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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

#36DomingodeConsultório: Como escolher o psicólogo mais adequado?

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    Bom Domingo a todos! Parece que este dia tem durado, e durado, não é? Quem diria que ainda estamos no fim-de-semana... Se calhar ninguém, porque não estamos! 
    A verdade é que ontem não saiu Consultório, porque me foi impossível, então resolvi fazer hoje.
    E como convidada de hoje temos a nossa (doce) Sweet; que coloca a seguinte questão: 
 
"Podias fazer um post sobre encontrar o profissional certo para cada pessoa e como escolher o psicólogo que mais se adequa? É que eu acho que muitas pessoas ficam no primeiro psicólogo que lhes aparece, mesmo que não estejam a melhorar, porque têm medo de não encontrar melhor."
 
    Ora, não tanto posso, como aqui está ele! Essa é uma pergunta um pouco tricky, porque acredito que muitas vezes seja uma questão de nos identificarmos, ou não, com a personalidade do psicólogo (e haver o tal 'match', que vos falei em tempos).
    No entanto, existem vários tipos de profissionais de psicologia, cada um com a sua vertente clínica, que vão ditar a forma como o profissional atua, e faz as suas interpretações.
 
    São algumas dessas abordagens...
  • A cognitivo-comportamental (uma das mais frequentes): Nestas consultas, o psicólogo tem um papel mais activo, e pretende ensinar ao paciente formas mais adequadas de viver a sua vida; identificar e avaliar pensamentos da pessoa, e como estes podem interferir no seu comportamento. Por isso são mais intervenientes nas sessões, e dão técnicas específicas para utilizar no dia-a-dia. Mais utilizada em casos de: depressão, transtornos de ansiedade, de pânico, obsessivo-compulsivo, fobias, etc.
  • A sistémica: Os psicólogos que seguem esta vertente, estudam o indivíduo dentro dos seus relacionamentos (familiares, de casal, etc), e a sua forma de comunicar. E por isso a sua abordagem incide não só na pessoa que tem à sua frente, mas também nos seus contextos de vida. Frequentemente utilizada em terapia familiar.
  • A existencial: Nesta abordagem não se tem em conta os sintomas nem a doença do paciente, mas apenas a relação que existe entre este e o terapeuta - é a mais filosófica. Aqui, o objetivo da intervenção é levar a pessoa a procurar um significado para a sua existência.
  • A dinâmica: Segundo este tipo de intervenção, o nosso comportamento é determinado por processos mentais inconscientes, construídos durante a infância. São, por isso, psicólogos mais focados em explorar o passado da pessoa, menos intervenientes, e que dão por isso mais espaço à pessoa, para falar. Útil para tratar casos de depressões profundas, traumas de infância, etc.
  • Psicanálise: Seguem o mesmo tipo de abordagem da vertente dinâmica, no entanto a intervenção é feita no divã, e é mais demorada (um tratamento pode demorar anos!). E são utilizadas técnicas como a associação livre de ideias, a interpretação de sonhos, etc. 
  • Etc. (existem muitas mais, mas estas são algumas das mais frequentes)

 

    Espero ter-vos sido útil, e tenham uma óptima semana! 

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O que acontece quando os psicólogos precisam de acompanhamento psicológico?

    Eu pessoalmente sempre pensei que os psicólogos eram como os super-heróis: o seu super-poder era a capacidade de atenderem 6-8 pacientes por dia, cada um com a sua perturbação mental, e saírem 100% ilesos psicologicamente.

    Mas enganei-me, eles não são super-heróis. Nem eles, nem os médicos, nem ninguém. Porque isto de ser um profissional de saúde, seja de doenças físicas ou psíquicas, tem muito mais que se lhe diga, do que muitos pensam.

    Não estou com isto a querer desvalorizar as outras profissões, pois imagino que cada uma tem o seu quê de stressante, e de desafiante. Mas como por agora só consigo falar da minha experiência, que é conviver diariamente com pessoas com perturbações psicológicas, é desta que hoje me decidi focar.

    Imaginem o que é, terem todos os dias pessoas diferentes a entrar no vosso consultório e desabafar com vocês os aspetos das suas vidas mais pessoais, frágeis, difíceis. Imaginem o que é terem pessoas a passar por lutos, doenças crónicas graves, ataques de ansiedade, separações, divórcios, tentativas de suicídio... diariamente.

    Mesmo que a vida do psicólogo fosse uma maravilha: casamento perfeito; relação ideal com a família, amigos, filhos; óptimo estado de saúde... MESMO assim, qualquer pessoa ficaria, inevitavelmente, afetado pelos testemunhos que ouviu durante o dia. Toda a gente. Porque somos humanos, e por mais que eu tenha ouvido na faculdade imensas vezes a falar sobre 'distanciamento saudável' em relação ao paciente, nunca se consegue evitar totalmente a passagem dessa carga negativa.

    Agora acrescentaremos a isto: uma vida difícil, um momento da vida menos bom, um trabalho stressante, relações complicadas no seu meio social... Como é que é suposto o profissional "aguentar-se" psicologicamente? É inevitável. Todos os psicólogos precisam de um psicólogo, também para ele.

    Por algum motivo ouvi isso durante os meus anos de faculdade, porque é a mais pura da verdade. E provavelmente, a mim, também, chegou a hora de ter um psicólogo. Capaz de me acompanhar nas (des)aventuras da minha profissão, que eu tanto adoro, mas que certamente não consigo enfrentar sozinha.

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