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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

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"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

Hoje em dia já não nos divertimos tanto.

 

    Vou-vos contar uma coisa. Eu vivo a dois passos do centro comercial aqui da zona - mas dois passos de carro (a pé ainda é um esticãozito )

    E quando eu tinha os meus 15 anos, (há quase 10 anos portanto, Oh meu deus como estou velha...), eu e a minha prima quisémos ir até aquele centro comercial as duas sozinhas, a pé! Mas como não havia GPS, nem telemóveis topos de gama com gps incorporado, tivémos que ir até lá à maneira antiga: à descoberta!

    Fomos até uma zona alta da cidade, para vermos onde ficava o tal centro comercial, e depois fizémos aquele percurso todo - sempre em frente. Portanto, atravessámos estradas, postos de gasolina, terra batida, terrenos abandonados, sítios onde provavelmente não seria suposto passarmos... porque estávamos a ir literalmente sempre em frente, até chegarmos ao dito centro comercial.  Lembro-me de homenzinhos verem-nos atravessar por aqueles terrenos um bocado pr'ó manhosos, com um ar do género 'O que raio é que estas duas chicas-espertas estão aqui a fazer?!'.

    Se havia caminhos mais fáceis? Claro que havia! Caminhos feitos literalmente para pedestres, mais seguros e mais 'compostos'. Mas nós não sabíamos na altura. Não havia dados móveis, e com o Moovit ainda em construção, não tínhamos outra opção senão aventurarmo-nos, e descobrirmos uma maneira de lá ir ter sozinhas.

    Escusado será dizer que chegámos ao centro comercial cheias de terra batida nos sapatos, e arranhões nas pernas por causa das ortigas que tivémos de enfrentar pelo caminho... Mas foi, sem dúvida, um dia super divertido, e uma aventura gira que passei, que até hoje me lembro cada vez que entro naquele centro comercial.

    Se pudesse voltar atrás no tempo, não o faria de outra forma...

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Quando nos esquecemos que somos humanos...

 

 

    Chamem-me ingénua (ou parvinha ), mas eu costumava acreditar que todos nós por baixo das nossas "capas" de defesa, éramos pessoas boas, simplesmente nos esquecíamos disso, às vezes. Coisas como: os stresses do trabalho, a obsessão pelo dinheiro, os relacionamentos tóxicos que tínhamos, a nossa herança genética, e outros factores ambientais faziam-nos esquecer que todos nós somos, acima de tudo, seres humanos.

    Agora já deixei de acreditar. Acredito que há pessoas que não têm em si nenhum tipo de humanidade, e que vêem nos outros apenas um meio para atingir os seus próprios interesses, e nada mais do que isso. Pessoas que vivem numa rivalidade constante, numa luta e competição para serem os melhores dos melhores, pela ambição desenfreada de estarem sempre bem e felizes à custa dos outros... e isso entristece-me imenso.

    Entristece-me porque a vida já é tão desafiante, cheia de altos e baixos completamente imprevisíveis, e nós ainda a tornamos mais difícil. Em vez de nos unirmos, e nos apoiarmos uns aos outros, não! "Descarregamos" toda a energia negativa e tóxica naqueles mais próximos, invejamos a felicidade alheia, pensamos puro e simplesmente no nosso bem-estar, e esquecemo-nos totalmente daqueles que estão à nossa volta...

    Enquanto psicóloga, isto faz-me perder um pouco a esperança na minha intervenção clínica, pois se o meu propósito enquanto profissional de saúde é trazer o melhor ao de cima da pessoa que está à minha frente (a todos os níveis: de saúde, pessoal, relacional, profissional...), e se há pessoas que simplesmente não querem ser ajudadas nesse sentido, então qual é o meu papel?!

 

    Eu continuo a achar que as pessoas mais saudáveis são aquelas que reconhecem quando alguma coisa não está bem com elas, e que pedem ajuda para se tornarem pessoas melhores. Afinal, somos todos seres humanos! 

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A propósito do passe único

 

    Não sei se já leram este post nos destaques da sapo, que fala acerca das consequências que o passe único teve para nós; mas para mim, ao ler aquilo, foi como se toda a minha onda de indignação viesse ao de cima.

