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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

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#29DomingodeConsultório: Porque é que as relações amorosas falham? (E como o evitar?)

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    Os relacionamentos já são desafiantes por si só, agora imagine-se o quão complicados eles se podem tornar quando se juntam duas pessoas, a nível amoroso, de mundos completamente diferentes, e cada um com os seus valores, histórias de vida, experiências...

    A psicologia fez, por isso, os principais motivos que levam os relacionamentos amorosos a chegar ao fim:

 

    1.Demasiada expectativa  ("Ele/ela é p-e-r-f-e-i-t-o!"). É natural idealizarmos a nossa cara metade, e a relação que queremos para nós; todos nós temos as nossas preferências e os nossos gostos. No entanto, é importante compreender que nenhuma relação amorosa vai nos realmente preencher na sua totalidade, porque o ser humano é um ser imperfeito, e é irrealista acharmos que uma pessoa só irá corresponder a todas as expetativas que idealizamos para nós.

    Aprendermos a amar os defeitos do outro é a maior prova de amor que podemos dar a alguém!

 

    2.Dificuldades de comunicação.  Os especialistas de saúde mental consideram esta uma das maiores causas de fins de relacionamento. Comentários criticos, negativos ou sarcásticos em relação ao outro demonstram falta de respeito pelo parceiro, e pela relação. O orgulho, a dificuldade em dar feedback positivo, ou o não discutir as suas preocupações com o par irão dar azo a um problema de comunicação muito maior.

    Ao invés disso, deve-se procurar resolver os mal-entendidos assim que eles dão os seus primeiros sinais, ser claro e focarmo-nos na resolução do problema que nos está a incomodar, ao invés de o utilizar como arma de ataque ao parceiro.

 

    3.Falta de confiança.  Devido a traumas do passado ou a algo recente que aconteceu na relação atual, a falta de confiança é destrutiva para qualquer tipo de relacionamento.

    A forma de a contornar é tentar perceber qual é a sua origem (foi algo que realmente aconteceu agora, ou vem de uma experiência passada?), e como podemos combatê-la. Pode ser pertinente a intervenção psicológica para ultrapassar eventuais traumas no passado.

 

    4.Ritmos diferentes.  Quando cada um está a avançar ao seu ritmo no relacionamento, ou a nível profissional, intelectual, etc., pode-se criar um impasse na relação. Talvez uma pessoa prefira casar e constituir família cedo, e a outra imagine outros planos para o seu futuro...

    Por isso mesmo é fundamental ter uma conversa séria no ínicio de qualquer relacionamento amoroso: "O que pretendes para o teu futuro? Quais são os teus planos? Onde imaginas esta relação daqui a 5, 10 anos?" Para perceber até que ponto estão os dois na mesma página.

 

    5.Falta de Compatibilidade.  A compatibilidade pode existir a nível: físico (na atração com o outro), emocional (que é o sentir o tal click!, sentirmo-nos bem e seguros na presença do parceiro), intelectual (ele/ela estimula-te intelectualmente?) e espiritual (partilham os mesmos valores?). Para uma relação ser bem sucedida, todos os níveis de compatibilidade têm de estar completos.

    Assim, para evitar mal-entendidos futuros deve-se identificar, no começo da relação, se todos estes níveis encontram-se preenchidos.

 

    6.Cair na rotina.  Enquanto que no início de uma relação tudo é novo e perfeito, com a continuação do tempo, o casal junta-se e pode acabar por cair na rotina. Os trabalhos stressantes, as dificuldades para pagar as contas da casa, e a preocupação excessiva com os filhos podem levar a melhor de si, e fazer com que acabe o 'clima romântico' que outrora reinara no casal.

    A solução? Estar numa relação duradoura não é fácil, e necessita de um esforço contínuo para resultar. Um esforço que tem de vir das duas partes. Alterar os hábitos do casal, fazer coisas novas e aventurar-se por novas experiências é o truque para o relacionamento não cair na rotina (Ah, e arranjar sempre tempo para namorar!!)

