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umacartaforadobaralho

"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

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"o segredo é teres sempre uma carta na manga"

Coisas que já ouvi, enquanto psicóloga:

 Mitos VS Realidade

 

"Os psicólogos são aqueles que tratam os malucos, não é?"

Na realidade, a psicologia trata maioritariamente indivíduos neuróticos (pessoas com emoções 'exageradas', fobias, ansiedades, obsessões..., ou seja, todos nós). Segundo Freud, todos nós somos indivíduos neuróticos, logo, todos nós somos um pouco pró "malucos". 

 

"És psicóloga? Adivinha o que eu estou a pensar!"

(In?)felizmente não é assim que funciona, não tiramos o curso de videntes 

 

"Vou-te contar o meu sonho, para o interpretares."

 Nem todos os psicólogos sabem interpretar sonhos. Na verdade, só aqueles que tiram a especialização em psicoterapia dinâmica, ou psicanálise. Por isso, se procuram psicólogos que façam interpretação de sonhos, procurem por especialistas nestas áreas!

 

"Psicólogo é aquele profissional que usa o divã para o paciente não é?"

Nem sempre. Neste caso, só os psicanalistas é que utilizam o famoso divã nas suas consultas.

 

"O psicólogo passa medicação?"

Não, apenas o psiquiatra pode passar.

 

"Eu já ando a ser seguida por um psicólogo há alguns dias, e ainda não estou curada da depressão/ansiedade/... !"

Dependente das patologias, há doenças mentais que demoram mais sempre a ser tratadas do que outras. Os psicólogos não podem ser vistos como os médicos: vai-se a uma consulta, passa-se uma receita, e nos dias seguintes melhoram. Infelizmente, a maioria das pessoas só vai ao psicólogo quando a doença já está bastante avançada, o que faz com que o tratamento demore muito mais tempo. Há que ter calma, e paciência, porque a espera dá resultados!

 

"Vocês deviam ter vergonha, vocês estão a fazer negócio com a saúde das pessoas!" (sim, já houve um cliente a dizer-me isto)

E os médicos privados não estão? Ou os psiquiatras, dentistas, oftalmolgistas...? Tal como os outros profissionais, os psicólogos não são excepção, e também precisam de fazer dinheiro! É aquela chatice de ter que comer, viver e assim... You know...

 

"Como é que eu tenho a certeza que posso confiar em vocês e contar-vos tudo sobre mim?"

Os psicólogos regem-se de acordo com o Código Ético e Deontológico  da Ordem dos Psicólogos, sendo por isso obrigados a garantir privacidade e confidencialidade de toda a informação do paciente. Só em casos muito excepcionais é que essa confidencialidade é posta em prática. Podem ler mais sobre isso aqui.

 

"Um estudante de psicologia não devia pensar assim, porque..."

 Por sermos psicólogos não significa que deixemos de ter os nossos pensamentos e opiniões. Cada um é como é, e o psicólogo não é exceção. No entanto, de modo geral, sim, não fazemos juízos de valor (até por fazer parte do nosso Código, que falei há pouco!)

 

Combater a ansiedade!

    Começa com as palpitações fortes. Vem a angústia no peito, a dificuldade em respirar. E pronto, dêem as boas vindas aos ataques de ansiedade. Seguidos, frequentemente, do choro e sentimentos de tristeza.

    Quando a minha psicóloga me disse que estava a passar por crises de ansiedade que estavam a afetar a minha vida pessoal, a forma como me sinto, e até o meu metabolismo, devo confessar que paniquei um bocadinho.

    Quando disse que se continuasse a este ritmo podia chegar a um esgotamento nervoso, senti-me parada no tempo a ver a minha vidinha a andar para trás. Foi como um "despertar" súbito, duro e frio, para a realidade. E doeu.

    Sabia obviamente que estava mais nervosa do que habitualmente, mais sensível. Agora, parece que levo tudo muito a peito, e a qualquer coisa que sinta como ataque pessoal, desato a chorar (o que não é muito normal...). Tenho dificuldades em adormecer, acordo muitas vezes e sinto que não descanso, e durante o dia parece que entro em 'piloto-automático'. Mas pensava, muito sinceramente, que isto fazia parte do meu cansaço à rotina, e apenas isso.