 

    Eu sinto o mesmo, mas não é só em relação à TST! É autocarro, metro, comboio, elétrico, barco... Só não digo avião, porque ainda não chegou lá, mas esperem para ver. 

    Ainda me lembro do tempo em que tinha lugar sentada no metro... E das alturas em que tinha espaço para respirar no comboio, em hora de ponta... Eu sou da altura em que os autocarros parávam em todas as paragens porque toda a gente tinha lugar para entrar (ainda que em pé...)

 

    E podem-me dizer "Ah e tal, estás-te a queixar de barriga cheia, agora tens acesso a tudo e mais alguma coisa".

É verdade! Tal como dizia a Não sejas engraçadinha, agora temos muito mais opções de escolha. Mas, se a minha opção de escolha é ou "vou sardinha em lata no comboio" ou "vou sardinha em lata no metro", se calhar a minha escolha vai ser nenhuma.

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A realidade do meu estágio

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  Ontem li no Reddit uma notícia com o seguinte título"Descobri que o Aldi na Alemanha tem estágios pagos de 3 anos para finalistas do secundário", e imediatamente comecei a pensar no estágio que eu estou a fazer neste momento, e nas suas condições.

    No meu caso, e visto estar na área da Psicologia Clínica tive que fazer: Licenciatura (durante 3 anos), Mestrado (durante 2 anos), um estágio curricular de três meses, e agora tenho por favor o estágio profissional (de 1 ano), e o curso de formação da Ordem de 90h. Só quando toda esta panóplia de etapas estiverem completas, é que posso oficialmente assumir-me como Psicóloga Clínica.

    Tirando a perda de tempo claramente desnecessária que é preciso para a minha profissão, ela tem também outro grande desafio pela frente, tendo ele como nome: Ordem dos Psicólogos. Uma Ordem que em vez de nos apoiar e ajudar durante o nosso percurso profissional, apenas nos atrapalha e muitas vezes prejudica a nossa entrada no mercado de trabalho!

    Vou-vos falar do meu caso - mas como eu há tantos iguais...

    Eu estou a estagiar numa empresa onde recebo uma ninharia, pago à empresa (pelo espaço que me prestaram para dar as consultas), pago à minha orientadora (pela supervisão, e não é pouco), pago à Ordem dos Psicólogos (pela incrição + registo + seguro + mensalidades), e dou ainda ao Estado uma parte das minhas consultas, visto estar a receber por recibos verdes.

    Por isso agora conseguem imaginar um pouco a minha revolta quando leio notícias como as de cima, em que sinto que realmente o meu país só pode me querer ver daqui para fora. Como é que é possível que estejamos a viver nestas condições? Como é que isto é aceitável acontecer, numa sociedade como esta? E mais importante, como é que é possível mantermos os mais jovens motivados para a escola, para o seu futuro, quando tudo há sua volta está a dizer-lhes para saírem do seu país...?

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Já cansei de ser adulta!

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    Recebi hoje a notificação do tribunal a falar do serviço comunitário que vou ter que prestar (quem me manda a mim cometer ilegalidades...?! ) e vou ter que mandar cartas ao juíz e a não sei que mais, para saber onde e quando vou começar a fazer esse trabalho... Depois tenho ainda de me inscrever na segurança social e preencher uma série de burocracias porque vou começar o meu estágio como Psicóloga em breve. Isto para não falar também da quantidade de papelada e chatice que estive a tratar nas últimas semanas só para me conseguir registar na Ordem dos Psicólogos Portugueses (um dia desabafo-vos o quão urticária me dá esta minha Ordem, mas hoje não é o dia...). Resumindo, isto de ser adulta É UMA SECA!

    Já me cansei desta vida de adulta, por isso agora era a altura ideal de voltar à minha adolescência, onde todos os problemas que pareciam o fim do mundo, afinal tinham uma solução muito mais fácil do que aquilo que eu achava. E onde eu também não fazia a mínima ideia do que eram responsabilidades dos crescidos... Ai, que saudades... 

