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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

Sobre(Viver) em tempos de crise

Nos últimos meses temos passado por situações e desafios que nunca imaginámos enfrentar na nossa vida, e isso tem-nos trazido consequências a nível físico, e psicológico.

A pandemia obrigou-nos, de um momento para o outro, a proceder a mudanças drásticas no nosso dia-a-dia, e a adaptarmo-nos a novas realidades num curtíssimo espaço de tempo: a vivência da doença, o luto, o teletrabalho, o afastamento físico dos nossos entes queridos, o confinamento obrigatório (e, agora, o gradual desconfinamento)... 

E tal como muitos de nós, eu própria sinto-me (ainda) muito afetada com todas as consequências do confinamento obrigatório, originado pelo covid-19: a minha ansiedade disparou em flecha, os meus ataques de pânico aumentaram, as minhas crises de choro também, vieram as insónias, a desmotivação, a apatia, a ingestão exagerada de doces, o isolamento de tudo e de todos, enfim...

Por essa razão tem-me sido tão difícil manter o blog atualizado. Sinto que deixei tudo em pausa (o trabalho presencial, os encontros com amigos, as saídas, etc), e por isso o blog foi apenas mais um.

Sabem aquela sensação de estarmos debaixo de água, quando mergulhamos, e temos o nariz tapado, os olhos tapados... e só estamos desejosos de voltar ao de cima? Eu sinto-me exatamente assim. Estou debaixo de água, - com toda a minha vida suspensa, - e só vou conseguir respirar quando tudo isto estiver passado. Para mim, isto não é viver, mas antes sobreviver.

Isto não significa, obviamente, que não me sinte grata por ter a minha família comigo, por estarmos todos bem de saúde, e por termos a sorte de conseguir trabalhar a partir de casa. Mas também sei que é muito importante não descurarmos da nossa saúde mental que, em muitos casos, se tem vindo a deteriorar nos últimos dias.

Mas para não acabar em mau tom, vou-vos deixar aqui 5 estratégias que tenho aplicado nos últimos dias que me têm ajudado a manter a mente ligeiramente mais sã:

  1. Fazer meditação antes de me deitar. Todas as noites, antes de ir dormir, meto a tocar um áudio do Palouse Mindfulness (que acho sempre super relaxantes), e tem-me ajudado imenso a adormecer mais rápido, e a acordar menos vezes durante a noite.
  2. Praticar exercício físico. Esta foi uma novidade para mim (pessoa extremamente sedentária ). Dia sim, dia não, visto o meu fato de treino de manhã e faço alongamentos, ou vou dar uma caminhada num parque da minha zona. Começou por ser uma desculpa para sair de casa e manter-me saudável, até que ao fim de um tempo se tornou mesmo um hábito.
  3. Valorizar as nossas conquistas, ainda que pequenas. Desde o pequeno-almoço saudável, até à atividade física, hábitos de sono saudáveis...Tudo é motivo para festejar, e valorizar as nossas pequenas vitórias. Tendemos a ter um discurso muito autodepreciativo, o que não nos traz nenhum benefício, por isso é bom que tentemos alterar um pouco esse paradigma.
  4. Manter um diário. Manter um diário é extremamente saudável, e tem múltiplos benefícios. O meu diário serve para apontar: o nome dos workshops online a que tenho assistido, as novas receitas que tenho experimentado, as compras que tenho feito online, aquilo que tenho sentido ultimamente, etc.
  5. Manter rotinas, e horários. O ideal é tentar mantermo-nos o mais próximo possível das nossas rotinas habituais: acordarmos e deitarmo-nos à mesma hora, vestirmo-nos (mesmo que não vamos sair de casa) e mantermo-nos ativos (assistir a séries, criar novas receitas, apostar no artesanato, organizar/decorar o nosso espaço, etc.).

E por esse lado, como têm passado estes dias? 

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Como lidar com as emoções negativas durante um período de isolamento?

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(foto da minha autoria)

 

Olá a todos! Espero-vos bem, em casa e de boa saúde 

Como devem imaginar, nos tempos que correm é difícil falarmos de outra coisa senão da pandemia do Covid-19, e de como esta tem impactado a nossa vida. As pessoas são aconselhadas a ficar em casa, sair à rua apenas em casos de extrema necessidade, cada vez mais empregos têm aderido ao regime teletrabalho, sendo que inclusivamente hoje foi decretado estado de emergência.

Todas estas mudanças num intervalo de tempo tão curto trazem, sem dúvida, muitas consequências, nomeadamente a nível psicológico. O ser humano é naturalmente um ser de hábitos e rotinas: habitua-se a levantar cedo de manhã, a ir trabalhar, a almoçar fora, a ir buscar os filhos à escola... E quando surgem mudanças repentinas nessa rotina, nós estranhamos.

"Algo não está certo" - pensamos - "Algo está fora do normal, ou seja, daquilo a que eu estou naturalmente habituado/a; e logo isto não pode ser bom sinal" e começamos a entrar numa corrente de pensamentos tal, que a preocupação dá lugar à ansiedade, que por sua vez, quando extrema, dá lugar ao pânico.

E tudo isto porquê? Porque estamos habituados a que as coisas corram exatamente como queremos/idealizamos (habituados à aparente "ordem natural das coisas"), e quando isto não acontece, é o caos. Como se fosse possível termos o futuro da nossa vida nas nossas mãos, como se fossemos alguma vez capazes de controlar o nosso destino...

Não somos, e não há mal nenhum nisso. Quando viémos para este mundo não assinámos nenhum contrato em como teríamos uma vida perfeita, longe de problemas e preocupações... Por isso, devemos reconhecer que essa é a lei natural das coisas. Porque um dos nossos desafios, enquanto seres vivos, é mesmo esse: A maior certeza que temos na nossa vida é exatamente a ausência de certezas.

 

Outra questão tem a ver com a obrigatoriedade de estar em casa. Muitos de vós provavelmente até passam fins-de-semana inteiros em casa, outros até podem andar, ultimamente, cansados das viagens casa-trabalho e trabalho-casa, e até já falavam em tirar uns diazinhos para ficar em casa a descansar... Mas só o facto de pensarmos que agora estamos a ser obrigados a fazer algo do qual não temos escolha, sentimos a nossa liberdade em causa, como reféns no nosso próprio lar.

Ao invés disso, podemos olhar para a quarentena como um período temporário, o que implica que as medidas implementadas pelo governo são passageiras; como uma forma de nos protegermos (e pensarmos que estamos em casa por um motivo válido, que tem a ver com proteger a nossa saúde e a dos outros), e aproveitarmos este tempo para reflectirmos, crescermos e até desenvolver novos hábitos e competências em nós (neste momento há muitos cursos online em funcionamento, há ebooks disponíveis, aplicações, jogos e vídeos lúdicos para passarmos o tempo, etc.). Caso queiram mais dicas de como podem passar o vosso tempo, podem ler este post.

Claro que devemos ter em conta que é normal por vezes sentirmo-nos mais tristes, preocupados ou sozinhos - porque toda esta é uma situação nova para nós -, e nessas alturas é importante não sermos duros connosco, aceitarmos aquilo que estamos a sentir, e falar com alguém. Estamos todos no mesmo barco, por isso bora ajudar quem mais precisa 

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