    Na minha última consulta de psicologia apercebi-me que isto é sério, e que tenho que fazer alguma coisa para mudar. É engraçado quando passas os teus dias a dizer aos outros como melhorar a sua saúde mental, e quando chega a tua vez nem te dás conta que também precisas de melhorar a tua. Quase irónico, até.

    Por isso, a minha psicóloga deu-me 'trabalhos de casa': treinar a respiração diagrafmática (pois pelos vistos a minha respiração está péssima); identificar pensamentos negativos que tenha e corrigi-los (pois muitas vezes estes pensamentos não passam de crenças errada, que não correspondem à verdade, como por ex: "no trabalho, vão me achar incompetente se não fizer isto e isto...") e treinar a minha assertividade (saber dizer que não aos outros quando é necessário, e pensar mais em mim). Parece fácil, não é? Desejam-me sorte... 

Voltar para o Ex?!

    Há tempos li, na revista Happy do mês de Fevereiro, um artigo a falar sobre uma empresa que se dedica a ajudar pessoas a reconquistar o/a seu ex-namorado/a, e desde então aquilo não me sai da cabeça.

    Os sites chamam-se "Ex Boyfriend Recovery" e "Ex Girlfriend Recovery", e têm um conjunto de artigos como "The No Contact Rule", "I want my Ex back but he won't talk to me" e "How to know if your Ex still love you", que ajudam, e incentivam, a recuperar uma relação já terminada. O programa não diz ser 'infalível' a todos aqueles que procuram retomar o seu amor perdido, mas referem ter 80% de probabilidade de recuperar um ex-namorado.

    Claro que cada caso é um caso, e toda a gente tem os seus motivos e 'timings' de separação, mas a meu ver não me parece que este tipo de serviço tenha propósito algum. Concordo com alguns dos artigos que eles disponibilizam, especialmente aqueles que tentam estabilizar o estado emocional perturbado das pessoas que acabaram de terminar o seu relacionamento... mas mais do que isso não me faz sentido.

    Na minha opinião (que vale o que vale), a pessoa é "ex" por algum motivo. E quanto mais tempo passar entre o término do namoro e o querer voltar, pior é! Se as coisas não se resolvem logo na altura, ou alguns dias depois do rescaldo, então é porque ninguém está disposto a fazer esta relação funcionar, de todo.

     Se as pessoas não conseguiram comunicar na altura, chegar a um acordo em relação a algo, e crescer e adaptar-se ao parceiro; então o que é que me garante que essa relação vai resultar 6 meses depois? As pessoas mudam, mas não tanto.

    Para além de que, a meu ver, muitas das pessoas procuram o seu ex apenas porque sentem falta da felicidade que sentiam quando estavam com ele, e não dele em si mesmo. Na altura, só sentem desgosto e mágoa da separação, e querendo se sentir bem rapidamente, o mais fácil é tentar entrar em contacto com ele, do que tentar ultrapassá-lo.

    Já para não falar dos ex's que já tem uma atual, dos casos de traição, dos ex's "stalkers"... Há tanta coisa por onde pegar, que pode correr mal neste reencontro...

    Eu sou uma apaixonada pelo amor, como já o referi muitas vezes, mas em primeiro lugar sou apaixonada pela felicidade e bem-estar das pessoas. E não acredito na treta do "-Não era a altura certa", ou "-Não me sentia preparado para mudar". Porque isso soa-me a falso, soa-me a desculpa esfarrapada.

    Soa-me a alguém preguiçoso, ou imaturo, que claramente não estava pronto para ter uma relação. E desculpem-me a frieza, mas nada me garante que, depois, não vá perder ainda mais tempo da minha vida dando uma oportunidade a uma pessoa que já me fez perder imenso tempo no passado. O tempo é o bem mais precioso que nós temos na vida. E devemos gastá-lo em boas oportunidades, e pessoas que valham a pena.

    Este é apenas o meu ponto de vista, o que é que vocês acham sobre voltar para um ex-namorado/a?

Como correu a minha primeira consulta de psicologia?

