa (Utilizar frases como: "Ultimamente tenho-te reparado um pouco mais em baixo do que é normal, passa-se alguma coisa?"), e informá-la sobre o que é a depressão, e que pode ser tratada. Esta conversa é importante tê-la num momento em que a pessoa se sinta confortável para falar. Caso mostre resistência ou negue os seus sintomas, é necessário ser paciente e dar tempo para que se abra connosco. Cada pessoa tem o seu tempo.

2 - Fornecer uma rede de apoio. Também se deve falar-lhe da importância do tratamento psicológico e da medicação, procurar grupos de apoio e aplicações que ajudem a lidar com a depressão. Acima de tudo, deve-se mostrar disponível para ajudar a pessoa com depressão. Utilizar frases como "Não estás sozinho, estou aqui para ti" ,"Agora pode ser difícil de acreditar, mas o que tu sentes vai passar", e "Tu és muito importante para mim. Posso não conseguir compreender totalmente aquilo que sentes, mas preocupo-me contigo, e estou disposto a ajudar-te". Nem sempre é fácil, pois como referi acima, as alterações de humor são frequentes no indivíduo com depressão, o que faz com que se torne difícil por vezes relacionar-se com ele, mas é fundamental mostrar-se disponível para ouvi-lo, sempre que assim for necessário.

3- Promover estratégias para lidar com a depressão. A depressão carrega um peso enorme sobre as pessoas, que as deixa sem energia muito facilmente. Outra das formas de ajudar o indivíduo com depressão é: levá-lo a sair de casa (combinar saídas semanalmente, fazer exercício físico juntos - que melhora o estado de humor...); encorajar novos hobbies; promover uma alimentação saudável; levá-lo às consultas de psicologia/psiquiatria, de forma a encorajá-lo a ir; dar reforço positivo do seu comportamento, pois as pessoas com depressão costumam ser duras consigo mesmas, etc.

4-  Ter noção de que não te cabe a ti curar a depressão do outro, e ser paciente. Por muito que lhe queiramos dar estratégias para a ajudar, em último caso, é a pessoa que as vai pôr em prática ou não. Cabe a nós, que estamos do outro lado, ser pacientes. Há que ter em conta que caso a pessoa comece um tratamento farmacológico, demora geralmente cerca de 3 meses a notar-se as primeiras alterações de sintomas.

5- Criar mecanismos de defesa para lidar com a pessoa. É importante para ti, e para todos aqueles que lidam com alguém que apresente sintomas de depressão, que não levem o pessimismo do indivíduo depressivo como algo pessoal. O que dizem e o que fazem são apenas sintomas da doença, e não um reflexo de nós. Quando te sentires "sugada" pelo pessimismo do outro, afasta-te, e protege-te. Ao ficares como eles não os ajudas, e só te prejudicas a ti. Afasta-te por um tempo, foca-te nas tuas atividades diárias que te dão prazer, e rodeia-te de pessoas positivas. Reconhece os teus esforços para ajudar a pessoa com depressão, mas não deixes que ambos se tornem dependentes um do outro, pois não é saudável para nenhum de vocês. 

    Em último caso, e se vires que a pessoa com depressão tem pensamentos suicidas recorrentes, contacta a linha de apoio à prevenção de suicídio SOS Voz Amiga: 21 354 45 45, 91 280 26 69 e 96 352 46 60.

 

E por hoje é tudo, espero ter ajudado! O que acharam do Consultório de hoje? Já sabem que, para terem aqui a vossa questão respondida, só têm que: comentar este post com a vossa questão (em anónimo se não se quiserem expôr, ou com o vosso blog), comentar o post do meu instagram que irá sair sobre o Domingo de Consultório Aberto, OU mandar um e-mail para umacartaforadobaralho@hotmail.com (onde podem, mais uma vez, identificar-se ou não, conforme queiram ou não manter o anonimato). 

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