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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

Sobre sentir falta do contacto humano

(até para uma introvertida, como eu!)

(Imagem divulgada no The New York Times no artigo "How to Hug during a Pandemic")

 

    Eu compreendo as pessoas que querem fazer jantaradas com amigos, ir à praia (mesmo correndo o risco dela estar lotada) e fazer outra qualquer atividade que implique estar fora de casa. Eu juro que compreendo. E compreendo porque sinto exactamente o mesmo.

    Sinto que, dia-a-dia, somos sistematicamente confrontados com a eterna questão: "Como é que eu posso fazer aquilo que eu quero fazer e continuar protegido/a da Covid-19?"  E a resposta mais rápida é lógica é: ficando em casa, e saindo/ convivendo o mínimo possível com outras pessoas. Mas, caramba, estamos a fazer isso há 5 meses!
    São 5 meses passados maioritariamente em casa, a trabalhar, a conviver com as mesmas pessoas (ou para aqueles que estão sozinhos, a conviver apenas consigo próprio) e raramente vendo a luz do dia. Isto não é fácil!
    O ser humano não foi feito para isto. Nem mesmo eu, que sempre me considerei uma introvertida assumida, que prefere muitas vezes passar o seu tempo sozinha. Sinto falta do contacto humano! Do toque, dos beijos, dos abraços...
Estamos, sem nos aperceber, a desenvolver personalidades cada vez mais frias, onde o contacto social é desvalorizado, e onde a solidão ganha espaço para surgirem outros problemas do foro mental como a depressão, a perturbação de pânico, a fobia social...
    E acho que muito pouco se fala disto, ainda, infelizmente. É o jogo do ignorar o obvio: sabemos que a pandemia ainda está bem presente, que nos afeta a nível pessoal e emocional, mas ainda assim escolhemos ignorar aquilo que estamos a sentir (para "debaixo do tapete", como se costuma dizer) na esperança (?) que aquilo que estamos a sentir desapareça.

    O que eu quero dizer com isto é que é perfeitamente normal estarmos mais ansiosos, stressados, preocupados, e instáveis numa altura como esta. A pandemia ainda cá está, continua a ter um grande impacto nas nossas vidas (a acrescer a todos os problemas que surgem no nosso dia-a-dia, a par da Covid-19), e mais vale termos a noção de que isto nos está a afectar do que fingir que nada está a acontecer, e que tudo já está como era dantes (porque está longe de estar).

    Por isso, pessoal que está a ler este post: Tomem bem conta da vossa saúde física, mas não descuidem do vosso bem-estar emocional. Se sentem que todos estes desafios estão a ser demasiado complicados de lidar, e que isso pode estar a reflectir-se na vossa vida diária (como dificuldade a adormecer, problemas nos relacionamentos, binge eating, etc.), ponderem usufruir de um acompanhamento psicológico. É benéfico para toda a gente, e é um investimento acima de tudo para a vossa saúde!

    Se precisarem de algum conselho ou dica sobre psicólogos de referência, podem-me enviar um e-mail que eu vou-vos tentar aconselhar dentro das vossas necessidades. Tenham uma boa noite 

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Ausência

    Hoje venho-vos pedir desculpa pela minha ausência pelo blog 
 
    Sei que não tenho respondido aos vossos comentários e eu odeio-me por isso, mas saibam que os leio t-o-d-i-n-h-o-s e rio-me até imenso com alguns deles!
    E sei também que não tenho lido blogs ultimamente, nem escrito aqui tão frequentemente como antes... Eu achava realmente que ia conseguir manter-me mais ativa por estes lados, mas esqueci-me que o facto de estar a estagiar a quase 2h de casa, estar a tirar a carta de condução e um curso de Mindfulness ao mesmo tempo, iria ter as suas consequências a longo prazo...
    O podcast "À la Carta" surgiu numa de 'Isto até é giro de se fazer, e fácil, e é uma maneira de manter-me mais ativa', mas a verdade é que também não vos sei dizer qual será a sua periodicidade (até agora é de 2 em 2 semanas 😂 - e já é um recorde!)
 
