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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

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"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

O meu querido Pedrógão Grande...

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    Fez domingo 1 ano. Há 1 ano que estavam a ser levadas vidas de inocentes, e destruídas casas, terrenos, e estradas por fogos que apanharam de surpresa os habitantes do Nodeirinho (onde foi inaugurado o monumento acima), e do resto da vila de Pedrógão Grande. 

    Honestamente, parece que foi ontem que soube da notícia. Ainda é tudo muito novo para mim, e sinto que se falar nisto durante muito tempo, começo a chorar.

    E choro porque a vila que eu conheci está completamente irreconhecível, o trauma e o medo ainda se apoderam de muitas famílias que por lá andam, e o luto por aqueles que perderam ainda está a ser feito... Porque é tudo muito recente, aconteceu tudo tão rápido, e foi tudo tão inesperado. Eu (ainda) me sinto neste "choque" de: Eu poderia perfeitamente ter sido uma das pessoas que não sobreviveu aos incêndios... Porque era altura das férias, e a minha família estava prestes a arranjar uma data para irmos visitar a nossa casa de Figueiró, e era perfeitamente possível de isto acontecer. As estradas em que ocorreram os incêndios são estradas onde nós passamos a toda a hora, as localidades que arderam eram perto da nossa casa, e o nosso próprio terreno ardeu completamente!

    Por isso, se eu ainda não recuperei do susto, e nem sequer estive presente para o ver, eu não imagino o que sofreram (e ainda sofrem) os habitantes de Pedrógão! Nem imagino os traumas, os medos, as angústias, as tristezas... que se vive nesta vila, onde são constantemente relembrados desta desgraça... Eu só espero realmente que todos os habitantes estejam a ter o devido acompanhamento psicológico, e ajuda monetária (e de bens), que necessitam, para se encontrarem o melhor possível dentro das circunstâncias. Foi um choque enorme para todos, mas para estas pessoas que viveram este pesadelo de perto deve ter sido muito maior, e merecem toda o respeito, e atenção, do mundo. Muita força para todas as famílias, o meu coração está com vocês... 

É muito triste.

    Eu evito ao máximo falar sobre coisas que me magoam no meu blog. Prefiro deixar este cantinho para algo que vos deixe mais positivos, e felizes, já que há tanta desgraça no mundo que nos deprime... Mas não pude deixar de fazer um último post sobre pedrógão, com uma notícia que me deixou muito, muito triste.

    Como sabem, tinha uma casa perto de Pedrógão Grande que ardeu, e eu a minha família íamos todas as férias para lá, chegando a fazer grandes amizades com os nossos vizinhos. Ontem soube que 2 familiares de um amigo meu faleceram, mais concretamente a sua avó, e irmã de 3 anos... E agora mesmo, fiquei a saber que um amigo nosso que estava desaparecido desde o incêndio foi encontrado morto hoje. Ele tinha 19 anos.

    E estas coisas deixam-me muito triste. Porque penso no quão novo ele era, de todas as coisas que ele ainda tinha para viver pela frente, de todas as vezes que nós tínhamos saído juntos. E lembro-me da última vez que estive com ele... e que nunca pensei que seria a última.

    Por outro lado, penso no meu amigo que perdeu duas das pessoas que ele mais ama na vida, e na dor que ele deve estar a sentir neste momento, que se deve assemelhar à pior coisa vivida por alguém: num dia, perder uma irmã e uma avó.

    A única coisa que posso fazer agora é rezar por ele, e por toda a gente que perdeu os seus entes queridos. Oferecer o meu apoio, e ajuda financeira. E pensar, como já dizia antes, na sortuda que sou, e no quanto devo valorizar o meu tempo e a minha vida, e ajudar sempre quem mais precisa.

"A nossa casa de Figueiró dos Vinhos ardeu."

    Estou de rastos. Não estava em casa quando a minha mãe me ligou: "A nossa casa de Figueiró dos Vinhos ardeu." O meu coração quase parou. A primeira coisa que me veio à cabeça foi: "Estava alguém na nossa casa?"

    A minha família tinha comprado, há uns 15 anos, uma casa no concelho de Pedrogão Grande para nós irmos passar as férias. Foi esse o nosso objetivo em primeiro lugar, mas ultimamente, por falta de tempo e disponibilidade para lá irmos, tínhamos alugado a casa a algumas famílias, para passarem lá as férias. Por SORTE, a última família tinha saído de lá há semanas, pelo que a casa tem estado desde então sem ninguém.

    Na altura que a minha mãe me ligou, só havia notícia de um bombeiro desaparecido, e alguns feridos, mas ainda não tinham conhecimento de mortes. Atualmente, sabe-se que iniciou-se numa área florestal por volta das 15h, causou, até agora, 57 vítimas mortais, 59 feridos graves, e 2 bombeiros desaparecidos. Sabe-se também que a falta de bombeiros é notória, e que o secretário de Estado da Administração já ativou o plano de emergência florestal.

    Estou em choque. Não há palavras que cheguem para explicar o que sinto neste momento. Sinto que esta é daquelas coisas eu leio, vejo nas notícias, que deprimo ao saber do acontecimento, mas que nunca acontece a nós. Que está sempre muito longe de nos acontecer. E sinto que desta vez esteve tão, mas tão perto. Há DIAS que a minha família fala em ir passar fins-de-semana lá à nossa casa, e mas nunca tinha surgido oportunidade de lá ir até agora. E agora isto...

    O pior é a quantidade de pessoas que sofreram com este incêndio: que não sobreviveram, que ficaram feridos, ou que viram os seus entes queridos a sofrerem... Só consigo pensar na sorte minha e da minha família, da família que esteve de férias na nossa casa, e de todas as famílias que conseguiram escapar a este azar. E isto não me sai da cabeça...