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    Sim, estou a estudar para ser Psicóloga Clínica, e sim, nunca tinha tido uma consulta de psicologia.  Honestamente, - e por mais que os nossos professores nos ensinassem que todos os alunos desta área deviam, antes de passarem à prática clínica, serem eles próprios acompanhados por psicólogos -, nunca achei que eu tivesse necessidade disso.

    Sempre me achei uma pessoa super alegre e bem-disposta, e com problemas relativamente "normais" (apesar do 'normal' aqui ser sempre relativo), e por isso não achava que precisasse disso. (Apesar de concordar que toda a gente, independentemente do seu estilo de vida e saúde mental, beneficia de acompanhamento psicológico.)

    Por isso mesmo, e por já vos ter desabafado anteriormente que o estágio, tese e tudo o resto está a ser demasiadas coisas para lidar..., marquei, no outro dia, a minha primeira consulta de psicologia! E deixem-me dizer-vos uma coisa... Adorei, e recomendo vivamente!

    Se forem como eu, a primeira consulta vai passar que nem um avião, pois vão querer 'despejar' tanta coisa em tão pouco tempo, que vai-vos parecer que passaram 15 minutos! Depois, e se tiverem sorte com a psicóloga como eu tive, vão estabelecer uma relação com ela como se fosse a vossa confidente preferida, estão a ver? Aquela pessoa está ali exclusivamente para nós, para ouvir os nossos queixumes, para nos ajudar a ultrapassar os momentos difíceis, e para nos trazer de volta à realidade - que, afinal, não é assim tão má como muitas vezes parece.

    Por isso mesmo, escusado será dizer que me senti super bem depois de ter vindo da minha psicóloga, e que mal posso esperar pela próxima consulta. Saí mais leve, mais calma... Mas também pensativa, pois tenho estado até agora a refletir em tudo aquilo que ela me disse, e me sugeriu fazer, de forma a fazer sentir-me melhor.

    Este foi o meu testemunho sobre a minha primeira consulta de psicologia. Espero que venha a entusiasmar mais pessoas a aderir a esta prática, que nos faz tão bem à saúde (física, e psicológica!). Alguém por aí já teve esta experiência, ou gostaria de ter?

 

O que acontece quando os psicólogos precisam de acompanhamento psicológico?

    Eu pessoalmente sempre pensei que os psicólogos eram como os super-heróis: o seu super-poder era a capacidade de atenderem 6-8 pacientes por dia, cada um com a sua perturbação mental, e saírem 100% ilesos psicologicamente.

    Mas enganei-me, eles não são super-heróis. Nem eles, nem os médicos, nem ninguém. Porque isto de ser um profissional de saúde, seja de doenças físicas ou psíquicas, tem muito mais que se lhe diga, do que muitos pensam.

    Não estou com isto a querer desvalorizar as outras profissões, pois imagino que cada uma tem o seu quê de stressante, e de desafiante. Mas como por agora só consigo falar da minha experiência, que é conviver diariamente com pessoas com perturbações psicológicas, é desta que hoje me decidi focar.

    Imaginem o que é, terem todos os dias pessoas diferentes a entrar no vosso consultório e desabafar com vocês os aspetos das suas vidas mais pessoais, frágeis, difíceis. Imaginem o que é terem pessoas a passar por lutos, doenças crónicas graves, ataques de ansiedade, separações, divórcios, tentativas de suicídio... diariamente.

    Mesmo que a vida do psicólogo fosse uma maravilha: casamento perfeito; relação ideal com a família, amigos, filhos; óptimo estado de saúde... MESMO assim, qualquer pessoa ficaria, inevitavelmente, afetado pelos testemunhos que ouviu durante o dia. Toda a gente. Porque somos humanos, e por mais que eu tenha ouvido na faculdade imensas vezes a falar sobre 'distanciamento saudável' em relação ao paciente, nunca se consegue evitar totalmente a passagem dessa carga negativa.

    Agora acrescentaremos a isto: uma vida difícil, um momento da vida menos bom, um trabalho stressante, relações complicadas no seu meio social... Como é que é suposto o profissional "aguentar-se" psicologicamente? É inevitável. Todos os psicólogos precisam de um psicólogo, também para ele.