    Por isso, resumindo e baralhando: Estou viva, peço-vos imensa desculpa por não estar aqui tão regularmente, mas peço-vos paciência.
    Tenho já algumas ideias de posts para Dezembro, e o surgimento do podcast não altera em nada a minha paixão e dedicação pelo blog, só preciso de tempo e disposição mental para pôr tudo em prática 
 
    Por esse lado, como vão?
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Ter orgulho em sentir-me fora (do baralho)

 

    Há 1 ano fiz um post sobre o facto de ser extremamente tímida, que está relacionado com a minha personalidade introvertida, e perguntava se havia uma espécie de 'poção mágica' que se bebesse para me fazer sentir mais segura, e confortável quando estou num grupo de pessoas (conhecidas, ou não).
 
    Mas agora já não sinto a necessidade disso. Não porque me tenha tornado mais sociável do que antes, mas porque entendo que esta sou eu, esta é a minha personalidade, e não pretendo mudar tão cedo.
 
    Isto porque há dias, no meu recente estágio, apercebi-me que as pessoas comentam o facto de ser "muito caladinha, tadinha, está sempre no seu canto sozinha", e apercebi-me duma coisa: Se eu gosto da forma como sou (e, atenção que esta parte é muito importante!!), eu não devo tentar mudar nada em mim. Aliás, penso que os outros deviam mudar - antes - a forma como vêm as pessoas mais introvertidas. 
 
    Lá por eu ser reservada, e valorizar muito o tempo que estou sozinha, isso não faz de mim (nem de perto, nem de longe) uma "coitadinha". Muitas pessoas (e digo isto porque sei que não são todas) tendem a atribuir o facto de uma pessoa estar sozinha a uma conotação negativa. Porque é que eu não posso ser feliz no meu canto? Não é um pouco egocêntrico da parte dessas pessoas pensarem que a minha felicidade depende inteiramente do facto de estar com eles - rodeada de gente?! 
 
    E em relação ao facto de ser reservada, sempre preferi mais ouvir do que ser ouvida, por isso é normal não intervir tanto nas conversas, como as outras pessoas. E não estou a ver que haja mal nenhum nisso (aliás, porque foi por isso que escolhi a profissão que escolhi ).
 
    Para mim, não me incomoda nada estar sozinha por vezes - e até gosto! É o chamado "me time". Aproveito para ler, ouvir música, recarregar baterias...
 
    E isso não quer dizer que não gosto de estar com os meus amigos, ou familiares, de todo! As festas com a família toda junta e as noitadas com os amigos enchem-me o coração, e continuam a ser a melhor coisa do mundo… Simplesmente, se calhar não são tão frequentes como a maioria das pessoas. 
 
    Mas se preciso de mudar? Não, porque não me imagino a ser eu de outra maneira.  
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Sobre ser psicóloga...

 

    Hoje - (dia 4 de Setembro) - assinala-se o Dia Nacional do Psicólogo, e por isso mesmo resolvi falar-vos um pouco sobre a minha profissão, e aquilo que faço.
 
    Podia-vos escrever sobre o facto da Psicologia não ser valorizada em Portugal, ou sobre a nossa Ordem servir muito mais para nos roubar ao bolso, do que para nos proteger, mas - e apesar disso ser tudo muito verdade...-, hoje apetece-me mais falar sobre a parte boa de se ser psicóloga. 
 
 
    No outro dia, acerca de uma formação sobre orientação vocacional, percebi porque amo tanto a minha profissão. Num dos testes que são feitos aos miúdos, para os ajudar na escolha da sua vocação, estão as seguintes perguntas: "Que tarefas rotineiras (lidas domésticas, ocupações de tempos livres, etc.) gostas de fazer? E quais achas que são as razões por detrás delas?". Inconscientemente, já vos deve ter vindo algumas respostas às vossas cabeças. À minha também veio: "Gosto de ler livros sobre mistérios, ver séries de thrillers e mistérios por resolver, etc."
    Em suma, tudo o que tem a ver com enigmas, e que me faça querer desvendar algum mistério, dá-me um friozinho na barriga, porque é aquilo que me dá pica, que eu gosto. Logo, me escorreu. Eu adoro ser psicóloga porque o meu dia-a-dia é precisamente esse. É desvendar aquilo que vai na mente de cada um de nós, é procurar 'resolver' os mistérios da mente.
 