 

    7.Dependência emocional.  "Sem ele não sou feliz", "Não me sinto completo sozinho..." Este tipo de pensamentos é frequente em indivíduos que não conseguem  encontrar a felicidades neles próprios, e por isso andam constantemente à procura de alguém para os fazer sentir preenchidos.

    Na verdade, isto pode significar uma dependência emocional muito grande, e caso seja o caso, poderá ser necessário um acompanhamento psicológico para trabalhar com a pessoa a sua independência, e estar confortável com ela.

 

    Espero que tenham gostado deste Domingo de Consultório! Que temas gostariam que falasse para a próxima semana?

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#28DomingodeConsultório: Consultas de psicologia à distância de um click!

 

    O post de hoje vai ser um bocadinho diferente. Ultimamente, várias pessoas me têm perguntado sobre recomendações de psicólogos a visitar (e de preferência, com preços mais em conta), por isso mesmo, achei por bem fazer um post onde vos recomendo os melhores sites que conheço, que vos permitem encontrar bons serviços de psicologia. 

 

 

Doctorália

    É um dos sites mais completos para se pesquisar qualquer tipo de serviço de saúde: medicina, psiquiatria, psicologia, dentista... Neste caso, pode-se procurar psicólogos perto da nossa zona de residência, consultar o preço das suas consultas, o seu horário, e até opiniões de pacientes seus!

 

Portal da Saúde Mental

    É muito parecido ao de cima, a diferença é que apenas abrange profissionais de saúde mental: psicólogos ou psiquiatras.

 

Consultas de psicologia online

    Para além destes dois sites de busca, encontrei também pela internet várias plataformas que disponibilizam consultas de psicologia online (por videochamada, chamada, chat e e-mail), a bons preços (vão desde os 15€/consulta) e com a vantagem de não ser necessário sair de casa. São eles:

 

    Espero ter-vos sido útil! Têm alguma questão que gostariam de ser esclarecida no próximo Domingo de Consultório? :)

    Ir ao psicólogo é tão comum como ir ao médico ou ao dentista, por isso, se nós gostamos de cuidar do nosso corpo e dos nossos dentes, porque não cuidamos também da nossa mente? 

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#27DomingodeConsultório: Na mente de um psicopata...

 

    Apesar de ser esta a imagem que muitas vezes associamos a um indivíduo psicopata, nem sempre é esta a aparência que as pessoas com esta perturbação da personalidade apresentam (como devem imaginar...).

    Isto porque os psicopatas são mentirosos compulsivos, com tendência a manipular e enganar os outros para obtenção de prazer pessoal, ou lucro; e por isso muito dificilmente demonstram o que realmente são.

    Estas pessoas demonstram facilmente grande irritabilidade e agressividade, o que pode levar à violência física - e por isso os indivíduos psicopatas são protagonistas de muitos dos filmes de terror. Para além disso, eles apresentam muitas dificuldades em adaptar-se às normas sociais, e mantêm uma postura de grande irresponsabilidade na sua conduta. Os seus comportamentos costumam-se reger por um destes: agressão a pessoas e animais; destruição de propriedade, roubo ou grande violação de regras.

    A ausência de remorso, que é tão característico desta perturbação, é marcada pela indiferença ou racionalização em relação a ter ferido, mal-tratado ou roubado alguém.

 

DIAGNÓSTICO

    A psicopatia só pode ser diagnosticada em indivíduos com mais de 18 anos, quando apresentam sintomas de transtorno da conduta antes dos 15 anos.

 

FATORES DE RISCO

    Este transtorno psicológico parece ter uma ligação a indivíduos com baixas condições económicas, que vivem em contextos urbanos.