    Por algum motivo ouvi isso durante os meus anos de faculdade, porque é a mais pura da verdade. E provavelmente, a mim, também, chegou a hora de ter um psicólogo. Capaz de me acompanhar nas (des)aventuras da minha profissão, que eu tanto adoro, mas que certamente não consigo enfrentar sozinha.

SuperNanny: A opinião de uma estudante de psicologia

    Soube agora mesmo que a SIC suspendeu a próxima emissão do programa Super Nanny, e decidi por isso que esta era uma excelente oportunidade para deixar aqui a minha opinião sobre tudo isto. 

    Achei que era importante deixar aqui o meu testemunho por dois motivos muito simples: 1º) tinha curiosidade em informar—me sobre o programa, e dizer o meu ponto de vista, e 2º) sinto que tenho (alguma) (pouca?) credibilidade na minha opinião, visto estar a estudar Psicologia, e por isso estar mais a par de algumas abordagens que a tal Nanny possa ter.

    Então, após ter visto o primeiro episódio, tirei as minhas conclusões. Em primeiro lugar, concordo que há muitos pais que necessitem de ajuda a educar os filhos, para não dizer todos. E não é para levar isto como uma ofensa, digo isto da forma mais humilde possível, pois se eu tivesse um filho muito provavelmente também precisaria.

    Educar um filho para mim é uma das tarefas mais desafiadoras e exigentes de sempre, pois se por um lado dizem-nos para não sermos demasiado autoritários, que pudemos criar um filho oprimido e infeliz, por outro não se "deve" cair nas suas boas graças e aparar-lhes todos os golpes, pois aí criaremos um marginal. É como se nunca se podesse ganhar como pai.

    Para não dizer desde já que cada criança é única, e o que resulta com uma não resulta com outra, e portanto há muito mais a ter em conta do que os fatores genéticos, ambientais, psicossociais, etc.. Tendo isso em conta, pais deste país que me lêm, tiro—vos desde já o chapéu porque, para mim, vocês já são uns heróis.

    No entanto, assumir isto, que se precisa de ajuda na educação dos filhos, é uma decisão dificílima de tomar, e são raros os casos que se voluntariam. Contudo, aqueles que reconhecem que precisam de ajuda, têm várias formas de o fazer: procurar apoio psicológico para os próprios, para a criança, falar com a professora da escola no sentido de perceber o que se pode fazer, falar com o médico de família, etc, etc.. Sendo que, na minha opinião, levar a criança e todo o ambiente familiar que a rodeia para a televisão, seria a última das minhas opções.

    O Eduardo de Sá deu um excelente ponto de vista quando disse "Não se entende se, no caso de Supernanny ser um programa de informação, porque motivo não cumpre os critérios éticos que deveria respeitar ou, no caso de não o ser, não se percebe de que forma um programa de entretenimento pode ser alimentado com dilemas gravíssimos de famílias e de crianças reais.". Ou seja, segundo o psicólogo, a SIC poderia ter optado por: ou fazer um programa de informação, no sentido de divulgar ao público algumas das técnicas psico—pedagógicas utilizadas em crianças e jovens, ou fazer um reality—show baseado em histórias de vida como estas (sem expôr a verdadeira identidade dos referidos). No entanto, a SIC optou por misturar os dois, juntando o útil ao agradável, e é aí, na minha opinião, que peca. 

    Ao criar um programa com este não está a aplicar, de todo, nenhuma abordagem psicopedagógica como alega, - pois está a a expôr menores a milhões de pessoas, colocando em causa a sua integridade física e psicológica  -; e não está a cumprir o requisito de programa de entretenimento visto estar a retratar problemas reais, potencializando o desenvolvendo de crianças fragilizadas, humilhadas, e estigmatizadas pelos pais.

    Por isso cá vai a minha sugestão para a SIC. Acho muito bem e de grande valor existir uma fonte de educação a pais que, muitas vezes, precisam de ajuda a educar os seus filhos, mas façam-no de forma a não expôr nenhum dos intervenientes. Sugiro que se foquem apenas em informar, e até sugerir, boas práticas a se ter em conta na educação, de forma a tranquilizar algumas das preocupações dos pais, e diminuir o seu nível de stress. Vamos todos aproveitar esta lição para criar algo grande e novo, e fazer a diferença! 