    Lembro-me de ouvir, até há bem pouco tempo, a minha irmã a fazer a contagem decrescente todos os anos para ter 18 anos, e todos os aniversários me dizia, toda entusiasmada: "Mal posso esperar para ser adulta!!". E eu não conseguia evitar todos os anos dizer-lhe que não é assim tão bom como parece, e para aproveitar enquanto dura uma das fases mais bonitas da nossa vida ("Olha que em adulta já podes ir presa!" - dizia eu, para a assustar. E no fim quem ia sendo presa era eu ).

    Talvez agora, já com os seus 18 anos feitos, ela perceba o que quis dizer ao longo de todos estes anos. Claro que sim, eu adoro imenso ter 24 anos, e tenho plena noção de que ainda tenho muita coisa para viver, mas quando a vida de adulta se torna demasiado séria e aborrecida, não consigo evitar sonhar com os meus tempos de infância e juventude... Serei a única? 

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A minha experiência com a ansiedade

 

    Tudo começou com a preocupação. Eu preocupo-me com tudo e com mais alguma coisa, e antigamente achava que não passava disso. Não era só preocupação em relação àquilo que eu estava a passar pessoalmente, mas com toda a gente à minha volta. É como se eu sentisse exatamente aquilo que os outros me dizem que estão a sentir, é tão estranho! Por exemplo, se alguém me dizia que estava a passar por uma fase menos boa na sua vida, eu não conseguia parar de pensar nisso, e no quoão mal essa pessoa estava (e no que eu poderia fazer para a ajudar); se sabia de alguém próximo que estava doente a mesma coisa; se estava com alguma incerteza em relação ao meu futuro, também começava a pensar em tudo aquilo que poderia correr mal... Foi aí que a preocupação se tornou em pensamentos obsessivos.

    Tudo coisas que eu achava normais na altura, que poderiam acontecer a toda a gente - e acontecem, até se tornar doentio. Comecei a sentir os sintomas físicos da ansiedade quando comecei a 'trabalhar' oficialmente numa empresa. Vieram as tonturas muito fortes, os batimentos cardíacos acelerados, a garganta seca, e as faltas de ar. Fui à psicóloga, e aquilo que temia aconteceu: disse-me que tinha um quadro de ansiedade generalizada instalado. E tudo passou a fazer sentido. Não era apenas preocupação com tudo e todos, não eram apenas pensamentos simples, mas coisas que precisavam de ser tratadas.

    Hoje em dia continuo a ser acompanhada por ela, que continua a fazer um excelente trabalho, mas isso não significa que a minha ansiedade tenha desaparecido. Nos momentos mais ansiogénicos para mim, ela está sempre presente: quando estou preocupada com algo que a minha família ou os meus amigos estejam a passar (por mais simples que seja, não consigo parar de pensar no pior cenário possível), nas apresentações orais em frente a muita gente, nos momentos tensos em que entro em conflito com alguém, etc. E lá vem a dificuldade em respirar, a cabeça às voltas, os suores frios...

    A diferença é que agora tenho aprendido técnicas de forma a controlar melhor a ansiedade que sinto (ou pelo menos, a evitar que ela aumente):

  • Distrair o meu pensamento, e distanciar-me o melhor  possível do local/momento/indivíduo ansiogénico para mim;
  • Fazer a respiração diafragmática (onde se privilegia a respiração através da elevação do abdómen, ao invés da torácica);
  • Tentar ao máximo racionalizar aquele momento (o que me está a causar este medo/preocupação? o que estou a sentir neste momento? qual o risco do pior cenário acontecer? e o que irá realmente acontecer?)...

    Para além disso, praticar exercícios de relaxamento (onde nos focamos em determinadas parte do nosso corpo e no que estamos a sentir, por exemplo) e de actividade física (pode ir de uma simples caminhada, até sessões mais exigentes no ginásio) nos tempos livres também se revelam óptimas formas de combater a ansiedade...

    Algum de vocês também já passou por momentos de grande ansiedade na vossa vida? E se sim, como lidaram com eles?

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Eu não fui feita para dietas!