    A psicopatia é mais frequente em indivíduos que tiveram pais com o mesmo tipo de transtorno (sejam pais biológicos, ou adoptivos - visto a importância dos fatores externos). Também o abuso ou negligência infantil, pais instáveis ou uma disciplina parental inconsistente pode aumentar a probabilidade do transtorno evoluir na idade adulta.

 

TRATAMENTO 

    Visto não haver ainda evidências de um tratamento para a psicopatia eficaz a longo prazo, o seu tratamento é centrado na melhoria dos sintomas a curto prazo. Assim, a forma de tratamento mais comum é a utilização medicamentosa (estabilizadores de humor e antidepressivos), apesar desta nem sempre se revelar 100% eficaz. Estudos revelam que o acompanhamento psicológico é também importante nesta perturbação, contudo, não origina mudanças na sua personalidade, mas ajuda antes a desenvolver maior controle sobre os seus impulsos e maior consciência pelos seus actos.

 

    Espero que tenham gostado deste Domingo de Consultório! Que temas gostariam que falasse para a próxima semana? 

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#26DomingodeConsultório: O que é o binge eating?

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    Bom domingo a todos! Hoje trago-vos um tema sugerido por uma estimada leitora do blog:

 

"Gostaria de saber porque acontece o binge eating, e estratégias para o combater. Isto porque penso que normalmente as pessoas associam problemas alimentares apenas à anorexia e bulimia, mas não associam o facto de comer como distúrbio."

 

    Tens toda a razão! Muitas vezes este distúrbio passa-nos um bocadinho ao lado, mas é frequente esta ingestão descontrolada da comida, estar, também ela, relacionada com um problema do foro mental.

    O Binge eating, ou o Transtorno de Compulsão Alimentar, define-se pela ingestão de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria, durante um determinado período de tempo. A par do sentimento da falta de controle (não se conseguir parar de comer).

 

PORQUE SURGE?

    Na maior parte das vezes o binge eating surge associado a outro tipo de transtornos/diagnósticos. Como:

  1. Transtorno depressivo: No caso de um episódio depressivo prolongado, tende-se a verificar o aumento da ingestão alimentar, associado muitas vezes à perda de controle que caracteriza um indivíduo com depressão.
  2. Transtorno bipolar: A compulsão e a ingestão desordenada também estão presentes no transtorno bipolar e, tal como a depressão, se se considerar que o indivíduo preenche todos os critérios para o transtorno bipolar, ambos os diagnósticos deverão ser dados.
  3. Transtorno da personalidade borderline: Na perturbação borderline, um dos sintomas frequentes tem a ver com a impulsividade do sujeito que, em muitos casos, pode também originar comportamentos de binge eating.
  4. Ansiedade.

 

COMO COMBATER O BINGE EATING?

    Infelizmente, caso se trate de um caso de Transtorno de Compulsão Alimentar, a situação não está inteiramente dependente da força de vontade do indivíduo. Como pode haver muitos fatores psicológicos por detrás que o indivíduo nem se dê conta (stress, eventos de vida negativos, ansiedade, depressão...), é fundamental existir um apoio psicológico que seja focado nas problemáticas do indivíduo, para poder haver uma recuperação total. Contudo, é muito importante:

  • O apoio da família e amigos, que ajudem o indivíduo a incutir (e manter!) hábitos alimentares saudáveis;
  • A intervenção de um nutricionista. E aqui é fundamental que seja dada uma dieta: agradável para a pessoa em questão, focada nos alimentos que gosta (e nas quantidades indicadas que deve ingeri-los), e que não haja uma restrição alimentar muito grande.
  • Prioritizar alimentos: comer essencialmente alimentos ricos em fibra! Frutas, hortaliças, verduras... deixam-nos mais saciados, e assim ficamos mais tempo sem o sentimento de fome/vazio.
  • Praticar exercício físico. Por muito estranho que possa parecer, praticar exercício físico regularmente traz-nos grandes sensações de prazer e bem-estar, e logo, ajuda a combater a compulsão alimentar.
  • Planear a semana, e arranjar horários certos para comer. Estudos dizem que organizar planos para durante a semana (como atividades que dêem prazer ao indivíduo: pintar, passear, escrever, ler...), e arranjar uma rotina de horários para as refeições traz mais tranquilidade ao indivíduo com compulsão, e diminui os comportamentos de binge eating (muitas vezes provocados pelo jejum prolongado).