    Quando alguém se senta à minha frente, eu não sei absolutamente nada sobre essa pessoa. É a relação que vamos construindo as duas ao longo do tempo que me vai ajudar a perceber quem é aquela pessoa, de onde vem, o que faz, que motivos a trazem à minha consulta... E como eu a posso ajudar, claro. 
    É como um cubo mágico que tenho por resolver, ou um puzzle gigante por completar. É um caminho que se vai construindo, pouco a pouco, pelas duas partes. 
    Isso não quer dizer que consiga desvendar a 100% muitos dos mistérios que passam por mim diariamente, - seria muito ingénua (e parva!) se pensasse que sei tudo sobre essas pessoas -, mas a boa notícia é que estão sempre a surgir novas aventuras para embarcar!
 
     E é por isso que nunca me hei-de cansar desta vida. Porque, - se Deus quiser -, vão haver sempre novas pessoas para acompanhar, e novos mistérios por resolver... 
    Do vosso lado, porque gostam tanto da vossa profissão?
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Os meus 25 Anos

 

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   Quando eu era pequenina gostava muito de idealizar o meu futuro.
 
   Dizia que iria ser professora quando crescesse, que iria casar aos 20 e nessa altura teria a minha primeira casa. Bolas, eu realmente não tinha a mínima noção de como funcionavam as coisas...
 
 
   Agora, com os meus 25 anos feitos recentemente e com nenhum dos meus planos de infância realizados, vejo que há certas coisas que não necessitam de ser planeadas com 'timings'.
 
 
   Não sou professora, mas sou mestre em Psicologia Clínica, que foi uma área que foi crescendo uma paixão dentro de mim desde o ensino secundário.
   Não sou casada, mas tenho uma relação de 4 anos, a que fui assistindo uma evolução brutal ao longo do tempo, que nos/me fez crescer imenso!
   E (ainda) não tenho uma casa. Hoje em dia acredito que mais importante do que o casamento é a vivência a dois, e por isso os planos de ter uma casa depois de casar alteraram-se. Neste momento quero acabar o meu estágio, empregar-me e depois comprar uma casa para viver com o gajinho...(e só depois, casar!)
   No entanto, não vou colocar 'prazos' em nada. Vamos fazer as coisas com calma, e cabeça (que dá muito mais jeito do que à pressa e mal-feitas).
 
  Isto para vos dizer que a vida nem sempre corre como nós idealizados, mas não há problema nenhum nisso. Provavelmente não teria que correr assim. Não vos sei dizer se seria mais ou menos feliz se as coisas tivessem corrido como eu planeara em criança, mas uma coisa tenho a certeza: Não trocaria a vida que tenho por nada deste mundo! 😉
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Hoje em dia já não nos divertimos tanto.

 

    Vou-vos contar uma coisa. Eu vivo a dois passos do centro comercial aqui da zona - mas dois passos de carro (a pé ainda é um esticãozito )

    E quando eu tinha os meus 15 anos, (há quase 10 anos portanto, Oh meu deus como estou velha...), eu e a minha prima quisémos ir até aquele centro comercial as duas sozinhas, a pé! Mas como não havia GPS, nem telemóveis topos de gama com gps incorporado, tivémos que ir até lá à maneira antiga: à descoberta!

    Fomos até uma zona alta da cidade, para vermos onde ficava o tal centro comercial, e depois fizémos aquele percurso todo - sempre em frente. Portanto, atravessámos estradas, postos de gasolina, terra batida, terrenos abandonados, sítios onde provavelmente não seria suposto passarmos... porque estávamos a ir literalmente sempre em frente, até chegarmos ao dito centro comercial.  Lembro-me de homenzinhos verem-nos atravessar por aqueles terrenos um bocado pr'ó manhosos, com um ar do género 'O que raio é que estas duas chicas-espertas estão aqui a fazer?!'.