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    Querem saber uma coisa engraçada? O médico disse que, pelos meus sintomas, tenho uma gastroenterite viral (que me pode ter sido passada por contágio com outras pessoas que também a tiveram). O que significa que, a par dos antibióticos, anti-inflatórios, parecetamóis e suplementos alimentares que tenho que tomar todos os dias, tenho também que fazer uma dieta alimentar hiper-mega restrita.

    Epa, e eu devo ser como muitas pessoas que vocês conhecem, mas quando me dizem "Não podes comer isto!" é quando eu quero comer mais! E podem me proibir tudo, mas chocolate é a minha perdição... Não me façam isto...

    Aqui vai a lista que o meu médico me passou ontem:

 

O QUE COMER

  • Chá preto
  • Água
  • Leite e Iogurte sem lactose
  • Canja
  • Arroz
  • Nestum de arroz
  • Frango e peru cozido
  • Maçã e pêras cozidas 

 

NÃO COMER

  • Leite com lactose
  • Bebidas com gás
  • Fruta Crua
  • Sopa de Vegetais...

 

    Estão a ver agora o meu martírio, certo? Reparem que ele nem acrescentou o chocolate ao não comer porque disse logo que era uma coisa "óbvia". ÓBVIA? DESDE QUANDO É QUE É OBVIO VIVER SEM CHOCOLATE?  Eu vou passar a comer comida de passarinho, basicamente! Arroz e água.

    Talvez esteja a exagerar, mas algum de vocês já provou maçã cozida? É só a pior coisa à face da terra... E leite sem lactose? Provei hoje e só me apetecia vomitar 

    Eu não fui feita para comer comidas TÃO saudáveis... Tenho os meus limites. A minha irmã diz que devo aproveitar para me tornar vegetariana...  - a pirralha só sabe gozar comigo.

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O confronto com a realidade

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    Hoje é daqueles dias de desabafo, e vocês foram os escolhidos (sortudos...). Ultimamente tenho-me sentido muito assustada, e ansiosa - e sim, nós psicólogos também padecemos destes males. A tese atrasou-se mais do que deveria, por isso passei o Verão a trabalhar nela, mas agora parece que estou a cair na realidade...

    A defesa da tese já está aí à porta, atrás dela está a empresa a que me comprometi fazer o meu estágio profissional, para finalmente ser considerada psicóloga... Devia estar felicíssima, mas a verdade é que estou cheia de medo. Sinto que tenho tudo fora do meu controle, estou super insegura.

    Em primeiro lugar, odeio apresentações orais de morte, e só de pensar na minha defesa tenho arrepios até à espinha. Mas depois, é o que vem a seguir dela também! A entrada no trabalho, desta vez a sério! E, diga-se de passagem, um trabalho numa empresa que não foi das minhas preferidas de trabalhar... Mas lá vai ter que ser. Hoje em dia encontrar estágios profissionais de psicologia está pela hora da morte, e sem ele não posso ser psicóloga (profissão que tanto amo), por isso não tenho outra opção.

    No entanto, não me sinto minimamente preparada. Vou, finalmente, sair da faculdade. Mas ao mesmo tempo, vou iniciar o meu caminho numa empresa, que no passado me causou tanto stress e preocupação... E estou definitivamente assustada.

    Digam-me que não sou a única assustada nesta fase, por favor...

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Porque é que não fazemos reclamações?

    Já alguma vez foram atendidos por um médico que vos passasse um atestado de incompetência (e perguntasse coisas como "Não sabes ler, é?"), ou receberam uma multa da EMEL simplesmente porque sim? Eu já, e nunca fiz queixa nem reclamação. Mas devia! 

    E sei que não sou a única. À medida que vou desabafando com pessoas minhas conhecidas me apercebo que, cada vez mais, a maioria das pessoas com que eu falo nunca faz reclamações, quando são mal-atendidos. Não estando aqui a querer incentivar reclamações por "dá cá aquela palha", refiro-me antes a reclamações bem fundamentadas, quando o cliente sente-se injustiçado, mal tratado ou prejudicado por uma entidade, ou serviço.