    O que acharam do tema de hoje? Têm alguma proposta para o próximo Domingo de Consultório?

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#25DomingodeConsultório: Serei demasiado independente para ter uma relação?

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    Olá, espero-vos bem! Hoje trago-vos uma questão de uma querida leitora, que me enviou o seguinte:

 

"Tenho uma pessoa que diz gostar muito de mim mas eu não consigo corresponder. Já tentei mas gosto de ter a minha independência, ou seja, gosto de estar com ele de vez em quando e por outro lado gosto de estar sozinha."

 

    Aquilo que entendo da questão é: gostas muito da tua independência, mas tens medo de a perder num relacionamento amoroso, é isso? Se é esse o caso, posso te dar algumas dicas para tentar ultrapassar esse 'medo'.

 

PODE HAVER VÁRIOS MOTIVOS PARA TE SENTIRES ASSIM:

  • Ele não ser "o tal" - que te faz borboletas no estômago. Como dizes "Tenho uma pessoa que diz gostar muito de mim, mas eu não consigo corresponder", talvez porque simplesmente não o sintas de volta, e não porque tens medo de perder a tua independência. Ou porque o que sentes por ele não é o suficiente para quereres assumir uma relação.
  • Tens uma forma de te relacionares mais individualista. Há pessoas que desde muito cedo se tornaram independentes, e por isso habituaram-se à realidade de estarem sós. E o facto de, de repente, aparecer uma pessoa a querer passar o tempo todo com ela, a querer partilhar a mesma casa, e até casar... pode assustar este tipo de indivíduos mais individualistas, e fazê-lo pensar que irá perder a sua liberdade.
  • Tens medo do compromisso. Inconscientemente, podes estar a associar um relacionamento amoroso a uma relação de dependência (com pensamentos como: "Ter um namorado é ter que estar sempre com ele" ou "É ter alguém que me diz o que tenho de fazer..."). Estes pensamentos irracionais podem estar associados a relacionamentos passados que tiveste e que foram controladores, e que sentiste que te estavas a perder: aos teus valores, e sentimentos. Como isso já te aconteceu no passado, podes ter medo que te aconteça novamente. 

 

COMO ULTRAPASSAR ESTE MEDO?

    1. Sermos honestos connosco (e com o parceiro). Se arranjarmos tempo para refletir o que é que queremos, e o que é que nos assusta/preocupa numa relação, vai ser mais fácil entender o que está por detrás desses 'medos'. Qual é o motivo, daqueles referidos acima? É importante perceber que devemos fazer a escolha de estar com alguém com base daquilo que nós temos a oferecer, em vez daquilo que esperamos receber. Ao estarmos numa relação com o objetivo de entender o que é que o outro pode fazer por nós, cria-nos expetativas falhadas e desilusões; devemos antes partir de uma relação em que haja interesse genuíno em ambas as partes.

    2. Estabelecer os "limites" da relação. Depois disso, é fundamental colocarmos os nossos parceiros a par dos nossos limites (físicos, e emocionais): O meu nível de proximidade física contigo é...; O tipo de toque que me deixa confortável numa relação é...; As minhas necessidades emocionais são...; Numa relação, estou disposto a permitir do outro...; As minhas crenças e valores são..., etc. Há que lembrar que o objetivo de um relacionamento não é atender às necessidades da outra pessoa, mas sim estar disposto a respeitá-las.