    Se havia caminhos mais fáceis? Claro que havia! Caminhos feitos literalmente para pedestres, mais seguros e mais 'compostos'. Mas nós não sabíamos na altura. Não havia dados móveis, e com o Moovit ainda em construção, não tínhamos outra opção senão aventurarmo-nos, e descobrirmos uma maneira de lá ir ter sozinhas.

    Escusado será dizer que chegámos ao centro comercial cheias de terra batida nos sapatos, e arranhões nas pernas por causa das ortigas que tivémos de enfrentar pelo caminho... Mas foi, sem dúvida, um dia super divertido, e uma aventura gira que passei, que até hoje me lembro cada vez que entro naquele centro comercial.

    Se pudesse voltar atrás no tempo, não o faria de outra forma...

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Quando nos esquecemos que somos humanos...

 

 

    Chamem-me ingénua (ou parvinha ), mas eu costumava acreditar que todos nós por baixo das nossas "capas" de defesa, éramos pessoas boas, simplesmente nos esquecíamos disso, às vezes. Coisas como: os stresses do trabalho, a obsessão pelo dinheiro, os relacionamentos tóxicos que tínhamos, a nossa herança genética, e outros factores ambientais faziam-nos esquecer que todos nós somos, acima de tudo, seres humanos.

    Agora já deixei de acreditar. Acredito que há pessoas que não têm em si nenhum tipo de humanidade, e que vêem nos outros apenas um meio para atingir os seus próprios interesses, e nada mais do que isso. Pessoas que vivem numa rivalidade constante, numa luta e competição para serem os melhores dos melhores, pela ambição desenfreada de estarem sempre bem e felizes à custa dos outros... e isso entristece-me imenso.

    Entristece-me porque a vida já é tão desafiante, cheia de altos e baixos completamente imprevisíveis, e nós ainda a tornamos mais difícil. Em vez de nos unirmos, e nos apoiarmos uns aos outros, não! "Descarregamos" toda a energia negativa e tóxica naqueles mais próximos, invejamos a felicidade alheia, pensamos puro e simplesmente no nosso bem-estar, e esquecemo-nos totalmente daqueles que estão à nossa volta...

    Enquanto psicóloga, isto faz-me perder um pouco a esperança na minha intervenção clínica, pois se o meu propósito enquanto profissional de saúde é trazer o melhor ao de cima da pessoa que está à minha frente (a todos os níveis: de saúde, pessoal, relacional, profissional...), e se há pessoas que simplesmente não querem ser ajudadas nesse sentido, então qual é o meu papel?!

 

    Eu continuo a achar que as pessoas mais saudáveis são aquelas que reconhecem quando alguma coisa não está bem com elas, e que pedem ajuda para se tornarem pessoas melhores. Afinal, somos todos seres humanos! 

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A propósito do passe único

 

    Não sei se já leram este post nos destaques da sapo, que fala acerca das consequências que o passe único teve para nós; mas para mim, ao ler aquilo, foi como se toda a minha onda de indignação viesse ao de cima.

 

    Eu sinto o mesmo, mas não é só em relação à TST! É autocarro, metro, comboio, elétrico, barco... Só não digo avião, porque ainda não chegou lá, mas esperem para ver. 

    Ainda me lembro do tempo em que tinha lugar sentada no metro... E das alturas em que tinha espaço para respirar no comboio, em hora de ponta... Eu sou da altura em que os autocarros parávam em todas as paragens porque toda a gente tinha lugar para entrar (ainda que em pé...)

 

    E podem-me dizer "Ah e tal, estás-te a queixar de barriga cheia, agora tens acesso a tudo e mais alguma coisa".

É verdade! Tal como dizia a Não sejas engraçadinha, agora temos muito mais opções de escolha. Mas, se a minha opção de escolha é ou "vou sardinha em lata no comboio" ou "vou sardinha em lata no metro", se calhar a minha escolha vai ser nenhuma.