Dia Mundial da Saúde Mental 2017

    Hoje comemora-se o Dia Mundial da Saúde Mental, e como (futura) psicóloga não podia deixar passar este dia em branco, por isso aqui vai a minha mensagem a todos os que lêem o blog.

    Para quem não sabe, a saúde mental define-se, segundo a Organização Mundial de Saúde, como o estado de bem-estar no qual o indivíduo é capaz de realizar as suas capacidades pessoais e profissionais, lidar com o stress da vida de forma natural, e contribuir para a comunidade em que se insere. Parece algo fácil e acessível a todos nós, não é? Pois é, mas enganam-se.

    Um em casa 5 portugueses sofre de uma doença mental. Isso quer dizer que, muito provavelmente, vocês têm uma tia, primo, colega, amigo, com um tipo de patologia psicológica. E muito provavelmente nem têm noção disso. Como o atual bastonário da OPP (Ordem dos Psicólogos Portugueses) refere tratam-se de "doenças silenciosas", que como muitas vezes não são visíveis como as físicas, são frequentemente desvalorizadas. Não querendo por isso dizer que são menos importantes, e incapacitantes para quem as tem.

    Atualmente, as consideradas mais frequentes são as perturbações de ansiedade, e as de humor. Para terem uma ideia, uma perturbação de ansiedade pode originar taquicardias frequentes e ataques de pânico, que se assemelham à sensação de ter um ataque cardíaco. Por sua vez, a patologia de humor pode englobar uma perturbação depressiva. Neste momento, a depressão é responsável por uma taxa de suicídio em Portugal acima da média mundial. Estamos a falar de assuntos graves, que necessitam de uma resolução!

    Hoje vi uma reportagem na TVI que dava conta que os portugueses gastam cerca de 200 milhões de euros em psicofármacos, sendo mais de metade destinados à saúde mental. Isto porque se estima que um terço dos doentes mentais não tem o tratamento adequado, e por isso recorrem à medicação. Se essas pessoas tivessem tido uma intervenção psicológica, e/ou um aconselhamento numa fase precoce, evitar-se-ia o agravamento das suas situações. Chega de estigmas associados à saude mental. É fundamental aumentar os técnicos nos Centros de Saúde, só assim poderemos combater estes números horríveis.

Grande Ego?!

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    Já vos contei que um dos meus filmes preferidos é o "Mean Girls"? Foi um filme que nos ensinou que a) 'estereotipar' toda a gente não é correto de se fazer, e b) cada um de nós tem a sua história. É bom pensarmos que, para além de nós, toda a gente tem emoções, tem uma família, um legado, uns valores, uma educação... E que tem, acima de tudo, de ser respeitada.

    Quando oiço alguém a chamar sistematicamente de 'ignorante' a alguém, só porque quer fazer sobressair a sua própria "inteligência", ou 'incapaz' só porque este último não teve as mesmas oportunidades que ele teve, não consigo deixar de pensar o seguinte: Será que isto contribui assim tanto para a sua personalidade? Isto é, será que existem mesmo seres no mundo com a auto-estima tão baixa, tão baixa, que necessitam rebaixar as pessoas que julgam ser fracas, de modo a fazerem-se sentir melhor? Não arranjam mesmo outra forma de se sobressair enquanto ser humano, de se valorizarem?

    É triste. Porque são pessoas tão egocentradas que se esquecem que os outros à sua volta têm também as suas próprias capacidades (e, surpreendam-se, se calhar, só se calhar, muito mais desenvolvidas que as vossas), que não vêem necessidade de se estar constantemente a gabar das suas proezas. Não se apercebem que são pessoas muito inseguras, e que têm muito a aprender. Concentrem-se antes nos vossos próprios problemas, e asseguro-vos de que farão um mundo muito melhor para vocês, e para todos. :)

    Como li em tempos: "Cuidado com o ego! O pavão de hoje pode ser o espanador de amanhã."

Auto-estima

     Falava eu há dias com alguém a propósito da auto-estima, e do quoão importante ela nos é. Falávamos sobre o quanto ela nos faz sempre falta, e que convém andar sempre com 'o suficiente' na mala, just in case.