    3. Arranjar tempo para nós. Como dizes e bem, as pessoas independentes apreciam muito o tempo que passam sozinhas. Não só gostam desse tempo, como precisam! E numa relação, isso não muda. E daí a importância do futuro parceiro respeitar isso. Pedir ao nosso parceiro um tempo para estarmos sozinhos, ou até agendá-lo com antecedência vai ser o ponto-chave numa relação com um indivíduo independente.

 

    É importante relembrar que a única pessoa realmente capaz de nos tirar a nossa independência somos nós próprios, por mais "lamechas" que possa parecer. Estar numa relação não implica deixarmos de ter a nossa independência, e devemos antes encará-la como um plus à nossa vida - que nos complementa algo, e não que nos retira.

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#24DomingodeConsultório: Porque me sinto tão só?

 

    Há dias estava a ler um artigo de psicologia, cujo tema achei tão interessante, que resolvi partilhar convosco. O artigo dava conta de algo que não é realmente novidade para ninguém: A solidão é, atualmente, um dos grandes males da sociedade. Mas como é que, com os meios de comunicação social cada vez mais acessíveis - que nos facilitam ligações aos outros quase instantâneas -, nos sentimos cada vez mais "desligados" do mundo (e de nós)?

    A meu ver, esta facilidade em aceder à realidade de outras pessoas leva-nos a criar representações ilusórias acerca da sua vida, e consequentemente, a criarmos sentimentos de inveja, tristeza, desilusão... Por isso é certo que o tempo que gastamos online vai definitivamente ser "descontado" no (nosso) mundo real. Agora a questão é: Como podemos nós deixar de nos sentir sós/isolados?

 

1) Focarmo-nos no aqui e agora. Já vos disse que a causa da depressão são os nossos pensamentos à volta do passado? E que a causa da ansiedade é a nossa preocupação com o futuro? Posto isto, escusado será dizer que só em raros momentos é que nós estamos realmente focados no momento presente (que é o único espaço onde realmente estamos a viver)... não é estranho?! Ao nos darmos conta disto, já vai ser mais fácil para a próxima vez não nos dispersarmos tão facilmente.

2) Valorizarmo-nos. Quando vivemos revoltados com a imagem que temos, mais facilmente nos sentimos desligados de tudo e de todos, principalmente de nós próprios. O nosso corpo é único e belo, e devemos valorizá-lo da melhor maneira possível. Nós somos suficientes, exatamente como somos. O nosso valor é-nos inerente, não precisamos dos reconhecimentos de outros. E todos aqueles pensamentos que dizem o contrário são fruto da nossa mente, e dos nossos pensamentos negativos. 

3) Diminuir o sentimento de "perfeccionismo". O perfeccionismo é aquilo que mais nos afasta da realidade, pois coloca-nos numa expetativa tão alta (e  ilusória), que ao invés de servir de motivador para a ação, apenas nos causa ansiedade e stress acrescido. Quantas vezes dizemos para nós "Devia ter feito isto, sido o melhor naquilo..." em vez de dizermos simplesmente "Fiz isto."

4) Definir prioridades. O tempo é um dos nossos maiores bens, e para usá-lo da melhor forma é fundamental distinguir o que é uma prioridade na nossa vida. Se começarmos o dia a fazer algo que é importante para nós, mais rapidamente temos energia para outras tarefas do dia-a-dia.

5) Desligarmo-nos das tecnologias! Quanto tempo por dia gastamos nestes aparelhos tecnológicos? Provavelmente a nossa resposta é sempre a mesma "Mais do que devíamos", mas e se passassemos a controlar melhor as horas gastas neles? Às vezes, por causa do nosso emprego, é inevitável não estar algum tempo ao computador, ou atender uma chamada de telemóvel urgente... mas será sempre este o caso? Substituir esse tempo pela leitura de um bom livro, um passeio ao ar livre, uma boa sesta, a prática de meditação... são sempre excelentes ideias!

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#23DomingodeConsultório: Porque é que há pais que não gostam dos filhos?