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A realidade do meu estágio

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  Ontem li no Reddit uma notícia com o seguinte título"Descobri que o Aldi na Alemanha tem estágios pagos de 3 anos para finalistas do secundário", e imediatamente comecei a pensar no estágio que eu estou a fazer neste momento, e nas suas condições.

    No meu caso, e visto estar na área da Psicologia Clínica tive que fazer: Licenciatura (durante 3 anos), Mestrado (durante 2 anos), um estágio curricular de três meses, e agora tenho por favor o estágio profissional (de 1 ano), e o curso de formação da Ordem de 90h. Só quando toda esta panóplia de etapas estiverem completas, é que posso oficialmente assumir-me como Psicóloga Clínica.

    Tirando a perda de tempo claramente desnecessária que é preciso para a minha profissão, ela tem também outro grande desafio pela frente, tendo ele como nome: Ordem dos Psicólogos. Uma Ordem que em vez de nos apoiar e ajudar durante o nosso percurso profissional, apenas nos atrapalha e muitas vezes prejudica a nossa entrada no mercado de trabalho!

    Vou-vos falar do meu caso - mas como eu há tantos iguais...

    Eu estou a estagiar numa empresa onde recebo uma ninharia, pago à empresa (pelo espaço que me prestaram para dar as consultas), pago à minha orientadora (pela supervisão, e não é pouco), pago à Ordem dos Psicólogos (pela incrição + registo + seguro + mensalidades), e dou ainda ao Estado uma parte das minhas consultas, visto estar a receber por recibos verdes.

    Por isso agora conseguem imaginar um pouco a minha revolta quando leio notícias como as de cima, em que sinto que realmente o meu país só pode me querer ver daqui para fora. Como é que é possível que estejamos a viver nestas condições? Como é que isto é aceitável acontecer, numa sociedade como esta? E mais importante, como é que é possível mantermos os mais jovens motivados para a escola, para o seu futuro, quando tudo há sua volta está a dizer-lhes para saírem do seu país...?

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Já cansei de ser adulta!

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    Recebi hoje a notificação do tribunal a falar do serviço comunitário que vou ter que prestar (quem me manda a mim cometer ilegalidades...?! ) e vou ter que mandar cartas ao juíz e a não sei que mais, para saber onde e quando vou começar a fazer esse trabalho... Depois tenho ainda de me inscrever na segurança social e preencher uma série de burocracias porque vou começar o meu estágio como Psicóloga em breve. Isto para não falar também da quantidade de papelada e chatice que estive a tratar nas últimas semanas só para me conseguir registar na Ordem dos Psicólogos Portugueses (um dia desabafo-vos o quão urticária me dá esta minha Ordem, mas hoje não é o dia...). Resumindo, isto de ser adulta É UMA SECA!

    Já me cansei desta vida de adulta, por isso agora era a altura ideal de voltar à minha adolescência, onde todos os problemas que pareciam o fim do mundo, afinal tinham uma solução muito mais fácil do que aquilo que eu achava. E onde eu também não fazia a mínima ideia do que eram responsabilidades dos crescidos... Ai, que saudades... 

    Lembro-me de ouvir, até há bem pouco tempo, a minha irmã a fazer a contagem decrescente todos os anos para ter 18 anos, e todos os aniversários me dizia, toda entusiasmada: "Mal posso esperar para ser adulta!!". E eu não conseguia evitar todos os anos dizer-lhe que não é assim tão bom como parece, e para aproveitar enquanto dura uma das fases mais bonitas da nossa vida ("Olha que em adulta já podes ir presa!" - dizia eu, para a assustar. E no fim quem ia sendo presa era eu ).

    Talvez agora, já com os seus 18 anos feitos, ela perceba o que quis dizer ao longo de todos estes anos. Claro que sim, eu adoro imenso ter 24 anos, e tenho plena noção de que ainda tenho muita coisa para viver, mas quando a vida de adulta se torna demasiado séria e aborrecida, não consigo evitar sonhar com os meus tempos de infância e juventude... Serei a única? 

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