    Eu sou adepta de darmos a nossa opinião quando somos bem e mal servidos, e por isso quero mudar a minha atitude pacifista (e do "bate-me, que eu gosto"), e passar a reclamar quando achar necessário. Pois só assim o serviço pode melhorar. Talvez não com uma reclamação, mas várias, fazem a diferença. Apenas ao expressar a nossa opinião podemos esperar que as coisas mudem, caso contrário o serviço vai permanecer igual.

    E porque gostava de passar esta mesma mensagem, decidi "desmistificar" algumas explicações populares de porquê que as pessoas não fazem reclamações:

 

"Ah, deixa lá. Não vale a pena"

Será que não vale mesmo a pena? Ao conformarmo-nos com um mau serviço, ou atendimento, não estamos nós a incentivar para que os trabalhadores continuem a fazer o mesmo? Continuem a ser mal-educados, incompetentes e a prejudicar os seus clientes?

 

"Não sei como fazer queixa"

Procurar a informação é fundamental. Seja nos balcões, ou online, não há desculpa para não saber como fazer reclamações.

 

"Dá muito trabalho"

Até pode dar, pois há entidades que gostam de complicar, mas será que não vale a pena o esforço? No caso da multa, por exemplo, podíamos pagar uma multa de 50€ que não tinha cabimento nenhum e "calar", mas seria justo para nós? Sentiriamo-nos bem connosco? 

 

"Não vai adiantar de nada"

 Não se sabe! Pode adiantar, ou não. Mas partir já do pressuposto que devemo-nos conformar com este tipo de injustiças, não é um tipo de mentalidade que eu queira ter. No futuro, não quero ensinar aos meus filhos que quem passa por cima dos outros é quem triunfa na vida. Ainda acredito na justiça.

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A respeito da violência no namoro

    Há coisas que eu vejo na televisão que me deixam extremamente revoltada, e esta é uma delas: "Jovem de 22 anos atacou a namorada à facada" - dizia uma notícia no Você na Tv de ontem. Como se a notícia em si já não fosse chocante o suficiente, apesar das inúmeras notícias nos programas de manhã com casos destes - infelizmente -, o que me deixou mais chocada ainda foi o que os comentadores vieram dizer a seguir.

    Segundo a notícia, o rapaz esfaqueou duas vezes a namorada, no abdómen e na anca, podendo este ser acusado de tentativa de homicidio. No entanto, para já, as autoridades estão ainda a tentar apurar o que aconteceu e os motivos da agressão, e por agora o rapaz está em liberdade. Liberdade essa que vai durar até aos juízes decidirem o seu veredicto, que de acordo com um dos comentadores do Você na tv, pode demorar mais que um ano.

    Deixem-me ver se entendi corretamente: Um jovem agrediu uma rapariga à facada, possivelmente com a intenção de matá-la, e as autoridades responsáveis vão deixá-lo em liberdade até os juízes darem a sua sentença? Que pode demorar anos a acontecer...?

    Até lá estamos há espera do quê? Que a rapariga recupere, e saia do hospital para o namorado a matar de vez? Desculpem a frieza, mas eu gostaria de saber desde quando é que a justiça deste país esqueceu-se que estamos a lidar com pessoas! Neste caso, trata-se de um homem perigoso, que está a meter em risco a vida de outra pessoa! Desde quando é que isto virou uma selva, em que se pode fazer o que se quer e sair impune? Que m**** de moral estamos nós a ensinar aos nossos filhos? 

    O que mais me revoltou foi a tranquilidade que o senhor Aníbal Pinto dizia "Toda a gente tem o direito à sua liberdade, até ser considerado culpado, e neste caso, ainda não temos provas se este rapaz é culpado, por isso é um homem livre como toda a gente". A si digo-lhe o seguinte: Deus queira que nunca tenha que passar por isto, mas por 2 minutos apenas, imagine a sua filha, mulher, irmã... a ser agredida fisicamente por um homem, à facada. E agora imagine-a deitada numa cama de hospital, enquanto o marginal agressor passeia, livre, alegremente nas ruas... Quando sentir essa revolta interna ao ver esse sujeito impune de qualquer prejuízo, venha-nos falar em justiça.

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