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    Bom Domingo a todos! Hoje o tema do post foi sugerido por uma querida leitora (obrigada desde já pela vossa participação! ), que colocou a seguinte questão:

 

"Gostava de saber por que é que há pais que não gostam dos filhos enquanto estes são crianças, e passam a gostar e a tratá-los bem quando estes se tornam adultos."

 

    Em primeiro lugar, acho importante esclarecer aqui uma questão: não se trata dos pais não gostarem do filho, em si, por aquilo que ele é (qualidades físicas e/ou psicológicas), mas antes por não gostarem de estar no papel de pais! Estudos recentes demonstram que 3% das mães não sentem prazer na maternidade (não se sentem preparadas ou simplesmente não gostam de ser mães), e daí a falta de amor que lhes possa estar associada.

  Outra das razões tem a ver com a relação que a mãe estabelece com o filho à nascença - que se dá pelo nome de vinculação. Esta vinculação pode ser segura se a mãe consegue ter uma boa relação com o filho, ou, caso contrário, insegura.

    E dentro da vinculação insegura encontra-se: a vinculação evitante (onde a mãe está indisponível para a criança, ou rejeita-a - vai originar um adulto com baixa auto-estima e medo em relacionar-se com os outros), a vinculação ambivalente (onde a mãe é inconstante nas suas ações, e imprevisível - vai originar adultos ansiosos, e hostis) e a vinculação desorganizada (no qual a mãe pode se revelar abusiva, ou extremamente negligente, e leva a desenvolver adultos muito inseguros, que não se sentem merecedores de amor).

    A forma como a vinculação é feita tem muito a ver com a história de vida da própria mãe, e da forma como ela foi educada pelos seus pais. Os padrões são, muitas vezes, repetidos. Pais que foram vítimas de maus tratos tendem a gerar filhos abusivos, pais fragilizados e que não sentiram amor em infância geram filhos frios e distantes, por aí fora... E isto não significa necessariamente que não gostem dos seus filhos, mas sim que foram ensinados que é assim que se demonstra o seu "amor" por alguém.

 

    Em relação à segunda parte da tua questão: Não gostarem dos filhos em crianças, mas tratá-los bem em adultos; também pode haver várias explicações para isso. Pode dar-se o caso do filho não ter sido planeado; dos pais terem uma má relação entre eles, e associarem o filho ao parceiro a que têm más recordações; terem sofrido de uma depressão pós-parto (que afeta de 10-20% das mulheres, e de 3-10% dos homens em Portugal), etc.

    É preciso ter em conta que a parentalidade implica todo um processo de aprendizagem, e que ao início se revela muito mais desafiante e difícil para os pais.

    Para finalizar, é importante deixar claro que, a incapacidade de um pai sentir amor pelo seu filho pode também estar relacionado com a falta de empatia emocional, ou seja, a sua incapacidade de sentir e partilhar emoções com os outros. Isto implica que ele pode sofrer de algum tipo de distúrbio mental como: transtorno de personalidade narcisista, psicopatia ou sociopatia, esquizofrenia, transtorno de personalidade esquizoide ou transtorno de personalidade histriónica.

 

    E por hoje ficamos por aqui. O que acharam deste Consultório? Têm alguma questão para o próximo domingo? 

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#22DomingodeConsultório: Como acabar com um mau hábito?

 

    Bom Domingo a todos!  Com a entrada num novo ano vêm as resoluções, e as promessas de iniciar novos hábitos... e de acabar com alguns deles. Por isso hoje vim-vos falar de maus hábitos nossos, e de como acabar com eles da melhor maneira.

    Um hábito define-se como um comportamento que é repetido tantas vezes por nós, que por fim o fazemos sem darmos conta. Por isso mesmo, o primeiro passo para mudar-mos maus hábitos é termos noção de que eles fazem parte da nossa personalidade, e logo, somos nós os responsáveis por mudá-la.