    Já foi o tempo onde eu acreditava que o mundo era um local cheio de pessoas boas, passarinhos a cantarolar, e borboletas a voar.... Infelizmente, apercebi-me que nem sempre é esse o caso (Veja-se o exemplo de Pedrógão, onde se soube que houve pessoas que foram assaltar as casas ardidas -como se perder a casa já não fosse o suficiente...)

    Por isso, e como ao virar da esquina está sempre alguém pronto para nos rebaixar e nos fazer sentir como a pior pessoa do mundo, é bom que tenhamos uma auto-estima suficientemente forte, para não nos deixarmos levar a baixo à primeira tentativa. A literatura dá-nos algumas dicas para trabalharmos no nosso amor próprio.

    Em primeiro lugar, devemos valorizar as nossas capacidades e sucessos pessoais, e deixarmo-nos inspirar por eles. Tomando consciência das nossas paixões, qualidades, e talentos. 

    É também aconselhado a sermos positivos no nosso diálogo e maneira de ser, de modo a sentirmo-nos melhor connosco. Falarmos de forma confiante, e valorizar as nossas experiências de vida, influencia não só a forma como nos vemos a nós próprios, mas também como os outros nos vêem. Além disso, não devemos comparar-nos à situação dos outros, mas em vez disso focarmo-nos no nosso próprio crescimento.

    Assim, se por um lado devemos ter consciência das nossas capacidades e não nos deixar humilhar por ninguém (pois como a minha mãe costuma dizer "-Acima, só Deus!"), por outro, não se deve também cair no outro extremo, e acharmo-nos a última bolacha do pacote. Porque quando a auto-estima é excessiva, torna-se puramente egoísmo, e isso já não é muito saudável... Mas isso fica para um próximo tópico! 

Como é a vida de casado?

    No meu trabalho, como sabem, dou acompanhamento psicológico a vários utentes, desde crianças a idosos. As temáticas que cada um vem abordar comigo são sempre diferentes, apropriadas para cada caso: seja a motivação para a escola, aprender a lidar com o stress do emprego, problemas matrimoniais... E hoje queria-vos falar do caso de um senhor que tive o prazer de seguir, durante algum tempo, que me ensinou imenso a mim, e eu espero ter ensinado imenso a ele também.

    O principal motivo que o trouxe à consulta foi a sua dificuldade em encarar o envelhecimento na vida do casal, porque já estava casado com a mulher há 50 anos, e provavelmente por isso tinham agora maior dificuldade em 'aguentar' os defeitos (e feitios) de cada um. "50 anos é imenso tempo....".  pensava eu, "Qual é o vosso segredo?" perguntei, em tom de brincadeira. Ao que ele me responde que foi "A paciência, a capacidade em 'adaptarem-se' um ao outro, e o compromisso que tiveram na base de tantos anos felizes ao seu lado..."

    Não foram raras as vezes em que o paciente me disse em consulta que fazia 'acordos' com a mulher, de forma a que os dois ficassem felizes. No caso deles, por exemplo, ele considerava-se uma pessoa muito sociável e divertida, enquanto ela era mais tímida e reservada. Por isso mesmo, ele combinava com a mulher irem os dois semana-sim/semana-não a uma excursão juntos, e em troca, todas as sextas-feiras eles faziam uma sessão de filmes 'caseira', onde a mulher escolhia o filme a ver. E isso aplicava-se a tudo, inclusivamente às lidas domésticas! Era impressionante a forma como este casal, com personalidades e objetivos claramente opostos, conseguia completar-se tão facilmente um ao outro: "Somos como o Ying e o Yang", dizia-me ele em tom de brincadeira.

    Claro que este senhor estava em consulta por um motivo, havia ainda certos aspetos da sua vida que ele precisava de aprender a lidar. Mas a sua motivação, força de vontade, e amor para continuar a lutar pela mulher da sua vida, eram as coisas mais certas que ele tinha na sua vida. Por isso 'senhor', aonde quer que se encontre neste momento, quero que saiba que me ajudou imenso a mostrar o que é a vida de casado, e os desafios da vida adulta. E desejo-lhe uma vida com tudo de bom, muita sorte, saúde... e acima de tudo, amor eterno.