 

1 - Avaliar qual a importância, para nós, de acabar com o mau hábito. Há que perceber o quão prejudicial este hábito é para nós, e o grau de satisfação que temos, quando ponderamos acabar com ele. Isto vai-nos permitir ver se o nosso impulso para a mudança é forte o suficiente, ou fraco (se for fraco, não será possível mudar).

2- Ser realista. Há hábitos que já estão incutidos em nós desde crianças, e por isso se tornam mais difíceis de mudar. Mas isso não significa que seja impossível, apenas terá que haver um grau de compromisso, e esforço, do indivíduo muito maior. O problema muitas vezes é não estarmos dispostos a fazer esse esforço, e por isso a importância de avaliar a nossa motivação em primeiro lugar.

3 - Mudar pensamentos. Há que ter consciência plena que para mudarmos um mau hábito, é necessário mudar a nossa forma de pensar, sentir e agir. Primeiro, temos que definir bem os pensamentos que nos levam à ação de mudar (pensar), e perceber o que sentimos ao ter este tipo de pensamentos (sentir), pois só assim teremos motivação para mudar (agir).

4 - Ver o processo de mudança por etapas. Por exemplo, se o mau hábito for "Deixar de comer doces, açúcar e fast-food" seria irrealista abdicar de toda a comida menos saudável de um momento para o outro. Uma melhor opção seria reduzir os dias da semana a que consumimos um determinado alimento (por exemplo, nas segundas-feiras não consumo doces), e a partir daí começar a reduzir gradualmente a sua ingestão.

5 - Estar preparado para eventuais recaídas. O nosso corpo pode causar algum desconforto inicial ao inibirmos certos hábitos. Há todo um habituar a novas rotinas e comportamentos que tem de ser consolidado. Há que ter em conta os nossos limites e fraquezas, e não colocar expetativas irrealistas demasiado cedo (pois vai-nos levar a desistir). Sendo que uma pessoa demora pelo menos 1 mês a consolidar um novo comportamento, devemo-nos focar antes nos pequenos sucessos, e encarar as recaídas como algo natural, que faz parte, e criar soluções.

 

    O que acharam deste Domingo de Consultório? Quais são as vossas resoluções para 2019? 

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#21DomingodeConsultório: Não gosto do Natal

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    Não, as pessoas que não gostam do Natal não sofrem de uma perturbação psicológica.  Contudo, resolvi abordar este tema por aqui visto ter lido alguns bloggers a dizerem que não gostam particularmente da época natalícia, e por isso achei que seria um óptimo tema para explorar no meu Consultório.

    O Natal traz consigo uma pressão (escondida) muito grande, que muitos de nós não conseguimos dar conta. Não me refiro apenas à pressão de comprar presentes para os amigos e familiares, - no qual a "solidariedadezinha" pode ser vista como obrigação para alguns; mas também à "pressão" da família unida, do amor entre todos, de uma noite bem acompanhada, - o que, como sabemos, nem sempre é possível. E quando a pressão se torna demasiado grande, faz-nos elevar as nossas próprias expetativas. E por sua vez, quando temos altas expetativas para o dia de Natal e ele acaba por não corresponder ao que tínhamos idealizado, ficamos tristes, e até, muitas vezes, deprimidos.

    Para além disto, há ainda a questão da religião, pois nem toda a gente comemora o Natal. Vou vos contar o caso da minha mãe. A minha mãe é professora primária, e todos os anos faz a árvore de Natal na turma dela, e dá aos miúdos a oportunidade de enfeitarem a árvore à sua vontade. Este ano teve, na turma, um rapaz cuja família não era católica e por isso não comemorava o Natal, então o rapaz não tinha autorização para decorar a árvore. O miúdo chorou o resto da aula porque sentiu-se de parte em relação aos outros. Este é apenas um exemplo das "pressões" que, inconscientemente, a época natalícia traz à tona.

    Como podemos ver, há várias razões para as pessoas poderem não gostar do Natal, mas sejam elas quais forem, deixo-vos aqui as minhas dicas caso sejam uma dessas pessoas:

 

  1. Aceitem aquilo que sentem. Ninguém é obrigado a gostar de tudo, bem como não somos obrigados a sentirmo-nos bem a toda a hora. Somos seres humanos, temos gostos e sentimentos diferentes, e cada um de nós é único. Não tem importância se não gostamos do Natal, desde que consigamos perceber o que é que não gostamos nele.
  2. Falem com quem realmente amam sobre o que sentem no Natal, e sugiram alternativas diferentes para passar este dia. Não deixem de comunicar sobre aquilo que não gostam. Podemos não gostar do Natal por aquilo que ele representa, mas se analisarmos com clareza, o Natal é apenas mais um dia do ano. Experimentem sugerir novas formas de passá-lo com os vossos amigos, familiares, pais, irmãos... para que a experiência se torne o mais agradável possível.
  3. Não sobrevalorizem este dia. Como já disse acima, a própria época natalícia já pode ser suficientemente desgastante por si, e por isso não vale a pena colocar-mos mais pressão em cima dela. Seja por nos relembrar de um acontecimento menos positivo da nossa vida, por nos sentirmos mais sozinhos, ou mais "sem dinheiro" para todo o consumismo que esta época implica, o Natal é um dia como todos os outros. E tão depressa vem, como vai. Por isso, façam algo fora da rotina, inovem e tentem aproveitá-lo da melhor maneira que conseguirem. 

Umas óptimas festas para todos! 

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#20DomingodeConsultório: A Psicologia faz match entre as pessoas?

    Bom domingo a todos! Baseado num comentário que recebi ontem no post que fiz sobre a Eliana dos Casados, hoje resolvi falar-vos um bocadinho sobre testes psicológicos, e de como é feito esta "compatibilidade" entre os casais.

    A verdade é que na psicologia não existem testes psicológicos para avaliar a compatibilidade entre duas pessoas! Aliás, a própria Ordem dos Psicólogos Portugueses, considera este "matching" de pessoas "uma aldrabice". Existem sim testes para avaliar o tipo de personalidade e temperamento da pessoa, que avaliam traços de personalidade como a extroversão, a vertente emocional, o espírito de aventura, etc.; podendo-se daí observar características comuns que as pessoas apresentam entre si.

    O que deduzo que aconteça no caso dos "Casados à primeira vista" é que os especialistas, com a informação que recolhem destes testes, definem um potencial de comportamento  da forma como acham que as pessoas se vão comportar na experiência, e com base nisso falam na suposta compatibilidade/ "matches".

    A meu ver, parece-me que uniram casais com personalidades muito díspares, com o objetivo de cada um conseguir encontrar um 'equilíbrio' saudável, que desse espaço para crescerem os dois enquanto pessoas.
    Por exemplo, no caso da Eliana - e visto a sua grande carência emocional - procuraram uma pessoa que lhe desse a atenção e o amor que precisa; por outro lado, deram ao Dave uma pessoa com mais disciplina e organização - que por sua vez tende a faltar na sua personalidade visto ter um temperamento mais calmo e descontraído.

    O mesmo acontece no caso da Ana (considerada um "espírito livre") e do Hugo (com um carácter mais dependente e possessivo); da Graça (com uma personalidade mais liberal) e do José Luís (com um temperamento mais conservador), etc.

    O problema é que, ao seguirem este critério para juntar os casais, têm apenas em conta o seu perfil de personalidade; e esquecem-se que na prática nem tudo funciona assim tão bem, os comportamentos das pessoas são tudo menos previsíveis, e nem sempre "os opostos atraem-se" tal como diz o ditado...  

    Qual é a vossa opinião? O que acham dos critérios para fazer "match"?

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